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Convidado Sweet Caos

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Há algumas semanas fiquei desempregado.

Perder o emprego é stressante. Preocupas-te com a tua família. Duvidas das tuas capacidades. Preocupas-te com o dinheiro. Afinal de contas, tens um filho para criar.

O meu recém-terminado desafio profissional correu tão bem ou tão mal, que logo na semana seguinte recebi 3 ofertas de emprego. Assim. Out of the blue. E das boas. Mas como não há bela sem senão, todas elas fora do país.

Que fiz?

Recusei sem hesitar. E agora pensam vocês: “Que grande besta. Recusa empregos super bem pagos em NY”. Verdade. Fi-lo. Guilty as charged. Fi-lo e fá-lo-ia de novo, por uma simples razão: o meu filho. Não há dinheiro que compense o facto de não poder estar com ele diariamente. Ou quase. Lirismo? Talvez. Romantismo? Provavelmente. E uma monstruosa dose de egoísmo, pois custar-me-ia tanto ou mais a mim estar distante do que a ele.

“Mas algo há-de surgir em Portugal. A economia está a crescer! Há tanta empresa tão boa, todos os dias surgem novos negócios. Tu tens experiência e conhecimento. Tens trabalho feito para apresentar.”

E aqui o Vasconcelos desata a procurar e a concorrer. Ingénuo…

De todas as respostas a candidaturas que enviei, recebi a mesma resposta. Over-qualified. “Obrigado, és um tipo espectacular, tens um CV impressionante, mas… estávamos à procura de alguém mais júnior, mais jovem, tu entendes [inserir aqui uma série de estrangeirismos cool e cenas]” ou “Adorávamos ter-te na nossa equipa, mas infelizmente não temos budget.” [Eu aqui leio alguém baratinho, de preferência elegível para algum programa do IEFP]. Se calhar, se incluir na carta de apresentação o termo “mature”, esta malta achará mais piada.

Tudo isto para dizer o quê? Para dizer que estamos num país/mundo que obriga as pessoas a afastarem-se dos filhos para os poderem criar. Ou a afastar as crianças da família pela mesma razão, sejamos trabalhadores da construção ou executivos de topo. Eu tenho a sorte de ainda ter uma “almofada” que me vai permitindo continuar à procura de emprego de forma mais ou menos tranquila; há quem não o possa fazer. Há quem esteja pior. Conheço vários casos. Todos conhecemos, infelizmente. Em qualquer dos casos, não é justo. Não é justo para os pais, para as crianças, as famílias, ou sequer para o país.

Não, não pretendo um emprego perfeito, com salário milionário e à porta de casa. Pretendo, sim, um emprego que me dê algum gozo e permita não me preocupar em esticar o dinheiro até ao final do mês e, ao mesmo tempo, desfrutar da paternidade.

Bem vistas as coisas, se calhar peço algo bem mais difícil que um simples emprego milionário…

Vasco Vasconcelos

Pai com uma mente curiosa trabalha na área do marketing e das redes sociais. Sigam o Vasco no Twitter – @vascocv

Mimos

É meu. É meu meu meu. Mordo-o quando me apetece. A sério que sim. Nas bochechas, no pescoço, nas lindas roscas dos pulsos. É meu e ninguém tem nada com isso. Se ando com ele ao colo? Claro. Não o incomodo a perguntar se sabe caminhar, diz-me a experiência científica, feita de observação, que por mais que eu insista ele não se vai levantar. Mordo-o quanto baste, dou-lhe colo sempre que pede ou a mim me faz falta, sendo poucos os minutos que sobram desta equação. O mais novo tem três meses a irmã vai fazer quatro anos. Aplico as mesmas regras com pouca distinção, só mesmo o colo é que, por questões físicas, não suporto por tanto tempo. Mas até me esforço bastante.

Serão mimados todos os dias, cada dia mais, com carinho e atenção (que em dias de maior cansaço falta, e depois é preciso acumular para ressarcir as crianças dos cuidados indevidamente perdidos, porque um filho não se contenta com alguma atenção, quer toda e é devida).

E brincar. Num mundo perfeito eu não voltava a trabalhar para poder passar os dias em brincadeiras com eles. Provavelmente ficava cansado ao fim de algumas horas, e a clamar por algum tempo de trabalho. Mas essa experiência é necessária, porque todos os dias pais e mães tem a experiência oposta: vinte e quatro horas de trabalhos e uma noite de sono, se a matemática o permitisse, para sonhar com horas de brincadeira com os filhos (a matemática e a razão nada querem com as relações de amor, e só isso explica como conseguem alguns pais fazer tanto com tão pouco).

É urgente amar, acarinhar e mimar. Precisamos de crianças livres, amadas e mimadas, muito mimadas. Eu quero que os meus filhos sejam mimados, porque é que a palavra adquiriu uma conotação negativa? Precisamos de adultos mimados e amados, chega de macambúzios de semblante carregado de sinais de indiferença. O meu filho não precisa de aprender a chorar, precisa de saber que quando ele precisar, e seja qual for a razão, eu estarei lá para o pegar ao colo, tenha ele três meses ou trinta anos.

Charles Manson, Jack the Ripper, Adolf Hitler, Josef Stalin, Lucky Luciano, Jesse James, Timothy McVeigh ou Aníbal Cavaco Silva, já li biografias de todos e em nenhuma consta uma frase sobre o excesso de mimo e carinho recebidos na infância.

Paulo Couto

22 Março 2017

Paulo Couto é pai da Olívia e do Xavier, é empresário e realizador com alma de viajante.

Os créditos da foto são da Marta Marinho, mulher do Paulo e excelente fotógrafa. Vejam aqui o trabalho da Marta!

Não há um manual de como ser pai!

Há pouco mais de quatro anos, tornei-me um pai. Após nove meses de gravidez eu deveria estar preparado, certo? Errado. Independentemente da tua profissão – construção, atendimento ao cliente, negociação de reféns – paternidade é o trabalho mais difícil que existe.

Nos anos anteriores à entrada de cena do Francisco, eu preocupava-me comigo mesmo, o que, nos dias de hoje, é provavelmente normal para alguém de 20 ou 30 e poucos anos de vida.

Tornar-me um pai mudou-me. Todos disseram que assim seria. Toda a gente me disse que tudo seria diferente. “Dorme agora”, disseram … “Sai agora”, disseram eles. Eu estava preparado para as mudanças superficiais (nunca fui muito de sair, de qualquer forma). Para o que eu não estava preparado era para pontapé emocional em cheio nos queixos que a paternidade te dá.

