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Convidado Sweet Caos

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Quando falta o ar!

A vida começa no útero materno, num momento que precede um modesto contributo paterno, e aí se desenvolve ao longo de nove meses, numa água de vida envolta numa suave bolsa protetora (e como o meu segundo filho nasceu dentro da bolsa, que eu recolhi nas minhas mãos, podia despender aqui muito tempo com detalhes sobre o suave toque na bolsa cheia de liquido).
É neste ambiente único que o feto cresce e se desenvolve: o bebé forma-se na água, recebendo oxigénio, esse veneno mortal, através do cordão umbilical.
Antes de continuar é importante avisar os mais distraídos que “oxidar” provém de “oxigénio”, porque é o, lá está, “oxigénio”, que provoca a “oxidação”. Ora, na velha casa dos meus avós, eu cresci a ver caleiras e portões que teimavam em oxidar, e que obrigavam, por isso, o meu avô a trabalhar.
Na década de oitenta, o meu pai tinha um Renault 5 que, também ele, oxidou bastante e por todo lado, tendo acabado na sucata depois do último verão em que aproveitamos o arejamento adicional que os enormes buracos no tejadilho já proporcionavam. Quando era criança, a minha mãe dava-me uma maçã e insistia para que eu a comesse antes de ela oxidar, aplicando-se o mesmo às bananas, à pêras e aos marmelos na hora de fazer a marmelada. Escapam os limões e as laranjas, vá agora saber-se porque razão ou magia negra.
Regressando ao embrião, se no ventre o contacto com oxigénio é mínimo, já no nascimento dão-se dois milagres: o milagre da vida e o milagre do envelhecimento.
Quando nascemos, os pulmões enchem-se de oxigénio, e todo o corpo é também envolto nesse elemento químico maléfico que começa, de imediato, o processo de envelhecimento. Uma desgraça pegada.
E porque fui lembrar-me disto?
Duas razões.
Primeiro porque a minha filha mais velha foi este ano internada com sérias dificuldades respiratórias. O problema de base foi diagnosticado, alergias, e consequentemente debelado, ou pelo menos controlado, mas é uma dor no coração ver a dificuldade de respirar de um filho que, derivado a um estreitamento das vias respiratórias, tem dificuldade em fazer chegar todo o ar que precisa aos pulmões. E quem diz ar, diz oxigénio.
A segunda razão sou eu, que já por cá ando há 35 anos, em contacto constante com o oxigénio e todos os malefícios daí resultantes, tão visíveis nos portões dos meus avós e no Renault 5 do meu pai. É que o meu corpo tem tido muito contacto com esse elemento, resultado também de um estilo de vida saudável e muitas caminhadas pela montanha, o que claramente tem prejudicado a minha saúde.
Só assim se explica as incontáveis dores cervicais e lombares, a dificuldade que tenho em mexer o pescoço ou caminhar com ambos os filhos no colo. E já nem vou falar da pele enrugada e olheiras omnipresentes e omnipotentes, que se não são maiores é porque felizmente há cada vez mais dióxido de carbono no ar o que vai ajudando à minha saúde pela ausência de oxigénio.
Concluindo, quero só alertar Sr. Trump e todos os politicos e decisores que insistem em ignorar as consequências visíveis da poluição atmosférica. O seu contributo tem sido claramente importante para o meu corpo oxidar mais lentamente, e por esse lado agradeço. Mas este mundo não é só meu, e o oxigénio que a mim, e a ele que já não é novo, tanto incomoda, vai fazendo alguma falta à minha filha, que prefere não passar muito tempo no hospital a respirar por uma garrafa. Ela precisa do ar senhores, façam um esforço por o manter limpo.
Paulo Couto
Paulo Couto é pai da Olívia e do Xavier, é empresário e realizador com alma de viajante. É também o nosso Pai convidado no Sweet Caos.  visitem o seu site 🙂

Pai feminista

Sou feminista. Sempre fui feminista e, se algumas vezes não fui o aliado perfeito, foi mais por cegueira causada pelo privilégio de que gozo do que por alguma razão ideológica. Quando, ao final de algum tempo a tentar, a minha mulher finalmente ficou grávida, as dúvidas sobre educação foram mais do que muitas (ainda continuam a acumular-se), mas sempre esteve claro na minha cabeça que, independentemente do género, a criança que aí vinha seria um ser autónomo e igualitário, quer a nível racial, de género ou sexualidade. Não quero com isto vir com a conversa “not all men” ou “all lives matter”, mas exactamente o contrário: “yes, all men” e “black lives matter”. O privilégio de sermos brancos ainda não propiciou momentos de confronto, mas, curiosamente, o meu feminismo é constantemente posto em causa, quer em actos, quer em conceitos.

