Author

Convidado Sweet Caos

Browsing

Gravidez Santa mas Parto Infernal!

Olá, cá estou para participar no desafio e contar muito resumidamente a história do meu parto (bem, meu não, da Sara)

Apesar de ter tido uma gravidez santa, sem quaisquer sintomas, o parto foi complicado.
Não foram muitas horas, mas foram muitas dores e algumas complicações.
Às 41 semanas, o parto teve de ser induzido. Entrei no hospital às 12h de dia 9 de Dezembro de 2012. Fizeram a indução e só às 20h00 comecei a sentir contrações.
Apesar das contrações cada vez mais fortes e próximas, não tinha dilatação. Então fui para uma sala isolada, com monitorização do bebé e onde me deram epidural. Mas não fez efeito. E as contrações eram de tal maneira fortes que eu pensava que não ia aguentar.
O meu marido foi ver-me durante dois minutos (eu não quis que ele estivesse ali por causa do estado em que estava) e disse que eu revirava os olhos e quase que subia as paredes, mesmo estando deitada. Ainda hoje me lembro das dores e nunca na vida tive tamanha dor e espero nunca voltar a ter.
Então disse às enfermeiras que a epidural não tinha feito nada e elas deram-me outra. Quando passado um tempo disse que mais uma vez a epidural não teve efeito, elas não acreditaram e não ligaram. E só diziam: “agora já está melhor, não está?” E eu: “Não!” E elas:”Como não? Vá calma”. Só me apetecia dizer asneiras.
Isto passou-se das 21h às 00h30, hora em que entram e dizem que tenho de fazer uma cesariana de emergência.
Vou para a sala de cesariana e dão-me aquela anestesia na base das costas em que deixamos de sentir da bacia para baixo.
Foi um alivio tãooo grande que quase beijei o anestesista!
Mas assim que aliviou, eu senti o bebé a descer de repente.
A médica olhou e disse: “Afinal é parto normal! Nunca fizemos um parto normal numa sala de cesariana! Vão buscar o material de parto normal!”
E depois fiz força duas vezes e nasceu a minha filha com ajuda de ventosa à 1h14 de dia 10 de Dezembro 2012.

HPIM0885
Sei que teve de ser reanimada. Mas até hoje foi o bebé e é a criança mais saudável que conheço.
Uma gravidez santa, um bebé e uma criança santas mas um parto infernal!
Beijinhos a todas!
Inês Conceição

IMG_3472                                                                                                                                                              Adoramos esta foto!
Obrigada pela partilha Inês e um beijinho especial à Sara! <3

 

O Nascer de uma Princesa <3

 

Fui convidada pela Bárbara a fazer um texto sobre “Parto” para o Blog Sweet Caos, e como é evidente nem sequer hesitei em dizer de imediato que sim!

A minha história não é longa nem mesmo daquelas histórias difíceis, porque para mim toda a gravidez foi uma dádiva! Não tive enjoo, nem desejos e cheguei às 39 semanas apenas com um carro de mão para conduzir! Sim a minha barriga estava toda empinada 🙂

Foto 1

É certo que fiquei em casa com gravidez de risco aos 5 meses, mas deveu-se ao facto de eu desde a data em que engravidei não tinha adquirido nenhum peso extra, isto é, a minha pimpolhinha estava a engordar normalmente mas aqui a mãe não! E vim para casa! O que é certo, é que ao fim de um mês de estar em casa aumentei 2 kg e cheguei ao final com 47 Kg mais 14 que os meus habituais! Não entrem em pânico! Eu sou bastante pequena (132cm) por isso esse peso numa estatura assim eu até estava cheinha 🙂 🙂 🙂

Como fiz uma gravidez até normal, tendo em conta que sou uma mulher de estatura muito baixa e sempre pensei que a coisa não iria para além das 24 semanas… mas foi 🙂 … aguentamos e lá chegamos às 39 semanas.

Desde cedo que me mentalizei que tudo poderia ocorrer do mau ao bom e assim fomos vivendo o dia-a-dia de uma gravidez que para mim foi magnífica!