Podem vasculhar as prateleiras marcadas como “paternidade/maternidade” em qualquer livraria e encontrarão uma infinidade de livros sobre a paternidade. Podem pedir conselhos aos vossos pais, mães, tias, primos e amigos; mas independentemente de como nos preparemos para a viagem, a paternidade é algo que só se conhece depois de experimentar em primeira mão.

Os livros podem dar-vos uma ligeira vantagem, mas as palavras numa página não dizem o que sentes quando o teu filho chora horas a fio com cólicas; quando nascem os primeiros dentes; quando fazem cocó no chão, durante a transição para o pote. Livros não dizem como reagir quando a tua criança faz uma birra monumental no supermercado, apenas porque sim.

Sabem porquê? Porque não há uma maneira certa, uma fórmula.

Paternidade traz grandes momentos de auto-dúvida. Como um pai que durante alguns meses ficou em casa, às vezes eu sentia-me numa ilha. E nem sempre podes confiar num livro para te dar a resposta. Costumo refletir sobre o pai que sou e pergunto-me se estou a fazer a coisa certa.

O ponto aqui é que podem ler tantos livros quanto quiserem e conseguirem (tempo livre é algo que rareia quando se é pai de uma criança pequena), que vocês nunca estarão realmente preparados, e não há mal algum nisso. A paternidade é uma daquelas coisas que se vai aprendendo à medida que se vai andando.

Eu confio em ter sido criado com uma boa bússola moral e valores sólidos, que serviram e servem como uma fundação, para me incentivar e guiar-me a tomar as melhores decisões (longe de mim dizer que sou perfeito, ok? Não sou. De todo). Será que as decisões vão ser sempre as mais acertadas? Não. E está tudo bem.

 

Nota do autor: apesar de tudo, ser pai é o melhor que me aconteceu e a experiência mais maravilhosa (e difícil) que já enfrentei. Por mais birras, choros, dúvidas, corridas para as urgências a meio da noite, um simples sorriso, abraço, uma nova competência ou graçola do Kiko fazem com que tudo isso fique para a traz e valha completamente a pena. Pensemos: se assim não fosse, a raça humana estaria extinta há milénios. Sim, sou um pai babado e a gargalhada do meu filho é o que mais feliz me faz neste mundo.

Vasco Vasconcelos

 

Obrigada Vasco pela partilha e um grande beijinho ai para casa, principalmente ao astronauta-jedi Kiko!  😀

 

Não sou Jedi, mas adoro ser Pai!

O Neo da parentalidade

matrix

Filha,

Estás quase a fazer dois anos, o dia do teu nascimento foi algo que desfrutei a cada segundo como quem se delicia a comer a sua fruta preferida sem que se importe do que podem pensar do seu ar de satisfação ou figura, julgo que devem ser privilégios concedidos por ser pai pela segunda vez. Do teu irmão, quando me apercebi da sua existência como ser humano neste mundo já tinham nascido os dois dentes da frente e já apareciam as primeiras febres e até já se aventurava em gatinhar a casa toda.

Contigo foi totalmente diferente, a preparação foi milimétrica, tudo tinha bateria carregada, desde que tirasse fotografias ou gravasse vídeo, só não levei tripés e luzes porque me pareceu exagerado, mas também julgo que a tua mãe não iria achar piada. Tudo ocorreu com normalidade e tu começaste a tua jornada das primaveras, os dias passaram a ser semanas e as semanas rapidamente passaram a ser meses.

Ao longo desse tempo sempre tentaste enganar-nos com as tuas manhas de bebé, mas filhota, eu sou o Neo a desviar-se das balas, tu ainda estavas a pensar fazer das tuas e já estava eu pronto para resolver a situação. Ter esta capacidade fez com que desfrutasse mais estes dois primeiros anos, que para te ser sincero, não são os meus favoritos no que toca a bebés, mas um dia explico-te porquê.

It’s a new dawn, it’s a new day

nina
Tal como a Nina interpretou a música que dá titulo a este segmento, também eu sinto que ninguém me pode tirar este momento que está começar filha. Sim a começar minha pipoca.

Até aqui foi garantir que não te aleijas, que comias a horas, que não tinhas a fralda cagada, que dormias bem, mesmo que isso implicasse que eu não. Mas a partir de agora, está a começar.

É a partir de agora que começas a dizer mais que uma palavra que se entenda, já começas a conjugar essas palavras e a fazer micro frases. Já tens noção de quem te rodeia, não pelos nomes, mas por Pai, Mãe, Mano, Gato, Panda, “ó-ó”. Já sabes que ando de mota e vês-me, do alto da tua janela, a passar na estrada dos “Pópós” como os gostas de chamar. O som de uma mota desperta em ti uma alegria imensa, quando me despeço de ti dizes “xau”, quando pergunto onde vai o mano, respondes sem hesitar, “cola”.

O mundo começa a apresentar-se divertido para ti, tens um espírito aventureiro, sobes cadeiras como quem sobe uma montanha, arriscas brincar com o “gato” quando sabes que te vais aleijar. Corres mais que o Bolt mas cais no segundo a seguir com a graça de uma pétala, choras como se o teu coração estivesse despedaçado para de seguida dizeres duas palavras, “Pai, cola.”. O meu colo é o teu porto seguro, sabes que nele tudo passa.

Adora esta fase, adora tudo nela, as tuas birras, as tuas manhas alegres, a tua perceção do outro e saberes que podes brincar culpando-o dos teus erros, inocentes. Gosto quando és a minha sombra mas adorei mais quando tinhas medo da tua. Adoro não ter 5 segundos de silêncio e os filmes serem vistos em bocados de 30 segundos com pausas de 10 minutos. Adoro quando dizes “banho” quando chego a casa de um dia de trabalho, já sabes que te vou dar banho. Detestas que te ponha água nos olhos, ficas aflita, mas com mais algum treino ficas apta para fazeres apneia em alto mar.

Adoro esta fase, adoro estes momentos.

May the force be with you

force
Como disse à tua mãe no dia do teu nascimento, se não fossem as mulheres, já estávamos extintos à imenso tempo. Eu acredito que tu vais honrar todas as mulheres que antes de ti andaram neste mundo e que servirás de exemplo para as vindouras, sinto isso, não me perguntes porquê, simplesmente sei. Vejo em ti uma força diferente, vejo que és destemida, curiosa, “móza” como tu te chamas quando te pergunto o que tu és, respondes sempre “móza”. Continua assim, teimosa.