Tudo começou ainda antes da criança estar cá fora, depois de termos tomado a decisão consciente e, ao contrário do que se possa pensar, nada romântica de não conhecer o sexo físico dela. Se algumas pessoas construíam narrativas de surpresa ou outro disparate semelhante, a maioria ficava frustrada: o que poderiam elas comprar para a criança ou (ainda mais absurdo) como poderia ela desenvolver a sua identidade intra-uterina de forma saudável? A razão para a escolha era simples: queríamos evitar, antes da luta que sabíamos inevitável, a dicotomia que parece inescapável do azul/cor-de-rosa. Ainda que argumentássemos que há uma paleta de cores enorme para além dessas duas ou que meninos podem usar cor-de-rosa e meninas azul, algumas das pessoas atribuíram a escolha apenas à nossa vontade de “ser difíceis”, com muitas a suspeitarem de forma aberta que nós sabíamos, mas recusávamos dizer o que, para elas e de forma determinante, seria a criança.

Mesmo nas aulas pré-parto a diferença entre Mães (com “M” maiúsculo”) e “parceiros” é evidente. Sim, faz algum sentido que as sessões dedicadas ao parto e amamentação sejam mais centradas na experiência da mulher, já que ela é literalmente o centro da acção, mas, mesmo as outras sessões são por vezes, e de forma completamente impensada, quase ridículas: se, por um lado, exigem aos pais o conforto da mãe, por outro vão polvilhando o discurso com estereótipos retrógrados ou mesmo misóginos. Na melhor das vontades, atribuí esses lapsos à cultura vigente e ríamos os dois dessas contradições ignoradas a caminho de casa. Outro ponto importante (e aqui pode ver-se o nosso privilégio) é o insistir na amamentação.

Amamentação é um ponto muito controverso que, mais do que um estado de beatitude e construção saudável de relação entre mãe e criança, se torna numa forma de consumo moral conspícua, onde o privilégio do tempo para isso (a maior parte das mulheres não tem disponibilidade para poder fazê-lo mais do que nos primeiros meses, sem ser prejudicada no trabalho, e mesmo esses meses só graças à lei portuguesa), da capacidade para isso (ao contrário do apregoado, nem todas as mães o conseguem fazer, com alguns números a referir cerca de 10% que não o conseguem) ou mesmo a dificuldade de o fazer (há mulheres a quem a dor ao amamentar é de tal forma insuportável que têm de abandoná-lo) são usadas como armas de superioridade moral contra todas aquelas que têm a temeridade de confessar um desvio à doutrina (aviso à navegação: mantenham-se longe de qualquer mommy war, onde as lactivistas estão prontas a espezinhar a já frágil auto-estima de uma mãe com dúvidas). Se, nos anos 60, a amamentação foi recuperada pelas feministas da medicalização e mercantilização a que estava sujeita, estas posições são prejudiciais e excluem aquelas que precisam de mais ajuda num momento tão difícil. Pela minha parte, admito que a escolha de amamentar também me parece pôr em causa a divisão igualitária das tarefas, já que torna impossível dividir noites ou semanas de sono. Dediquei-me ao que podia, mantendo todas as tarefas domésticas e partilhando as da criança que era possível.

Finalmente chegamos ao ponto que mais me surpreendeu e, quase um ano depois, ainda me continua a surpreender: a forma como é construída e aplicada a imagem de pai bem intencionado, mas incompetente. Tanto de pessoas conhecidas, como de desconhecidas, é-me continuamente reconhecida uma incapacidade de tomar conta da criança de que só a mãe ou alguém que já foi mãe me pode salvar. Isto acontece continuamente. Imaginemos que a criança está inquieta e a chorar na rua: se estiver ao colo da minha mulher, é-lhe reconhecido o azar ou a paciência e desejada sorte, se estiver no meu colo, ouvem-se as perguntas do que poderei eu ter feito e desejada a rápida intervenção da mãe para salvar a criança. Uma qualquer piada que seja feita pela mãe sobre o cuidado ou educação da criança é recebida como jocosa e até talvez com risos, se for feita pelo pai, com choque ou uma oportunidade de esclarecer e salvar a criança daquele bruto.

Voltemos ao início: sou feminista. A minha criança vai sê-lo também, mas há muito trabalho pela frente, para mudarmos esta corrente misógina casual que permeia toda a nossa cultura e não permite o apoio às pessoas, homens e mulheres, que nela vivem. Para que os pais assumam o seu papel de responsáveis perante estes novos seres e perante todas as tarefas domésticas diárias, não podemos defendê-los com uma imagem de incompetência, mas exigir-lhes o mesmo esforço e resultado que esperamos de uma mulher. Ser feminista não é dizer que as mulheres são melhores (principalmente se o limitarmos a tarefas domésticas), mas que são iguais e que por isso todas as tarefas devem ser divididas pelos dois. Quanto aos estranhos que pensam que a criança sofre muito nos meus braços, nem imaginam a quantidade de escolhas não-normativas que escolhemos e às quais a submetemos, na esperança de formar um ser autónomo e completo, com capacidade de, se não livrar-se deles, pelo menos reconhecer e defender-se destes estereótipos e privilégio.