Com o passar do tempo fui interiorizando que até podia ir para uma sala de partos, ter as famosas contrações e passei algum tempo a ver todo o tipo de Parto que o Youtube disponibiliza (coisa de doida! Sim eu sei..), preferia ver tudo e mais alguma coisa para ter a certeza que quando chegasse a minha hora iria ter conhecimento, pelo menos visual da coisa (para o que nos dá quando ficamos em casa com gravidez de risco!)

O meu “mais que tudo” só dizia… estás a ver isso para quê? Pois para quê… na hora dá as dores e nem sequer sabemos como fazer a respiração que aprendemos nas aulas de preparação!

O tempo foi passando e a minha pimpolhinha a crescer normalmente e a Dª Ana Barbosa (que foi a médica escolhida por nós para fazer as ecografias – ADOREI!) dizia não se preocupe a sua menina tem muito espaço, embora não parecesse, está muito bem e não me parece que ela vá nascer prematura! Com estas informações vamos relaxando e levando a coisa mais ao de leve!

Fiz a última ecografia na Drª Ana Barbosa aos 8 meses e a coisa mantinha-se, até que comecei a ser seguida pelo Hospital de Vila Nova de Gaia (Não tenho que dizer, adorei todo o tratamento que me deram e a equipa médica, de enfermagem e auxiliar são TOP!).
Na segunda consulta foi indicada a fazer cesariana programada, a minha pimpolhinha estava estimado o percentil 75 e eles não queriam arriscar um parto normal!
Fiquei limitada ao distrito do Porto não podia andar em grandes viagens porque à mínima dor tinha de ir para o Hospital sem perder tempo!
E os dias foram passando e chegou a data agendada, fui para o Hospital um dia muito complicado na cidade (o trânsito estava um caos!) cheguei ainda havia pouco gente no servido, incluindo utentes…

Fui encaminhada para o Bloco ainda aguardei uns minutos (para mim foi uma hora!) e depois lá chegou o anestesista para me dar a epidural! Eu não sei mas entre entrar no Bloco e ter o efeito da anestesia a atuar para mim foi uma eternidade (depois descobri que foram cerca de 30 a 45 minutos!). Infelizmente não era possível o Pai assistir, e por isso ficamos os dois sozinhos (ele na sala de espera e eu no bloco), acho que para os dois foi uma longa espera!
Mas entretanto vejo a minha pimpolhinha lá ao fundo, pequena a chorar com a força do mundo, e a alegria no coração que quer sair pela boca e não cabe! Saltam dos olhos as lágrima de uma felicidade imensa! E queres agarrar e ficar ali mas não podes! E sentes “Ela Nasceu!”
Continuei a ouvir o choro e questionei se ela estava bem, disseram “Sim Mãe! A MJ está bem! Uma bela menina!”. Enquanto me cosiam trouxeram-na de novo para dar mais um beijinho e levaram-na ao Pai. Ela chorava trémula, e eu só a queria nos braços!

Assim que chegou e ouviu a voz do Pai calou-se e fez bolinhas com a boca! <3 🙂 Sem dúvida que o laço que criamos entre nós três durante a gravidez, foi fundamental para a construção familiar que fazemos a cada dia. Eu trouxe-a no ventre mas ela conhecia a voz da Mãe tal como conhecia a voz do Pai, e manifestava isso! Quando ele chegava se não fizesse a festinha na barriga eu tinha a sensação que ela me saía pelas costas 🙂

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Apesar de ter feito cesariana ao fim de duas noites no “Hotel” regressamos a casa! As dores do pós-operatório são muitas, mas passaram rápido. A minha cicatriz ficou perfeita e quero que fique para o resto da vida!

A pimpolhinha deu 15 dias dolorosos aos Papás, mas foi a terapia choque! Noites sem dormir… Mamar fora de horas… dormir fora de horas…Depois passou… ao fim de um mês já dormia uma noite completa (6horas seguidas), fazia os soninhos durante o dia e mamava dentro dos horários!
No final do segundo mês passou para o quarto dela!