Vais entrar na fase de descobrir e falar imenso, vais perguntar muitas coisas, vais querer ainda mais atenção. Vou estar aqui para isso, sei que até aos 5/6 anos o tempo vai voar e nunca mais vou ter esta oportunidade.

Estou ansioso: por dizeres coisas que me vão fazer chorar a rir, por saber que fizeste algo que ninguém estava à espera, por perceber que tens outro ponto de vista, por teres uma inocência malandra que não consigo resistir. Pega nessa tua força e torna estes próximos anos inesquecíveis, porque os dois que passaram já deixam saudades profundas e a lagrima a escorrer pela cara.

Dá-lhe com força que eu vou adorar, não sou nenhum Jedi mas eu aguento, afinal ser Pai é mais difícil.

Pedro Fonseca

Obrigada pelo testemunho Pedro e beijinhos à pipoca 😀

Síndrome de Ansiedade

Desde que me lembro sofro de Síndrome de Ansiedade…

Recordo-me de estar na escola e sentir vários sintomas: as mãos a suar, o coração a palpitar e uma sensação de estar fora do meu corpo.

Naquela altura sentia que era um assunto tabu, talvez devido à falta de compreensão por parte das pessoas que me rodeavam, algo muito comum a quem nunca sentiu na pele este problema. Vi por exemplo, muitas vezes a minha mãe a chorar porque não sabia o que fazer comigo, principalmente quando muitos familiares e a maioria dos médicos a quem recorríamos, diziam que era mimo. Cresci então como a miúda mimada cujas reações envergonhavam facilmente a família.

Como é normal naquela idade eu era uma criança cheia de sonhos e objetivos, mas devido a esta condição muitos deles tiveram de ficar para trás.
Desses sonhos havia alguns que sobressaíam: ser uma mulher independente, encontrar alguém especial – o amor da minha vida, como sempre gostei de dizer – e construir uma família.
Quanto a ser independente, mesmo sendo algo extremamente difícil para quem sofre de Síndrome de Ansiedade, ainda hoje em dia faz parte da minha luta. Mas apesar de todas as barreiras impostas por esta condição, consegui criar o meu próprio negócio, um feito do qual muito me orgulho.
Quanto ao outro, a verdade é que tanto sonhei e desejei que consegui encontrar alguém que me aceita como sou e ainda por cima me admira ao ver como luto diariamente sem desistir, contra os obstáculos que este problema me coloca, como as crises de ansiedade, os pontuais ataques de pânico, etc.
Para conhecer essa pessoa foi preciso a ajuda de um certo passarinho azul muito conhecido por sinal, que nos juntou em pouco tempo. O Twitter!
Apesar de tomar a pílula acabei por engravidar, não tendo a noção naquela altura que certos medicamentos para a ansiedade e depressão ajudam a atenuar o efeito da pílula.
Mesmo sendo uma surpresa inesperada ficamos muito felizes, tendo sido desde logo algo muito desejado!
Após o “carrossel” inicial de emoções entre o choque e a felicidade que esta maravilhosa notícia me fez sentir, dei por mim a pensar na medicação que tomava e no impacto que poderia ter na gestação do bebé. Como é que eu iria eu gerar um bebé e ao mesmo tempo tomar os medicamentos indispensáveis para tratar e controlar o meu problema? – perguntei a mim mesma muitas vezes de lágrimas nos olhos.
Consultei então a minha médica ginecologista que desde logo me encaminhou para uma psiquiatra de forma a se traçar um plano de redução da medicação.

Esta foi uma fase muito difícil porque logo de início comecei a sentir a falta da medicação e fui-me abaixo… Havia dias em que fazia o caminho de casa para o trabalho sempre a falar ao telemóvel para não ter de pensar na possibilidade de ter uma crise de ansiedade.
A intensidade com que vivi os três primeiros meses da gravidez foi muito grande ao ter que ao mesmo tempo reduzir a medicação, – entretanto já noiva – ter que organizar o meu casamento e tratar do processo de compra de casa… Se para uma pessoa que não sofre deste tipo de patologia gerir tudo isto ao mesmo tempo (e em pouco tempo) seria muito complicado, o quanto não o foi para mim.
Com toda esta turbulência acabei por ter alguns pequenos sustos com a gravidez – perdas de sangue, constantes idas às urgências, etc. – tive que saber muito bem gerir os meus níveis de ansiedade e stress, porque sabia que se eu me alterasse quem iria sofre era o bebé. Para isso tentei aprender alguns truques ao nível da respiração e ouvia música para me acalmar e relaxar, mas acabou por não ser o suficiente.
Cada vez mais fiquei “presa” a este síndrome que teimava em dominar a minha vida. As palpitações, os suores frios, a falta de segurança em mim própria e medos como o de perder o bebé ou o de eu morrer, eram cada vez mais uma constante.
Uma vez mais voltei a recorrer às médicas que me acompanhavam, aconselhando-me desde logo repouso absoluto, fazendo também os ajustes necessários na medição que tomava. E para piorar a minha situação a empresa para quem trabalhava aproveitou o fato de eu estar grávida para não renovar o contrato de trabalho, ficando sem emprego e sem qualquer tipo de rendimento.
Isto afetou-me bastante porque como já mencionei, sempre valorizei ser uma mulher independente e jamais me via a ser sustentada por quem quer que fosse.
Foi por esta altura que senti dentro da barriga o primeiro pontapé do meu filho. Senti-lo desta forma fez-me ganhar um novo animo e prometi a mim mesma que não iria desistir de lutar para trazer ao mundo um bebé saudável.
O suporte familiar foi também essencial para o conseguir, e o apoio que tive especialmente do meu marido e da família mais chegada, foi incrível!
A entrada para o último trimestre da gravidez tinha já engordado mais de 20kg, o que me trouxe algumas complicações ao nível da coluna, pernas e nervo ciático, começando a ter dificuldades em caminhar. Por isso foi com uma enorme sensação de alívio – e recordo-me como se fosse hoje – o dia em que ficou marcada a cesariana. A ansiedade de ter o meu filho nos meus braços era muita.
Quando finalmente chegou o dia curiosamente acordei calma e dei entrada no hospital apenas com o meu marido, para evitar a ansiedade dos restantes pessoas, mantendo à minha volta um ambiente tranquilo. Subi para a sala de cirurgia bastante tranquila onde pouco depois iria sentir um alívio enorme nas dores no nervo ciático graças à epidural.
Mal me foi administram a epidural o meu marido entrou e sentou-se do meu lado a dar-me a mão.
Numa questão de poucos minutos ouviu-se um choro de bebé, e ao ver o meu marido lavado em lágrimas de felicidade, caí em mim: Já sou mãe!
Logo de seguida puseram-no junto a mim e num momento muito íntimo por entre uma “chuva” de beijinhos, prometi que iria protege-lo enquanto fosse viva!
Senti desde aquele primeiro segundo como se já o conhecesse desde sempre.
Foi sem dúvida o momento mais feliz de toda a minha vida!
Como todo o processo da cesariana correu dentro da normalidade, não demorei muito em descer para o meu quarto para descansar e partilhar com a restante família – que entretanto foram chegando – este momento de alegria e amor!
Hoje sinto que sou uma pessoa mais completa e confiante, que luta diariamente para que o meu filho cresça feliz e pelo amor que me une ao meu marido.
Provavelmente terei que viver com isto a minha vida toda, e se assim for, que seja… Porque sou muito feliz!!