João Miranda é uma pessoa que se perde por vários temas. Quando não está a trabalhar ou a cuidar da prole, escreve para o c7nema.net

Illustration by Jim Cooke.

Contabilista precisa-se

Sim, eu sei que é abusivo aproveitar o blog de uma amiga para vir publicitar as minhas pendências pessoais, mas notem, eu já tenho contabilista, não é como se estivesse desesperado com o IRS de 2016, que já entreguei mas no qual as finanças encontraram divergências, e fosse o caso de o meu contabilista não dar conta do recado tenho ainda muitos amigos capazes de preencher um modelo 3 ou mesmo o 22, entenda-se, mas nenhum que consiga resolver o meu maior problema de contas pois falta-lhes a especialização. Já procurei nas páginas amarelas, que, pasmo geral, ainda existem na internet, já telefonei para a Ordem e até para a autoridade tributária, mas continuo na mesma.

O meu problema é simples: preciso de alguém que faça a contabilidade das horas, pode converter em dias, que eu levo a adormecer os meus filhos, e que no dia do juízo final, o meu entenda-se, interceda por mim junto de quem é de direito para que esse mesmo tempo, praticamente inútil em que, não por minha opção, não pude fazer nada nem mesmo dormir, seja creditado de novo no meu livro (em pequeno aprendi que o nosso futuro já está todo escrito por isso depreendo que exista um livro, bem grande) e eu seja enviado de novo para baixo para gozar o tempo que me é devido, sim para baixo pois com tanta privação de sono e horas de embalo nas costas posso fazer qualquer coisa no futuro que o meu lugar no céu está certamente assegurado.

Sei que estamos na silly season, mas isto não é uma questão menor. Toda as semanas são incontáveis as horas que eu despendo com as minhas duas crianças. Sei que ao ter participado na sua concepção eu, de forma mais ou menos imposta e mais ou menos implícita, aceitei uma série de termos, cláusulas e obrigações, às quais estou vinculado até à morte, e não me arrependo. Atenção, eu não quero deixar de adormecer os meus filhos, aliás, acho um verdadeiro milagre que um bebé de 6 meses adormeça no meu colo só porque sim, porque está no meu colo e é meu filho. Neil Amstrong foi à lua. O super-homem consegue voar pelo céu. O Hulk fica forte e verde e eu adormeço crianças!

Não é todos, calma, apenas os meus. É escusado virem agora com os vossos rebentos todos para a minha porta, nem vou abrir, eles não me conhecem, o meu cheiro será estranho, por isso duvido que se deixem adormecer na segurança dos meus braços. Mas não é incrível que um ser tão pequeno, que ainda mal se habituou ao sol e à chuva, não sabe falar e só com dificuldade leva uma colher à boca, se deixe adormecer nos nossos braços de um quase estranho? 
Por isso calma, não quero renunciar a este privilégio, mas às vezes gostava de ser menos bafejado pela bonança, 15 minutos de embalo são mais do que suficientes, não preciso de beneficiar desta benesse durante mais do que uma hora e várias vezes por noite. Mas, enfim, estou resignado ao facto de que não posso mudar esta triste sina. Não podendo eu mudar isto, há por aí alguém que possa ir anotando as minhas horas de serviço e interceda para que depois sejam devidamente creditadas em tempo para tarefas mais profanas? Obrigado. ​

Paulo Couto é pai da Olívia e do Xavier, é empresário e realizador com alma de viajante. É também o nosso Pai convidado no Sweet Caos.

SER PAI

O P é de PROTEGER. Proteger dos maus, dos parvos, da estupidez, da má ignorância, das doenças, dos mal-estares, dos bandidos, dos corruptos e da corrupção, das tristezas e das desilusões. Enfim, de tudo o que faça mesmo mal mas deixando espaço para darem umas turras, porque assim é que se aprende a sério.

O A é de AMAR. Incondicionalmente e intemporalmente. Acho que é mesmo a minha função principal, amá-los até não poder mais.

O I é de INSTRUIR. Como alguém disse, um perito é alguém que sabe como não fazer. Eu sou perito nisso e tento instruir os meus filhotes para que o sejam também, pelo menos sem ter de passar por todos os falhanços por que eu passei.

O resto é tentar deixá-los perceber que tenho um orgulho imensurável em todos eles, e que não consigo ficar chateado muito mais de umas horas.

João Geada
Pai da Joana, do Manel, da Maria do Mar, da Francisca e do Guilherme

As palavras por dizer!