Hoje em dia é uma “piquena” bastante refilona e muito independente – Frase tipo “Eu sozinha”!

Trazer um Filho ao mundo é algo único! Para mim tornou-se na realização pessoal mais perfeita que tive e que durante muito tempo questionei se seria possível. Mas foi… Claro que nós somos um pouco daquilo que nos rodeia e o meu “mais que tudo” tem 50% de cota neste objetivo, não só em fazê-lo mas também em ajudar-me a chegar ao fim! <3 <3 <3

Alexandra Vaz

Obrigada Xaninha pela partilha! Muitas felicidades! <3

O meu parto AKA O filme de terror com um final e dois inícios felizes!

Demorei a escrever este artigo, demorei mais do que estava à espera.
Não é definitivamente a primeira vez que descrevo como foi o parto dos geminhos mas foi a primeira vez que tive que organizar as ideias e coloca-las em papel e foi tal como o parto, difícil.
A dificuldade de escrever reflete toda a dificuldade do parto que culminou num parto, vá, adivinhem… difícil!

O que vos vou contar pode-se agrupar na categoria de filme de terror com um final feliz e um início de duas vidas ainda mais felizes!
Começamos pelo princípio…

Era uma vez eu, que queria muito ser mãe mas tinha um pavor quase inexplicável do parto. Já tinha ouvido histórias boas mas na sua maioria eram histórias terríveis que se centravam na dor, quando eu queria imaginar um momento “cor-de-rosa” onde fosse só eu e o bebé num momento único e feliz. Por isso, numa decisão informada, e por opção, sempre admiti que preferia a cesariana. Já sei… já sei… Não é natural, é uma cirurgia dispensável, faz parte do processo de nascimento a passagem no canal vaginal, mas eu não concebia a minha dor, a dificuldade e esforço que o meu bebé teria que fazer para nascer.
Tomada esta decisão, a gravidez deveria ser um aglomerado de alegria, felicidade, bombons e uns quilos a mais, agrupados generosamente em 9 meses de puro êxtase na espera da pessoa que iria crescer dentro de mim. Devia ter sido assim, mas não foi…

Primeiro, não era a pessoa eram as pessoas, o que era espetacular. Gravidez 1 – Bebés 2!
Vou poupar-vos aos pormenores de uma gravidez gemelar de risco, em descanso absoluto e com muito medo. Era uma gravidez diferente, com muitos cuidados, alguns receios mas sempre com muita alegria.

Conforme o tempo foi avançando também a minha perspetiva sobre o parto foi mudando, deixei de me centrar na minha possível dor e desconforto, para me focar no que seria melhor para o Gonçalo e para o Guilherme. Também percebi desde logo que se as histórias que tinha ouvido sobre o parto eram más as histórias sobre partos gemelares eram horrendas. Não valia a pena pensar nisso, acreditava que a minha obstetra faria as escolhas certas, no momento certo.

Dia 17 de Novembro de 2014 foi uma segunda-feira como outra qualquer. Segunda-feira significava fazer ecografia, todas as segundas foram assim. Aquela eco, era mais uma de muitas, no entanto, eram sempre acompanhadas por um nervoso miudinho que acalmava mal ouvia os coraçõezinhos e via a expressão da médica que me indicava sempre que estava tudo bem, mas não no dia 17.
No dia 17, não estava tudo bem. A médica detetou o síndrome de transfusão feto-fetal e tinham que nascer de imediato. Lembro-me da médica dizer “Do Hospital já não sai!” e eu estranhamente calma perguntar “Mas eles estão bem?”, ao que a médica responde “Estão, mas o Guilherme está em sofrimento, tem que nascer hoje”. E enquanto me dirigia para a urgência a minha querida obstetra dizia-me ao telefone “Vai correr tudo bem! Deixa-te ficar aí porque realmente eles têm que nascer já!”.
Chegada à urgência e preparada psicologicamente para um parto vaginal (porque no hospital público é mesmo assim), sou informada que afinal não nascem hoje, vamos esperar 48 horas. Esperar?? Mas esperar como? Tenho um bebé em sofrimento, duas médicas já indicaram que têm que nascer de imediato! Nem pensar… Não podemos esperar!
Mas a médica de urgência em discussão com a médica da eco reafirmou a sua vontade. Esperar.