 

Joana Macedo Silva

 

Queria Joana, muito obrigada pela tua partilha e pela tua coragem! Desejamos-te tudo de bom e que continues a vencer no teu caminho! <3

O parto da bebé mais linda que o hospital de Abrantes já viu!

Fui convidada pela minha querida Bárbara para contar como foi o parto da minha Maria Leonor.
Pois bem, o meu parto…

Vamos voltar ao dia 30 de Agosto de 2014 pelas 21h, que foi quando tudo começou.
Passei o dia 30 de Agosto a subir a descer as escadas do meu prédio porque me tinham dito que ajudava a acelerar o processo, sim, porque eu desde os meus 7 meses de gravidez que estava deserta para que a gravidez terminasse porque toda eu era uma bola com pernas sem joelhos e sem tornozelos.
Por volta das 20h do dia 30 disse ao marido: “Já que a miúda não quer nascer que me dizes de irmos à festa da terra dos meus avós ver os Némanos?” (ehehe)
Claro que ele me ignorou completamente e disse que eu era maluca.

Às 21h em ponto estava na minha cozinha e sinto um liquido quente a descer pelas pernas, sem que eu tivesse qualquer controlo sobre ele!
Vou a passo apressado para a casa de banho e dou de caras com o meu marido sentado na sanita a jogar candy crush!
Sem dizer uma palavra, fico parada a olhar para ele e a apontar para os calções ensopados.

Fomos a voar para o hospital de Abrantes, no caminha avisei os meus pais e só pensava “mas onde raio estão as contrações??”
Chegamos ao hospital e fui sujeita a toda a preparação standard para ter uma criança (devo confessar que meter o cateter do soro foi uma coisa bastante dolorosa).
Até aqui tudo bem, fiquei eu e o Tiago no quarto à espera das bem ditas contrações…
Era meia noite e nada de nada, e dilatação no 2… estava bonita a cena… já só pensava que ia para cesariana porque já me tinham arrebentado as águas há algumas hora.

Por volta das 3h da manhã começam a vir as ditas cujas! Ui! Jesus senhor!
Para mim foi um misto de pontapé nos rins, com murro no estômago e com cólicas ao mais alto nível! (mesmo assim acho que estou  a ser simpática)
O Tiago olhava com muita atenção para o aparelho de registo do CTG, a antecipar cada contração, mas isso não me ajudava muito. Contração vai e vem e dilatação nem vê-la…

Resolvi chamar a anestesista (que devia estar a dormir tranquilamente) para me dar a epidural, para mim não fazia sentido estar a sofrer daquela maneira quando havia algo que me poderia aliviar o sofrimento e tornar o momento do parto mais tranquilo.

Após 3 picadelas na coluna (a senhora anestesista tinha mau feitio quando acordava), lá consegui relaxar, e minhas amigas, a epidural, apesar de parecer que estamos paraliticas, foi a melhor invenção de sempre!!!

Lá consegui adormecer levemente, e foi o bastante para passar de 2 de dilatação para um 8!

Às 8.45 do dia 31 aparece a minha médica, que diz que ainda tinha de esperar um bocadinho.
O Tiago aproveitou para ir beber um cafézinho e deu lugar à minha mãe.

Neste entretanto sou vista por outro médico que vai ver como estava a dilatação e do nada começa a gritar : “ Oh Helena (a minha médica) despacha-te!!! Já estou a sentir aqui a cabeça!!!”
Bom… acho que não preciso de dizer que fiquei em estado de choque com aquelas palavras.

Entre “faz força”, “só mais um bocadinho” , e um médico louco a empurrar a minha barriga, às 9h e 17 minutos do dia 31 de Agosto de 2014 nasceu de parto normal, com 50cm e 3kg750 a bebé mais linda que o hospital de Abrantes viu nos últimos tempos 😀
A sensação de a ter no meu peito assim que nasceu e de a ver a tentar chegar ao meu peito para mamar, é uma coisa que não há explicação! <3

Estivemos 2 dias no hospital e regressamos a casa!

Inês Lourenço Tomé

 

Obrigada menina dos três nomes próprios por partilhares a tua experiência e um grande beijinho à princesa pequenina <3

O nascimento da Julieta!

É com muito prazer que aceitei o convite da Bárbara para falar do meu parto e do nascimento da Julieta. É um momento que me lembro imensas vezes e sempre com um sorriso nos lábios.

Toda a gravidez foi muito tranquila, fiz sempre a minha vida normalmente, continuei a ir ao ginásio. Acho que fiz spin até ao oitavo mês. E só parei porque o meu marido sofreu um acidente, partiu uma perna, foi operado e como tal as coisas complicaram um pouco.
Foi um valente susto o acidente mas mesmo assim a Julieta manteve-se tranquila cá dentro.

Na altura não sabíamos ser uma Julieta porque não quisemos saber o sexo da criança, queríamos deixar essa emoção para o parto.

Aos 8 meses e meio acabei o que tinha a fazer no trabalho e comecei a trabalhar mais por casa para dar assistência ao meu marido, mas todos os dias a minha caminhada de 5/6 km estava assegurada.