Vão ao médico. Frequentem a consulta de planeamento familiar todas as semanas. Usem preservativo, dispositivo intrauterino, o anel, o adesivo e o implante. Espermicida inseticida e óleo de fígado de bacalhau. Laqueiem as trompas e façam uma vasectomia. Deixem crescer todos os pelos do corpo, não usem desodorizante, fio dentário ou pasta dentífrica. Não tomem banho se preciso for! Abstenham-se raios. Cuidem da vossa saúde, não tenham filhos, por favor.

Agora olha para cima, volta atrás e lê tudo do inicio. Posso trata-lo por tu? Chegados aqui, vou assumir que sim, somos amigos.

O que ninguém nos diz antes de sermos pais, é que depois de ter um filho viveremos para sempre no medo de o perder. E não é metáfora, não me refiro a perder um bebé que cresce e depois é do mundo, nada disso, perder perder, ver sofrer ou até morrer. Porque depois da euforia do nascimento nasce essa angustia, incerteza amarga, será que o vou deixar cair, estou a pegar bem, ainda parto alguma coisa, e se ele sufoca a dormir, a morte súbita é um risco, e no carro, vou mudar de carro para um mais seguro, e comprar uma cadeirinha com triplo airbag e atmosfera protetora. Porque agora tudo pode acontecer, e ele é tão frágil, que o único objetivo das nossas vidas é protegê-lo, com a nossa própria vida se for preciso. E não estou a exagerar.

E não acontece nada, ou acontece tudo. Nasce prematuro e os pais acordam de imediato para um limbo de muitas semanas de dúvidas, alimentadas por esperanças. Nasce bem e saudável mas um simples vírus, uma poeira de merda de tamanho microscópico, atira a vida do recém nascido para um novelo de indecisões, onde os pais se embrenham até à ponta do último fio, incapazes e impotentes, jurando dar a vida pelo ser que acabaram de conhecer. Correndo bem tudo se esquece, mas fica o medo, esse fica sempre.

Eles crescem. De bebés se tornam crianças, as saudades que sentimos do primeiro estado, e à medida que crescem qualquer percalço é um apocalipse. Da gripe à varicela, dos cinco pontos na cabeça à perna partida, do choro por perder um amigo à asma asfixiante. 

Ver um filho sofrer é um desastre de proporções inimagináveis. É uma dor na alma, um sobressalto constante. Um filho longe e um telefone a tocar é pólvora ao lado de fogo. E nada nos prepara para isto, nem as imagens da Síria vista no jornal da noite.

Por isso deixo o conselho, que não é ensinamento, mas sim aviso. Na preparação para o parto ninguém nos ensina a sofrer, ninguém nos avisa que vai ser assim para sempre, em todos os dias da nossa vida, ter filhos é ter medo de os perder.

Ainda aqui estás, posso continuar a tratar-te por tu? Vou dizer-te o que os teus outros amigos calaram. Não estás disponível para sofrer, todos os dias, pelos filhos? Volta ao inicio deste texto. Lê todo o primeiro parágrafo, repetidas vezes, até ao fim.

Há sangue suor e lágrimas no caminho da felicidade.

 

(Este texto é escrito ao abrigo do antigo e do novo acordo ortográfico. Num país que criou muitos mestiços eu gosto de misturas)

 

Paulo Couto

2 de Julho 2017

Paulo Couto é pai da Olívia e do Xavier, é empresário e realizador com alma de viajante. Vejam alguns dos seus trabalhos aqui



Os créditos da foto são mais uma vez da Marta Marinho, mulher do Paulo e excelente fotógrafa.

Às vezes parece que vivo dentro de um filme italiano

Vocês já ouviram a expressão PDI, não já?
Mas sabem qual o seu verdadeiro significado?Não, não tem puto a ver com a idade; PDI designa o Potencial de Discussão Interno e mede de forma rigorosa e científica a probabilidade de haver confusão dentro de uma família.

Às vezes parece que vivo dentro de um filme italiano.
Daqueles com muita gente a falar ao mesmo tempo, pessoas a esbracejar, gritos, brigas, confusões, mal-entendidos, queixinhas, mas também com beijos, abraços e muito amor.
Felizmente vivemos numa versão 2.0 do filme do Ettore Scola: somos “Bonitos, Asseados e Bons” – valha-me a modéstia…
Mas para perceber melhor como funciona a dinâmica de uma família numerosa como a minha (2 adultos, 4 crianças e uma cadela) criei um modelo matemático que facilita melhor a compreensão por parte daqueles que não têm filhos.

Imaginem estes cenários em que as letras (p.ex. “A”) designam cada filho, e os números se referem a cada possibilidade de discussão.
Numa família com um filho quais são as probabilidades de haver confusão?
Apenas quando a criança (A) confronta os pais (1).
Temos portanto uma situação onde se pode perder o equilíbrio; PDI = 1.

Agora imaginem um casal com 2 filhos. Pode haver granel quando a criança (A) confronta os pais (1) ou o irmão (2) e quando a outra criança (B) confronta os pais (3) ou o outro irmão (4).
Em suma, temos quatro ocasiões em que a coisa pode descarrilar; PDI = 4.