Falei de novo com a minha obstetra, e aí ela foi perentória, não há esperas para ninguém! “Perante os resultados da eco têm que nascer hoje.”
E aí tomei a decisão mais difícil de sempre, assinei um termo de responsabilidade e vim embora.

Vamos para o Hospital Privado da Boa Nova, que com a sua equipa multidisciplinar super competente verificam e concluem, não têm que nascer hoje, têm que nascer JÁ!
Vamos em passo acelerado para o bloco, onde já está à espera uma equipa, ou melhor uma super equipa, não só em número (porque eram realmente muitas pessoas) mas em amor e atenção.

As expressões sérias e a tensão era palpável, mas todos disfarçavam, não era a situação ideal mas ia correr tudo bem. Todos transmitiam isso e eu recebia essas boas energias que combatiam os meus medos e receios.
Preparadíssima, equipada apenas de bata e telemóvel (sim telemóvel, porque foi recomendado que o pai não assistisse ao parto porque era de risco e difícil mas a equipa tirou todas as fotos possíveis!), anestesia raquidiana administrada, vamos lá conhecer o Gonçalo e o Guilherme. Problema, a anestesia “não pegou”. Senti tudo, doeu tudo, gritei tudo…

E entretanto ouvi o choro, o Gonçalo estava connosco, a neonatologista veio mostrar mas não lhe pude tocar ou pegar, não havia tempo. Faltava o Guilherme, o mais pequeno, o que estava em risco, o que eu podia perder.
Na enésima vez que a minha obstetra diz “Está quase! Aguenta! Já vai passar!” e entre os carinhos que a anestesista me dava enquanto eu não gritava porque as dores eram tais que faziam que nem respirar conseguisse, ouvi o Guilherme, choro fraquinho e pesaroso. E não me lembro de mais nada…

Não o vi no dia 17, aliás, só o vi no dia 19 dentro da sua casinha de vidro, guardado e protegido, como se faz aos diamantes.

O Gonçalo estava ótimo, sereno, pacifico. O Guilherme demorou 17 dias a chegar até aí, sempre resiliente, sempre lutador, sempre corajoso.
Hoje, passados 20 meses, são crianças alegres e felizes, com uma história de coragem e superação.

Joana Carvalho

13728256_10207419786914408_692901916_o                                                                                        Foto dos gémeos da Joana! <3

 

Obrigada Joana pela partilha! Muito obrigada.

Save

Save

Outra vez o sono dos bebés…

Penso que nunca ouvi falar tanto sobre o sono do bebé como actualmente. Muito se escreve, muito se diz e muito se teoriza…

Apesar de algumas formações na área dos bebés e das famílias não sou especialista no sono mas sou mãe e acho que isso é o que realmente importa. Daquilo que vivenciei como mãe juntando algumas teorias que sabia na altura consigo agora concluir que tal como o mundo não é preto e branco, também os bebés são diferentes como uma palete de cores. Há bebés irritáveis, sensíveis, difíceis, enérgicos, mas também os há calmos, pacíficos, fáceis de lidar e portanto com esta realidade é impossível de determinar uma teoria como certa. O que fazer quando até os pediatras de referência nos dizem o que é certo ou errado, mesmo quando vai contra aquilo que acreditamos?