Os dias foram-se passando e a Julieta não dava sinais de querer sair, mas estava tudo bem com ela.
Chegamos às 41 semanas, a minha obstetra ia de férias mas eu não queria induzir. Queria um parto normal e que fosse a minha filha(o) a dizer quando estava pronta.
Eu sou investigadora em ciências biomédicas e na minha opinião o corpo humano é uma coisa fantástica, que tem o seu tempo e que nós efetivamente ainda percebemos muito pouco. Fui contra a minha obstetra e às 41 semanas não induzi, esperei…
Tive ajuda da enfermeira Isabel Ferreira da Gimnogravida (enfermeira parteira) que me examinou e viu que estava tudo bem. Ajudou-me também a perceber que é normal. Uma gravidez são 40 semanas (+/- 2) o que quer dizer que efetivamente pode ir às 42 semanas.

Continuei a caminhar e a esperar.
Já quando estávamos a decidir em que dia iríamos induzir na madrugada do dia 14 de Agosto (41 semanas e 6 dias) acordo cheia de dores nas costas (já me tinha sentido assim antes de me deitar). Sinto uma cólica e pelas 5h apercebo-me que é hora, as contrações estavam a começar. E estas realmente não deixam duvidadas, começaram em cheio!
Olho para o relógio e elas vinham já de 5 em 5 min.

Como o meu marido não podia guiar ligamos ao meu cunhado que chegou rapidíssimo, ainda antes de eu conseguir meter as poucas coisas que me faltavam na mala, uma vez que já tinha pouco tempo em que me conseguia mexer entre uma contração e outra.

Fomos para o Pedro Hispano (foi o hospital que escolhemos uma vez que estão já habituados a partos naturais e as referências que tínhamos eram muito boas).
Chegamos ao hospital as 7h e fui logo vista por uma enfermeira que disse que ia nascer.
Fomos para a sala de parto, o meu marido entrou e as 7:30h a minha filha nasceu. Foi um momento fantástico, muito rápido e lindo.

Se doeu? Sinceramente não me lembro da dor. As contrações doeram sim, mas já tive dores muito piores.

A alegria de sentir a minha filha a nascer, de sentir realmente, de ser eu a fazê-la nascer, muita!

Ela foi colocada no meu peito, deixamos pulsar o cordão umbilical, fui eu quem o cortei.

De seguida tive uma descarga de adrenalina enorme, tremi durante cerca de 20 minutos mas estivemos sempre os 3 juntos.
Quando me acalmei vestimos-la e ficamos ali a aproveitar o momento. Foi mágico!

 

Ligia Tavares

Obrigada pela partilha Ligia, acabaste de restaurar a fé nos partos 🙂
Muitos beijinhos a todos  em especial à Julieta!

O parto ou como ser super-mulher por umas horas!

Fui à revisão. 6 semanas depois e lá estava eu para ver como estavam as minhas entranhas pós-parto e falar de planeamento familiar. Fui à revisão. E no dia anterior passei em revista o parto, este meu último parto. E fiquei um bocado afectada. A memória ainda está fresca, ainda cá andam muitas sensações daquelas horas.

O meu bébé parecia que ia ser grande. As máquinas e os técnicos diziam que sim, que as medidas da cabeça, do fémur, da barriga do cachopo faziam prever um bebé de 4kg. E como eu já tinha tido uma cesariana prévia, tinha assim indicação para outra. Mas hoje em dia quando se fala, ouve ou pensa na palavra cesariana dentro da maternidade, parece que estamos a pecar, a cometer um crime ou o caraças mais velho, tal é a pressão para reduzir o número de cesarianas. A gente ouve isso nas notícias, mas não me venham com coisas, também se sente pelos corredores e gabinetes da maternidade.

Esta jovem esteve a um passo de ser entrevadinha, pois que tem espinha bífida oculta que só descobriu quando, uns anos depois de ser delegada de informação médica, papar muitos quilómetros de carro e ter dores horríveis de costas, fez um RX e descobriu a bendita condição espinal. Ora, esta coisa coloca a epidural numa miragem, numa possibilidade que na realidade não existe, porque, apesar de ser compatível, das duas vezes nenhum anestesista se quis atravessar à frente dela para me dar a epidural. E deixam a decisão na mãe, ali, tapada com uma bata fina, a tripar com dores, vulnerável e com muito pouco neurónio a funcionar em condições. No parto das meninas fui ao engano, crente que haveria um anestesista capaz. Mas não. Um parto à antiga, sem epidural, cheio de dores, mas como a cachopa era pequena (a outra depois nasceu por cesariana…uma aventura, o nascimento das gémeas) nem me custou muito a fase da expulsão. Desta vez, voltei a ir convencida desse tal anestesista, qual ânsia pelo D. Sebastião, e o dito clínico voltou a colocar a decisão em mim. Ora porra, EU TENHO DUAS FILHAS PARA CRIAR, pá, e parece que vem aí mais um, não posso arriscar complicações!!! E como diz um amigo, parti para a loucura.

Oito horinhas em trabalho de parto sem epidural! Oito horinhas com uns anestésicos que apenas me punham a dormir entre contracções, que as senti todas, todinhas. Bem como todos os toques. É uma violência! É preciso muita capacidade de abstracção para uma mulher não se sentir violentada…devia haver outra maneira para saber em que estado está a dilatação…é tão violento, tantas vezes…e sem epidural…chorei e berrei muito…uma mulher demora muito tempo a esquecer-se desta parte dos toques; como neste artigo, só pensava “meu rico pipi”.

O meu mau feitio veio ao de cima, disse que eu é que sabia o que estava a passar, disse para irem treinar toques para outro lado, e não estava a falar de futebol, implorei carradas de vezes por uma cesariana, gritei muito e só não cuspi em toda a gente porque estava deitada e não tinha poder de alcance. Fui muito má, mas não me conseguia controlar, caneco.

A fase da expulsão foi horrível, dolorosa, caótica, quase que não dava tempo para preparar a cama e a artilharia para o parto. Passo esta parte à frente, porque é mais do mesmo: berros, gritos, dores, por aí.

O Joaquim saíu, chorou imediatamente e senti-me finalmente livre daquele pesadelo. Confesso que foi isso que pensei: “acabou”. Não senti nada de felicidade por ser mãe outra vez…só por aquilo ter acabado.

Puseram-me o meu filho em cima, na barriga…desajeitado. Ele era tão grande (4050 gr) que, naquele momento, escorregou. Deitei-lhe a mão e a primeira coisa que lhe disse, foi “ó filho, porra!”. Muito romântico!