Chegados aqui vocês já perceberam que a escala de progressão matemática não é tão simples e linear como pensavam.
Não, quando se tem 2 filhos não duplicam as probabilidades de haver molho – quadruplicam!!!

Para uma família ser considerada numerosa, deve ter pelo menos 3 filhos.
Vamos fazer as contas?

Podemos ter chatice quando a criança (A) embirra com os pais (1), com um irmão (2) ou com o outro irmão (3); quando a criança (B) embirra com os pais (4), com um irmão (5) ou com o outro irmão (6); quando a criança (C) embirra com os pais (7), com um irmão (8), ou com o outro irmão (9).
Mas como onde há 3 pessoas há grupinhos, vamos ter ainda Potencial de Discussão Interna quando se juntam o A e o B contra o C (10), o A e o C contra o B (11) e o B e o C contra o A (12).
Em resumo, numa família com 3 filhos temos 12 ocasiões onde a casa se pode transformar num campo de rugby; PDI = 12.
É o triplo de uma família com 2 filhos. Ah pois é…

Não vos vou maçar com as contas para uma família com 4 filhos como a minha mas as últimas estimativas aponta para um valor mínimo de PDI = 30.

Dentro de um filme italiano

Se estão a desanimar ao ler isto e a fazer scroll com uma mão enquanto a outra procura o número da clínica para marcar a laqueação de trompas ou a vasectomia para não correrem riscos, esqueçam.
O meu objectivo não é desmotivar-vos, pelo contrário; é explicar-vos que se vocês têm 1 ou 2 filhos, a vossa vidinha é um passeio no parque. Pode ser giro e fofinho, mas é para meninos.

Ter 4 filhos foi de longe a melhor coisa que me aconteceu.

É verdade que quando temos (mais) filhos as alegrias se multiplicam e as tristezas se diluem, mas é muito mais do que isso.
Os miúdos têm todos a sua personalidade, o seu brilho, e todos acrescentam diferença, alegria e côr à família.
É muito (mesmo muito) frequente eu olhar para a minha 4ª filha e pensar “ainda bem que a tivemos”.
Se eu tivesse só 3 filhos a minha família seria fixe, claro que sim.
Mas ao mesmo tempo, se eu não tivesse tido a minha 4ª filha a minha família seria tão mais pobre…

Agora vá, ide e multiplicai-vos 🙂

 

Fernando Caeiro é pai de 4 crianças (3 raparigas e 1 rapaz) e autor de As crianças são muito infantis.
Histórias verdadeiras, ficcionadas e vice-versa. Cheias de amor, humor e sarcasmo passadas dentro de uma pão-de-forma imaginária.

Carrinha Sweet Caos

A segunda melhor Mãe do Mundo.

A família da minha Mãe tem um forte legado na agricultura e na cultura de plantar e colher da terra o que se precisa para viver.

Durante muitos anos, esteve afastada desse mundo mas, por muito que se tire a rapariga dos Foros de Almada (perto de Santo Estêvão, Benavente), não se tira os Foros de Almada da rapariga. Voltou à origens, voltou a meter as mãos na terra, voltou a criar e, com isso, voltou a viver.
“A horta e os animais são a minha casa. Não preciso de mais nada”, diz ela. E não só diz como o mostra e vive todos os dias.

Mãe GalinhaQuando voltou às tais origens, teve de reaprender uma data de coisas e aprender umas quantas outras. O processo de tentativa e erro foi duro mas, por cada rebento que nascia forte e sobrevivia, a expectativa e a esperança de estar no caminho certo crescia.

E foi o descalabro, o caos.

A minha Mãe, sendo Mãe e possuindo um coração de Mãe gigantesco, simplesmente não era capaz de, por exemplo, plantar meia dúzia de alfaces para comermos. Não. Eram 50. Couves? Dez metros de rebentos plantados. Alhos franceses? Dezenas. Era tudo muito. O prazer que tinha em cuidar das coisas e em as ver crescer quase que a viciava a fazer mais, a plantar mais, a tentar mais, a conseguir mais. Não dávamos conta do recado (há limites para a quantidade de alfaces que um pessoa consegue comer por dia) e ela queixava-se, como boa Mãe que é, que nós não comíamos nada, que não gostávamos das coisas dela, que andava a trabalhar em vão. Claro.Mãe Galinha

Sendo eu filha de minha Mãe e tendo eu sangue de pessoas que passaram as vidas de mangas arregaçadas, decidi mostrar ao Mundo o que  que a filha de seareiros andava a fazer enquanto o resto do mundo se preocupava com tudo menos com a altura em que os pintos da galinha amarela iriam nascer (por exemplo).