Eu penso que a tentativa e erro fazem parte do processo de parentalidade primeiro porque como já disse anteriormente os bebés são todos diferentes, mas também porque eles passam por etapas de crescimento e quando parece que está tudo bem e pacífico de repente acontece algo que volta a desorganizar tudo e portanto o que funcionou num momento pode ter que ser adaptado a uma nova realidade. Não é fácil gerir tanta informação com as dúvidas e crenças. Se me permitem deixo aqui umas dicas:

– Do que sabem, do que ouvirem e do que lerem retirem os métodos que vos deixem confortáveis. Um bebé não pode estar descansado se sentir ansiedade e dúvida por parte dos pais;

– Os pais estarem de acordo entre si com a rotina de sono que escolheram adoptar é importante. Uma família que discute sobre o facto do bebé estar a chorar há 30 min, ou a dormir na mesma cama não traz paz ao bebé, muito pelo contrário;

– Alternarem os cuidados quando um dos pais está mais cansado. Quando estão irritados e exaustos porque o bebé não dorme a paciência diminui, não pensam com clareza e perturbam ainda mais o bebé. Se um dos pais não puder, recorram a uma terceira pessoa da vossa confiança;

– Encontrar um ponto de equilíbrio entre o vosso bem-estar e o do bebé. Podem abdicar de algumas coisas em prol das necessidades do bebé mas não é razoável anular tudo o que for prazeroso em função daquilo que ele quer. Se os pais não estiverem bem consigo próprios, ou entre eles, isso vai destabilizar o bebé mesmo que seja a médio prazo;

– Não confundir as necessidades do bebé com as necessidades da mãe/pai. Todos os pais gostam de sentir que os filhos precisam de si e por vezes custa aceitar a sua autonomia, mas esta é fundamental para o desenvolvimento geral da criança. Neste caso a autonomia no sono é um processo natural e desejável e não obriga que exista sofrimento/choro. Por outro lado, quando os pais não aceitam e impedem a autonomia da criança podem estar a promover a insegurança;

– Antes de chegarem ao limite peçam ajuda especializada. Escolham um apoio que esteja disponível para adaptar a metodologia consoante a família que tem à frente, ou seja, vá de encontro às vossas crenças e seja sensível à vossa realidade familiar. Bebés diferentes têm necessidades diferentes logo, as abordagens não devem ser “chapa 5”.

dormir1

Acima de tudo acreditem que aquele bebé não nasceu para vos chatear e ele precisa de vocês, mas pode ter um temperamento que exige mais do vosso papel de pais para responder às suas necessidades. Já dizia Brazelton que os pais são os melhores especialistas nos seus filhos, mesmo assim podem precisar de ajuda nos primeiros tempos para entender a comunicação do bebé. Tenham a certeza de que aos poucos tudo vai correr bem.

*A autora não segue o acordo ortográfico

Íris Seixas ajuda os pais no processo de descoberta do seu filho, partindo das premissas de que cada bebé é um ser único, e que os pais são os peritos nos seus filhos. Trabalha com Infância e Parentalidade e podem-na seguir e contactar através da sua página: Íris Seixas – Página Profissional na área da Infância/Parentalidade

“Pais cansados e crianças felizes vivem aqui”

Muita gente que conheço, muitos daqueles de quem fugi ou corri atrás na escola, está nesta fase a ser pai/mãe pela primeira ou segunda vez.
Estamos todos a criar famílias e a povoar o mundo (como se houvesse falta de gente cá).

Não há muito tempo eu estava num restaurante em Almancil, no Algarve, quando vejo uma placa junto ao imenso vidro da cozinha: “ Aqui moram pais cansados e crianças felizes”.

 

restaurante

Foi depois de jantar e é incrível como o álcool ainda me permitia ler.

Desconfiei sempre dos pais de crianças recém-paridas que, ao final de alguns meses, dizem que a vida pouco mudou.
É como ser atropelado por um camião TIR, na auto-estrada, esperar 10 minutos levantar e seguir viagem para mais uma noite de copos. Não faz sentido. Provavelmente o camião passou ao lado, ou só de raspão.

Não quero fazer figura de censor, mas qualquer progenitor sem nódoas de comida na roupa, ombros e braços, olheiras até aos cotovelos, cabelo por pentear e que, a partir do primeiro ano, saiba onde está o comando da televisão, passou ao lado do camião. Ficou sem história para contar, e este camião não faz marcha-atrás.