O pai cerejo foi atrás dele, disse que era muito bonito e parecido com a Laura. E eu perguntei “podemos ir embora?”.

Ainda sofri mais um bocado, por causa dos pontos que me doeram cumó caraças…sem epidural (esta gaja, a epidural, há-de ser sempre a minha miragem).

Por isto, custou-me muito ir à revisão. Voltei a reviver algumas das dores…mas vá lá, está tudo bem. Falou-se de planeamento. A loja fechou e tenho que escolher a melhor forma para garantir o fecho. E o sôtor perguntou se tinha dúvidas, eu disse que não e ele disse “é uma mulher sem dúvidas”. “Por acaso não é verdade, costumo ter muitas dúvidas, não sou como o Cavaco”. E do lado de lá dois silêncios de dois médicos internos, talvez por serem muito novinhos, um sorriso ligeiro da médica, talvez por ser próxima da minha geração, e um silêncio cortante do doutor, talvez por estar a entrar em assuntos que não são para ali chamados. Ainda bem que foi no fim da consulta. Eu e a minha mania de ser engraçadinha…

Carla Miguel

 

cerejeinhas3Aqui está uma foto recente das cerejinhas da Carla! As gémeas e o mano caçula <3

 

Este texto foi partilhado originalmente no Blogue da Carla.
Um blogue que adoramos e recomendamos e onde aprendemos imenso por isso ficamos muito felizes da Carla partilhar a história dela também no nosso blogue 🙂 Obrigada e beijinhos ao cerejal!

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Manas L e duas experiências tão diferentes!

1ª experiência – LEONOR

Tal como a Bárbara eu tinha horrores ao parto e adiei a maternidade por 5 anos, até que cheguei aos meu 30 anos e disse para mim, ou é agora ou nunca… E foi, engravidei da Leonor.

Quando soube que estava grávida, fiquei tão feliz que nem me lembrei que ela tinha de sair passados 9 meses (ui que medo).
A gravidez foi passando, mas pelas 14 semanas de gestação esta “menina” pregou um susto à mãe, tive descolamento da placenta e “atiraram-me” para uma cama até quase ao fim da gravidez.
Cada vez que fazia uma ecografia a médica dizia-me, cuidado mãe podemos ver algo menos bom, mas eu só dizia: “nada disso Dra. este bébé vai nascer lindo e saudável, eu sinto”, e assim foi.

No dia 11 de Setembro de 2011 estava eu sentadinha no sofá a ver as notícias sobre o que se tinha passado no atentado do 11 de setembro, quando fui ao WC fazer xixi e, ui o xixi não parava de sair, corri para a sala pedi ajuda ao pai dela e lá fomos para a maternidade, cheguei lá perguntei à enfermeira: “já posso ir para casa? já parei de fazer xixi e só tenho parto marcado para dia 15 de setembro, até lá ainda me falta comer a minha bola de berlim.”  Resposta da enfermeira: “Nada disso mãe, vamos analisar a mãe e ver os batimentos da bebé e prepará-la para o parto, não tarda nada a rapariga está cá fora!!!”
Entrei em pânico, tal como a Bárbara, também tive as aulas de preparação para o parto mas que não me serviram para nada.
Lá fui eu para a sala de partos e só ouvi a e enfermeira dizer ao pai para ir para casa e que regressasse de manhã.
Passei a noite toda a ouvir gritos de outras mães e eu nada… nada… e nada e só pensava que algo estava errado, todas gritam com dores menos eu, eu não tenho dores e passaram-se assim 17 horas sem dores, sem nada, até que um médico chegou junto de mim, fez-me o toque e disse: “Vamos lá!”! E eu perguntei “para onde?” e ele respondeu: “conhecer a sua filha”.
Disse-lhe que  não tinha dores e estava bem mas o médico respondeu que era por isso mesmo, que a  menina tinha decidido sentar-se e dormir mais um pouco, portanto tinhamos de acordá-la e apresentar-lhe a sua nova vida.
E lá fui eu e ela para o bloco.
Despedi-me do pai dela e fomos as 2.

A rainha Leonor nasceu de cesariana a 12 de setembro de 2011, pelas 14h, com 50cm e 3140kg.
A Leonor chorou, a mãe chorou!
Estava com uma conjuntivite e tinha de ter muito cuidado para não lhe transmitir mas a minha filha era e é perfeita, linda, fantástica e é a minha melhor amiga, pois a Leonor apesar de criança já me apoiou tanto….

Foi um parto fantástico feito pelo Dr. Vitor na maternidade Júlio Dinis, nunca ouvi tantas anedotas durante um parto, posso dizer que o meu foi divertido e que no final correu bem!
A Leonor nasceu numa 2ª feira, passado uma semana eu já conduzia, claro que tive muitas dores no pós-parto, mas sempre aguentei bem, tão bem que passados 28 meses repeti a experiência.

Leonor

 

2ª Experiência – LAURA

Como já disse anteriormente adorei tanto a experiência de ser mãe como a do parto, apesar de tudo tinha corrido tão bem, que passados 28 meses a história repetiu-se mas com algumas grandes diferenças.

Voltei a engravidar e a 24 de janeiro de 2014, com 39 semanas, e parto marcado para este dia, dei entrada pelas 7h30 da manhã na maternidade. Desta vez consegui comer a minha bola de berlim.