Criei a Mãe Galinha e ofereci-me para levar as coisas boas que a minha Mãe produz até casa das pessoas. Agora, quem quisesse, podia provar tudo o que a minha Mãe criava e deliciar-se com os sabores de antigamente.
Hoje em dia, uns anos depois e com muita aprendizagem pelo meio, é com enorme orgulho e muita vaidade que percebo o que a minha Mãe realmente faz e o seu grupo de fiéis consumidores percebeu no imediato – mimo. Eles perceberam que o facto de haver quem vá para a terra trabalhá-la de sol a sol só para ter os alimentos mais saudáveis possível é algo que, hoje em dia, rareia. Eles perceberam que quem faz o que ama, só podia ter resultados que todos adoram.

Ela planta physalis porque sabe que a filha da J gosta muito. Ela escolhe melhor as beterrabas porque sabe que a Mãe da E as adora. Ela tem especial cuidado com os morangos porque sabe que morangos com aquele sabor são uma raridade e que todos os adoram. Ela ata as folhas de couve com cordel porque assim é mais fácil de arrumar no frigorífico. Ela colocou um aparelho de ar condicionado na casota dos coelhos porque sabe que têm mais calor que os outros animais. Ela separa e trata nas palminhas as galinhas que fiquem chocas. Ela trata logo da saúde a galos que sejam mais violentos e ataquem os outros animais (e se a atacarem a ela, é certinho direitinho que em breve haverá galo estufado ou assado no forno…). Ela corta os talos maiores porque sabe que as pessoas preferem as folhas suculentas. Ela faz a colheita pela fresca, quando o sol ainda mal nasceu, porque é quando a Horta está mais bonita e os seus produtos mais vistosos. Ela planta batata doce porque sabe que há muitas pessoas a pedirem e fala com a vizinha para saber se pode apanhar a fruta quando estiver em época porque fruta faz bem e todos deviam ter acesso àquela em particular por ser tão boa.

Mãe GalinhaA minha Mãe, a Mãe Galinha, tem asas que aninham dezenas e dezenas de pessoas, que as confortam e enchem a barriga com coisas boas. Para cada um de nós, a nossa Mãe é sempre a melhor Mãe do Mundo (a minha é!). Mas esta, a Mãe Galinha, é a segunda melhor Mãe do Mundo sem dúvida alguma.

Sónia (Filha da Mãe Galinha)

Podem conhecer melhor esta Mãe Galinha aqui.

Esta alegria (tremenda) que é ser pai de uma menina

Começo por esclarecer que este texto é dedicado a todos os pais de meninas.
Por isso, não espantará que tenha escolhido para o título aquilo que escolhi.

Assim, posso dizer com segurança que ninguém se deve iludir quanto à escolha do título.
Ou seja, se o acaso nos tivesse presenteado com um rapaz, hoje seria igualmente hiper feliz e um pai extremamente babado, escreveria textos sobre isso, e tudo o mais, mas a grande verdade, e quem me conhece bem sabe isto ou se não sabe talvez se lembre, é que sempre quis ter uma menina! Sempre. Daí que quando soube da notícia tenha literalmente explodido de felicidade e exultado pela maravilha com que a vida tinha acabado de me brindar. Foi uma alegria tremenda esta de ser pai de uma menina.

Não sei se fui influenciado pela história que a minha mãe me contou desde sempre e que terminava com a “pobrezinha” a julgar que tinha dado à luz uma Inês quando afinal tinha acabado por lhe sair na rifa um Martim, com tudo o que isso implica e que não é coisa pouca.

(Vicissitudes de não se saber o sexo do bebé enquanto ele está na barriga da mamã)

O que sei de cor é que sempre gostei mais de meninas do que de meninos. Isto pode não querer dizer nada, mas também pode querer dizer muito. Redondo mas intencional.

Sempre tive mais “melhores amigas” do que “melhores amigos”.
Talvez se possa igualmente justificar por ter crescido rodeado de tias e com uma ligação muito forte à minha mãe, com quem vivemos sozinhos (eu e o meu irmão) durante muitos anos, não sei ao certo, mas também não interessa muito para este pequena rábula.

Quando comecei a pensar que um dia gostaria de ser pai, foi sempre para ser pai de uma menina. Nem sequer ponderava a hipótese de sair um menino. Tinha a convicção plena de que a sorte me iria agraciar com aquilo com que sonhava há muito, em particular desde que casei.
Quando era mais novo (comecei ainda com 17) fui animador de campos de férias durante algum tempo. E, à data, na viragem do século, no início do milénio, tínhamos sempre de começar o período de formação pelos mais novos, pelos pequenotes com 6, 7, 8… por aí. E assim foi. As minhas meninas eram as “minhas princesas”. Fazias-lhes penteados. Ia dar-lhes um beijinho de boa noite. Contava-lhes histórias. Ajudava-as a escolher a roupa para o dia. Tudo. Tratadas como pequeninas princesas que eram na verdade.

Depois o sonho foi-se alimentando sozinho.

