Quando penso em algo que gostava de partilhar com as pessoas, vem­-me inúmeras memórias de felicidade à cabeça, destes pequenos grandes 15 meses de vida do meu filho.
São tantos os momentos em que me arranca um sorriso, uma gargalhada, um olá rasgado, um carinho… mas essa parte toda a gente conhece do que é ter um filho.
São a nossa maior alegria.

Hoje quero partilhar algo muito próprio, a adaptação a uma nova vida desde o dia de nascimento dele.

 

Um dia marcante, mesmo para a minha fraca memória, mas demasiadamente importante para perder um único momento daquele momento mágico.

Antes de me tornar pai, estava habituado a ter a minha rotina, absorvido por projetos e objetivos, uma ambição desmedida de aprender sobre tudo da minha área.
Podia agendar a vida como queria e ainda assim as 24 horas eram escassas, deixando um sentimento de correr atrás do tempo.

As viagens, quer de trabalho, quer de lazer, faziam parte de um estilo de vida, conquistar o mundo nos negócios e na aprendizagem de novas culturas.

Até que chegou aquele dia, aquele que pegou no meu castelo de cartas, construído muito cuidadosamente ao longo dos últimos anos, o derrubou, baralhou e me devolveu para que o voltasse a construir.

Esta é a melhor descrição que encontrei, nestes 15 meses, que descrevesse o processo pelo qual passei com o nascimento do meu filho.

Ele é lindo, mágico, consegue aquilo que mais ninguém consegue com tanta facilidade, mas nem ele me conseguiu preparar para tamanho desconcerto.

Nós humanos, somos seres de hábitos e ele fez me perceber que havia muito mais para além da rotina orientada a objetivos que era a minha vida, sempre a correr contra o tempo.

A minha devoção para com ele e a sua exigência para comigo, fez com que calmamente deixasse de correr desenfreadamente em procura de algo e começasse a encontrar o meu tempo, que começou a ser o suficiente para o trabalho e para ele.

Ainda tem 15 meses e já me ensinou a ser melhor, a partilhar melhor de mim e as 24 horas do dia passaram a ser suficientes.

  

Foram 15 meses muito desafiantes, onde tive que aprender a viver a minha nova vida, onde tive que aprender a conhece-lo, mas valeu tudo a pena, ai se valeu!

Ainda estou a aprender e sinto que o vou fazer toda a minha vida, mas não me importo.

Aquilo que ele retribui é tão forte, tão bom, que tive que me esforçar, para hoje transpor em palavras, as dificuldades deste processo de me reinventar.

A minha intenção em partilhar este texto é confortar os papás que iniciam a sua viagem, pois acredito que todos passamos por este processo, mas não falamos muito sobre ele.
Talvez por termos receio do que as outras pessoas possam pensar, do que nos podem julgar. É um processo normal que hoje consigo ver com maior clareza.

Ajustem-­se, aprendam com eles, mudem o que for preciso, mas aproveitem.
É tão bom, garanto.

Pedro Silva

Pedro Silva é o super pai do miúdo da Bárbara, a co-autora deste blog.

Comentários

2 Comments

  1. Cada palavra saída direitinha do coração… 🙂
    Obrigado por este bocadinho !
    Façam o favor de serem felizes…

Write A Comment