Deixei a minha filha Leonor com os meus pais e fui o caminho todo a chorar para a maternidade, pois ia ter outra filha, mas tinha deixado outra que tinha 28 meses.
Quando temos outro filho a sensação de ter outro é boa, mas ao mesmo tempo preocupante, pois eu ia com receio que alguma coisa corresse mal… e deixasse para trás o meu bem mais precioso, a minha filha Leonor.  É mesmo uma sensação muito estranha, não sei explicar, foi um medo que se apoderou de mim,  fiquei muito ansiosa, só queria chegar à maternidade e que a Laura nascesse rápido para eu puder estar com as duas… Desculpem este meu desabafo, mas foi assim que me senti!
Cheguei à maternidade e examinaram-me, certificaram-se dos batimentos cardíacos da minha filha, mandaram-me trocar de roupa e fui para uma cama. Passados 10 minutos chega a médica, apresentou-se disse que seria a equipa dela a fazer-me o parto, fez-me algumas perguntas e após isso, começou o meu terror, desculpem, mas foi mesmo assim um filme de terror que parecia não ter fim… provocaram-me o parto, rebentaram-me as águas…
Em termos de comparação, sabem aqueles espetos de assar os frangos??? Pois foi mais ou menos assim que me rebentaram as águas, primeiro deram-me uma medicação intravenosa, depois vieram enfermeiras e agarraram-me nos braços, depois a médica com dito “espeto” e já está, ai se pudesse naquele momento tinha-me atirado a ela, doeu tanto, mas tanto que eu só pensei magoaram a minha bebe, mas não! Senti-me toda molhada a esvaiar-me toda de água, urina e sei lá que mais, fiz a minha comparação com uma gata a parir.
Eu só dizia, “Dra. eu fiz uma cesariana há 28 meses, não corro riscos, não é melhor fazerem-me outra?” e ela respondeu-me “você é médica? o protocolo diz que só se for inferior a 24 meses, a sra, já passou mais 4 meses”. Pois, pensei eu, ela terá razão.
Trocaram-me a roupa e mandaram-me para o corredor andar, como se eu pudesse, pois se da Leonor não senti dores, da Laura senti e muitas…. Só Deus sabe o que se passou ali…
Andei, andei, andei, conversava muito com o meu pai pelo telemóvel, chorava muito, tinha fome e sede, só queria ver a minha filha Leonor e ter a minha filha Laura nos braços.
Estive a maior parte do tempo sozinha… sentia-me só…. Até que pelas 20 horas me mandam para a BOX, começam a dar a epidural.
“Bolas!” disse a anestesista. Eu estava sentada de cócoras e cheia de dores, mas perguntei, “Passa-se alguma coisa?” Respondeu que sim, que ia doer um pouco porque a agulha partiu!
OK, mais umas dores, mas lá me aguentei. Mandaram-me deitar na cama, medem tensões, os batimentos meus e a da minha filha, dão-me medicação, sei lá mais, que me fizeram, até que me levantei e disse: “Estou aqui desde as 7h30 da manhã, já passam das 20h e a minha filha não nasce, o que se passa???”
Lá vem a médica, mais medicação, só que desta vez acho que foi para me acalmar. Estava sozinha numa sala que parecia o inferno, acho que estava tão anestesiada que  deixei de sentir as dores. Apanhei uma infeção, ganhei febre e a minha filha não nascia…. Só pensava na minha outra filha que tinha ficado com os meus pais.
Fiz a dilatação toda, e não só… eram meia-noite, tinham mudado de equipa, entrou uma médica para me ver e só me lembro dela começar a gritar e a pedir ajuda, a minha filha tinha entrado em sofrimento, pois ela queria sair, mas eu não estava a ajudar muito, tinha as contrações no máximo, mas não sentia nada, nem as dores.
Lembro-me da médica e dos enfermeiros, acho que contei para aí 12, de repente a sala ficou cheia a médica empurrou (acho eu) a Laurinha para cima e fomos a correr para mais uma cesariana. era 1h39 da madrugada do dia 25 de janeiro de 2014, e a minha filha nasce!
Não ouvi a Laura a chorar, e aterrei, desmaie! Acordei eram 4h30 da manhã, com a Laura já vertida no seu lindo fato verde, agarrada à  minha mama, e lembro-me de chamar a enfermeira e ter perguntado: “Esta é a minha filha, certo? Ela está bem, certo?”, A enfermeira olhou-me nos olhos e disse,: “Sim mãe é a sua linda filha, tem 51 cm, pesa 3490, agora está tudo bem com ela.Vamos tratar agora da mãe. Tem aqui o seu telemóvel para ligar para quem quiser.!”

As dores desta cesariana, foram tão más, que devido à infeção que apanhei lá, a minha barriga cresceu tanto (que parecia continuar grávida) e passado uma semana, dei entrada na maternidade, pois os pontos rebentaram e saíram alguns agrafos, mas fiquei bem, só descobri aos 33 anos com esta cesariana, que só tenho um rim.

Agradeço todos os dias a DEUS, pelas linda filhas que me deu, por tudo no final ter corrido bem, e mesmo assim, eu ainda gostava de poder ter outro filho.

mas L

Desde então a vida trocou-me as voltas, eu e o pai das minhas filhas já não estamos juntos (mas é o pais delas e elas adoram-no).
Perdi ainda o homem da minha vida, o meu pai, que partiu o ano passado em 14 dias, e foi o meu pai que sempre me apoiou muito.

Mas estou a conseguir dar a volta por cima, fiquei sozinha com as minhas filhas ( a Leonor com 2 anos e a Laura com 5 meses), uma casa para pagar, e com dívidas! Como devem imaginar desesperei mas arregacei mangas e segui em frente! Cheguei a ter 3 trabalhos, paguei tudo, divorciei-me, tive sempre o apoio do meu pai e hoje reencontrei o amor da minha vida, alguém que me ama, me respeita, me ajuda, me admira e é amigo das minhas filhas, e tento ser feliz todos os dias.

Hoje posso dizer, consegui! Nunca fugi dos meus problemas, só tentei torná-los mais simples e nunca prejudiquei as minhas filhas, faço tudo o que posso por elas, tento estar sempre presente, e espero que um dia, elas percebam que todos os sacrifícios que a mãe fez, foi somente a pensar nelas.

Hoje gosto muito da mulher que sou!!!! SOU FELIZ  e AMO MUITO as minhas princesas!

Fernanda Silva

 

Muito obrigada pela partilha Fernanda! É bom sabermos que apesar de tudo, vale sempre a pena!
Parabéns para as manas por serem tão doces (diz até que uma vai ser minha nora!!)  e à mãe por ser uma guerreira!

 

 

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3x Parto = amor ao cubo

A Bárbara lançou o desafio.. e eu aceitei 😉

Tenho 3 filhos, três rapazes liiindos que amo mais que tudo! E com eles, tenho 3 histórias de partos diferentes, cada uma importante, especial e única.

1ª gravidez.. Afonso (5 anos hoje)

 

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Gravidez tranquila, vivida em êxtase, primeiro filho!