Pai de uma menina
Sempre sonhei com isto de ser pai de uma menina. De ter a minha própria princesa depois de tantos anos a “adorar” as princesas dos “outros”. Queria muito ter a sorte de a ver crescer. De a pentear. De lhe mudar as fraldas. De a adormecer no meu colo. De lhe dar banho e secar o cabelo. De escolher a roupinha e os ganchos (embora não o faça tantas vezes quanto gostaria), tudo a condizer… ah, claro, e as fitas para o cabelo, tremendamente importantes. Tudo. Não pode falhar nada. Afinal de contas estamos a falar de uma princesa que um dia destes reclamará o seu trono natural de rainha e eu depois não sei o que faço à minha vida. Entretanto já realizei e continuo a realizar diariamente toda uma série de sonhos que alimentei durante anos. E isto é suficiente para me deixar perceber como é linda a vida!

Sou pelas palavras. Sou incondicionalmente pelas palavras e pela magnífica e magnificente arte de as ordenar para dar sentido à (minha) existência.
Amo a escrita e as palavras quase tanto como amo a vida. E penso. Penso muito. Gasto, para não dizer que perco, muito tempo a pensar nas coisas. E penso em texto. Em frases. Em vírgulas e pontos. Em encadeamentos e na materialização de tudo o que são pensares e reflexões e ideias e sensações e tudo o mais. Sinto-me um privilegiado exactamente por isso. Por poder e conseguir escrever sobre muitas das coisas que me passam pela cabeça. Por ter a sorte de conseguir neste amontado de coisas encarreirá-las da forma como quero e idealizo.

E isso traz-me até aqui. Até à partilha. Até à sorte de ser convidado para falar sobre uma coisa tão incrível e tão grande como é a paternidade. E o tempo que vos podia continuar a falar disto multiplicar-se-ia pela vontade que tenho de falar disto com seja quem for que tenha a ousadia e a paciência de me ouvir ou ler a falar sobre isto.

E porquê? Porque nada disto faz sentido se não for partilhado com outras pessoas que possam estar a passar pelo mesmo processo. Pelas mesmas alegrias. Pelas mesmas dúvidas e incertezas e, mais do que qualquer outra coisa, pelo mesmo tipo de sensações que tantas vezes acabam por morrer na surdina dos pensamentos que se envergonham quando chega a hora de saírem à rua. Porque é difícil, se é.

E acreditem que há momentos de particular dificuldade, de angústia, de sofrimento, de desespero. Momentos em que tens de tomar decisões, em que tens de agir, rápido, sem tempo para grandes reflexões, grandes pensamentos, nada. É instinto. Puro. E, regra geral, quando amamos alguém da forma impossível e incomparável como amamos os nossos filhos, acertamos quase sempre.

Confiem. Acreditem. Partilhem. Perguntem. Sonhem. Alcancem. Encontrem. Comentem. Contem. Relatem. Descrevam. Aprendam. Esqueçam. Perdoem.

Vejam para lá da natural condição de pais. Sim, de pais. Este texto é para vocês.
Aprendam a ver para lá deste incrível privilégio que temos e que se traduz na possibilidade incrível de poder moldar e esculpir num outro ser humano a nossa vida, ou a ideia que temos da mesma. Ser mãe é único. Incomparável. Inigualável. E isto é indesmentível e indiscutível. Mas ser pai é e tem de ser visto da mesmíssima forma, sem qualquer tipo de comparação pretensiosa com o insubstituível papel que a mãe representa na vida de um(a) filho(a).

A vida é isto tudo. Não percam tempo. Vivam-na. Mimem e acarinhem os vossos filhos. Qualquer criança que sente o amor dos pais é – e esta afirmação é incontestável – uma criança feliz. Como pai não posso querer mais. Isto e saúde e tenho a vida no sítio certo. Na hora certa. Com as dificuldades que isso acarreta, mas com a certeza de que o caminho é por aqui.

Martim Mariano atualmente desempenha as funções de gestor de redes sociais no Grupo Impresa. É jornalista. Blogger nos tempos livres. Escritor. Filho. Marido. Pai. Irmão. Papéis muito distintos mas que vão sendo norteados por uma coerência transversal a todos eles. A autenticidade.
Não gosto de dormir mal. Gosto muito de ler. Escrever é vício. Viver é prazer. Ler é descansar os olhos e aquecer a mente. Co-autor do blog Agora Nós os Três, e autor do blog O Que Dizes Tu?! Escreve porque, diz, não sabe fazer mais nada a não ser isto e amar a família que construiu.

Mãe, vais morrer?