No dia 24 de Fevereiro, a 2 dias da minha DPP*, rebentam-me as águas às 5 da manhã.
O pânico!!! As águas de que cor eram? Seriam normais? Com cor? “Olha vamos mas é para o hospital!!”
As pernas a tremer, mando mensagem a toda a gente a anunciar que vou para o hospital! Aterrorizada mas tão feliz.
Contrações mais ou menos dolorosas, peço epidural e dão-me.
Vou para o quarto porque já estava na parte activa do parto e estava na maior.. lembro-me que durante contrações estava a jogar farmville e no chat no facebook.. eeheh
Até que.. a epidural deixa de fazer grande efeito e o Afonso está preso no canal.. E eles têm que o posicionar manualmente..
&%$%$#&$%/()/& e mais umas palavras menos simpáticas..
Não foi nada bonito digo-vos.. Mas pelas 13:58 (olhem lá a precisão), nasce o Afonso, com 3.812kg e 49cm!
Papás babadíssimos!! O Afonso nasceu maior do que o previsto então teve que ficar embrulhado numa manta e o pai foi ao carro buscar a mala porque a roupa que tínhamos preparada era pequena demais!! 🙂
O pós-parto foi muito bom.. Mal eles nascem uma pessoa esquece tudo.. 😉
2ª gravidez – Henrique (3 anos hoje)

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Quando engravidei do Henrique já morava cá na Holanda. Era tudo diferente do sistema de saúde português.
Ecos eram só 2 durante a gravidez. As consultas eram com uma Midwife* e não envolviam sequer um ginecologista.. Era tudo demasiado estranho mas que remédio.. Temos que confiar.. Não falando da parte que os partos aqui são mais humanizados.. E encorajados a ser em casa.. A ideia metia-me demasiada impressão!! Em casa? E se acontece alguma coisa? Não não! Quero hospital!!
3 dias depois da minha DPP, pelas 6 da manhã acordo com contrações.. Um pouco dolorosas mas como não me tinham rebentado as águas eu estava mais ou menos tranquila.. (Ingénua..) 😛
Ligo para a Midwife que vem logo cá a casa para me fazer avaliação.
Entretanto o meu marido leva o Afonso para casa da minha irmã que mora aqui perto pois o plano era seguir para o hospital.
Chega a Midwife, deito-me na cama, ela verifica a minha dilatação e diz algo como: “não podes ir para o hospital, já estás com 8cm, não chegas a tempo!”
Bem.. Nem vos conto.. Eu não sabia o que fazer.. Se entrar em pânico.. Rir ou chorar.. Tive ali 5 min de confusão na minha cabeça mas pronto.. Aceitei!
Ela pôs o equipamento todo na minha cama, preparou-se e eu deixei que o meu corpo tomasse as rédeas e trouxesse o meu menino ao mundo..
As dores eram terríveis.. Eu andava pelo quarto.. O meu marido sempre comigo a dar-me força e todo o apoio possível e imaginário..
Pus-me em todas as posições possíveis de modo a atenuar a dor.
Até que elas decidem rebentar as águas para as contrações serem mais eficazes. E assim foi.. Passado pouco tempo eu já o sentia a descer e neste ponto as contrações apesar de dolorosas são muito mais suportáveis.. Porque sabemos que estão efectivamente a levar a algum lado..
Às 8:50 nasce o Henrique.. Um rapagão com 4.300kg e 52cm num parto natural, sem epidural, sem cortes, sem soros, sem toques, sem pressas e ao meu ritmo..
Tive a honra de ser eu a cortar o cordão umbilical..
Apesar do meu medo foi uma bofetada de luva branca.. Correu muito bem e o pós parto foi ainda melhor.. 2 horas depois já eu tomava banho no MEU chuveiro e me sentava no MEU sofá e já tinha o Afonso em casa para conhecer o mano.. Lembro-me que até fui eu que fiz o jantar nessa noite!!
Maravilhoso <3
3ª gravidez – Alex (6 meses quase sete 🙂 hoje)

image3O Alex também nasceu na Holanda.

A gravidez também correu bem (eu adoro estar grávida!!!).
Mais uma vez, o meu filho não tinha pressa de sair e então 3 dias depois da minha DPP acordo às 4:30 da manhã com contrações muito fortes e seguidas..
Ligo logo à Midwife e ela vem prontamente.
Afonso e Henrique vão para a minha irmã e eu fico à espera..
Desta vez e apesar do parto do Henrique ter corrido muito bem, eu queria epidural.. Queria estar relaxada, não queria dores.. Então depois de ver a minha dilatação (3cm) seguimos para o hospital (5:30).
Na chegada a médica não foi muito receptiva ao meu pedido e enrolou-me.. Disse que as contrações ainda não estavam muito seguidas e que a epidural trazia muitos riscos e mais blablabla.. Eu aceitei esperar mas queria epidural na mesma. Não era o meu primeiro filho, sou adulta e sei o que quero.
O meu marido incansável sempre ao meu lado, a ver-me contrair de dores de pé ao lado da cama..
A médica não aparecia, as assistentes diziam que o anestesista não tinha chegado e mais blablabla..
Contrações mais fortes e eu a conter-me de pé ao lado da cama.. Até que não aguento mais e relaxo o corpo numa contração.. E as águas rebentam.. E eu sinto a cabeça do Alex a descer (7:45)..
O meu marido manda-me subir para a cama (só estávamos os dois no quarto) porque queria ir chamar alguém para nos assistir e eu não o queria deixar ir nem tão pouco me queria mexer!! (Tinha medo de fechar as pernas e puxar o miúdo para cima! Ahahah).
Carreguei na campainha até que aparece uma enfermeira que entra com a médica.. Puxam-me para a cama, puxo umas 3 vezes e nasce o Alex (7:55).. 4.320kg, 52cm.
Parto natural, sem epidural, quase não-assistido, sem cortes mas com 2 pontos. Também fui eu que cortei o cordão umbilical!
Foi muito emocionante quando ele nasceu porque de certo modo senti-me traída. Não foi de todo o que eu desejava. Para ser assim mais valia eu ter ficado em casa.
A médica pediu-me desculpa porque de facto me negligenciou e eu depois apresentei queixa no hospital pela forma como me trataram.
Mas no fim correu tudo bem, ele já estava nos meus braços e lá está.. Uma pessoa esquece, apaixona-se uma vez mais perdidamente e segue em frente..
❤
Té Simães Monteiro
*DDP: Data Prevista para o Parto
*MidWife: Parteira
Conheci a Té através do instagram e fascinou-me a forma como carrega os seus filhos, fiquei muito contente por ela ter aceite partilhar este bocadinho da sua história! Beijinhos aos 5 aé de casa!