Para quem não sabe, tornei-me insuficiente renal há 3 anos e nessa altura tive que tomar a decisão de como iria conviver com a minha doença e o facto de ser mãe na altura de um menino de 5 anos.
Na altura o choque foi seco, não houve grande tempo de raciocinar sobre tudo o que estava a acontecer, mas havia algo ou alguém que me obrigava a tomar decisões rapidamente e tentar acertar o melhor que podia.
Não é fácil explicar a uma criança de 5 anos que a mãe está no hospital, vai ficar lá, que tudo vai mudar a partir dali. Mas o meu marido, com tudo o que estava a acontecer, conseguiu fazer o mais difícil e da melhor forma. Tendo todo o cuidado do mundo, claro, ele explicou ao filho de igual para igual, tudo o que estava a acontecer, sem esconder nada.

Explicou que os meus rins tinham parado, que iria passar algum tempo no hospital, que iria vir para casa e que as coisas iriam mudar.
Não explicou ao pormenor, mas deu a ideia e deixou que ele fizesse as suas perguntas. O que o meu marido conta que ele até reagiu bem, mas depois quando iam no carro ele quebrou e chorou. Normal! O meu marido parou o carro e consolou-o! O primeiro dia tinha sido superado, o mais difícil passou!

Isto para chegar a como eu consegui ultrapassar esta situação junto do meu filho.

Posso dizer que o que me salvou a vida foi o facto de ser mãe, na altura todos os pensamentos iam para o Luís, o meu filho.

A preocupação constante como ele estava, como estava a reagir, o que isto o ia afectar e como eu não lhe queria estragar a infância, dava-me forças. Eu não podia desistir e tinha que manter a normalidade ao meu filho. E isso foi-me dando forças para enfrentar tudo, mesmo nas alturas que já não as tinha.
Quando regressei a casa, apercebi-me que tinha uma criança muito curiosa e que queria saber tudo sobre rins. Tentei explicar tudo, decidi nunca esconder nada. Tentei ao máximo simplificar as respostas, algumas difíceis, mas fui com o tempo apanhando o jeito.

Mas houve uma pergunta a qual nunca esqueci, a derradeira pergunta, aquela que assombra qualquer pai e que é a mais difícil de responder:

– Mãe, vais morrer?

Acreditem que ainda hoje me custa relembrar o momento, as lágrimas correm-me sempre quatro a quatro, cada vez que o faço. No primeiro minuto, não consegui dizer nada, apenas olhei para a carinha de olhos esbugalhados à espera de uma resposta. A única coisa que eu pensava, era o que lhe ia dizer, como dizer e como evitar que aquilo o assombrasse.
Guiada pelo meu instinto e sem saber o que estava a fazer, apenas respondi

– Sim, a mãe vai morrer um dia, porque todos morrem. Mas eu não sei, quando vai acontecer! Nunca sabemos, mas é natural! É a vida!
– seguida disto veio claro, várias afirmações de: eu não quero que tu morras, não quero ficar sem ti.

Eu ouvia as palavras saírem da boca dele e a única coisa que eu queria era chorar, mas não podia, estava decidida a fazer daquela conversa, algo leve, algo natural e simples.

Então expliquei-lhe que mesmo que um dia eu morresse eu iria viver sempre no coraçãozinho dele, que iria sempre estar com ele, que nunca sairia do lado dele e que bastava ele lembrar-se de mim que eu iria estar ali.
Foi então que me perguntou quando se me podia ver e eu respondi:

– Olhas para o céu e a estrela que estiver a brilhar mais, sou eu! Mas se fechares os olhinhos e me recordares, já sabes que eu estou perto de ti!

Conversámos mais um pouco sobre o assunto e respondi a tudo o que perguntou, não recusei nenhuma pergunta. Tentei minimizar o que podia, mas tentei também ser realista.

Queria um filho preparado, queria e quero protegê-lo até depois da minha morte, porque ninguém vive para sempre, nem os pais. É o meu dever!

Depois desta conversa, houve mais algumas. Era normal! Tinha sido uma grande alteração nas nossas vidas e tanto eu como o meu marido tínhamos decidido que para ele o melhor seria contar-lhe tudo e nunca esconder nada. Ele era e é uma criança muito pragmática, tinha de ser assim com ele, impossível de outra forma.

Hoje olho para ele e penso que tomei a melhor decisão. O Luís é uma criança feliz, com a sua inocência de criança, muito esclarecido nestas coisas de saúde. A morte para ele é algo natural, algo que faz parte da vida. Já não fala no assunto, pois está esclarecido e não tem questões.
Na altura a forma como eu queria conduzir a minha vida e conviver com a minha condição foi-me ensinada pelo meu filho. Eu tinha de viver e não sobreviver e como mãe devia-lhe isso! Somos felizes!
Muitas vezes escondemos o problemas às crianças, para protegê-las, pois achamos que não sabem lidar, não estão preparadas. Mas, a verdade, é que são mais fortes do que aquilo pensamos.

Paula Almeida, mãe de um pirata muito feliz! A vida fechou-lhe uma porta, mas abriu-lhe várias janelas. Autora do blog PadaandLuda