Deixem-se ser atropelados, pela vossa saúde.

Nota importante: o restaurante é excelente, acho que isso também é importante.

 

Paulo Couto é pai da pequena Olívia, empresário e viajante.

Todas as ilustrações dos convidados são: My Simple Life

Super-Pai à distância

Quando a Bárbara me pediu para escrever este texto adiei a sua escrita até ao dia de hoje.

Porquê?
Simplesmente porque não queria pensar sequer na distância que mais uma vez ia ter dos meus filhos. Guardei esse momento para hoje, em pleno voo, onde me distancia mais de 7000 km de quem amo.

Ser pai à distância é duro, muito duro mesmo. Quem me conhece sabe que ser pai é a profissão que eu gostava de ter. Ter nascido numa grande família, em que todos nos damos bem, enraizou em mim um enorme sentido de família.  Estar longe dela é, sem dúvida, uma dor enorme para mim.
Se há uns anos atrás me perguntassem se algum dia emigraria sem eles, responderia categoricamente que nunca me passaria isso pela cabeça.
Infelizmente a vida troca-nos as voltas e há quase 3 anos fui obrigado a emigrar para Angola.

Podia dizer que cada vez estou mais habituado a isso, mas infelizmente cada dia que me despeço dói cada vez mais. Um dor indescritível, algo nos falta.

Aquele beijo de boa noite, aquele resmungar de não quero isto ou aquilo, aqueles sorrisos que me enchem de orgulho nos filhos que tenho.

O Tomás, agora com 9 anos, é sem dúvida aquele que menos aceita a minha ausência. Ainda não compreende que o faço também por ele, para lhe poder dar aquilo que acho que qualquer criança tem direito – uma vida com o menor sacrifício possível.

Já me questionaram e apontaram o dedo de eu lhe fazer falta mais do que tudo o resto. Estaria mentindo se não dissesse que já me fiz essa pergunta a mim mesmo centenas de vezes.
Vale a pena a distância?
Vale a pena o sacrifício que todos estamos a fazer?
Claro que essa conversa já a tive com a minha esposa algumas vezes e infelizmente ainda tem que ser, principalmente para o bem deles.

Quando vim pela primeira vez, o Tomás ainda não tinha 7 anos. A primeira despedida não custou muito, acho que ele pensava que eu ia ali e vinha já. Quando se começou a aperceber que eu ia ficar muito tempo  fora começou a reagir de uma forma algo estranha para mim. Recusava-se a falar comigo no skype, ou quando falava era uma mensagem relâmpago do género “Ola pai, xau”. Chorava em circunstâncias diversas em que algo o fazia lembrar de mim.  Estando longe, essas atitudes parece que ainda nos doem mais, que somos nós que estamos a provocar estas situações. Quando ele não quer falar connosco, questionamos-nos se os estamos a “perder”, se já não têm saudades nossas, se não querem saber de nós.
Acredito hoje que era mais uma forma de defesa dele perante a minha ausência.

A Inês, agora com 15 anos, como é natural,  sempre compreendeu melhor a minha vinda para fora. Talvez por isso, foi sempre a que custou mais dizer adeus. Sempre que vem ao aeroporto deixar-me despede-se com uma lágrima no canto do olho.
Sem dúvida que nos dias de hoje ser emigrante é bem mais fácil do que no tempo dos nossos pais e avós. Graças às novas tecnologias podemos estar “junto” deles de várias maneiras e sentidos. Felizmente que hoje em dia podemos falar e ver os nossos filhos quase todos os dias (infelizmente há dias sem internet).

Comunico-me com eles sempre que posso, de forma a tentar que o nosso dia a dia seja o mais normal possível.
Com a Inês, já com acessos a Skype, facebook, whatsapp e afins , durante o dia todo é bem mais fácil. Trocamos diversas mensagens durante o dia e partilhamos um pouco o dia um do outro.  Sempre fomos muito ligados e mesmo com a distância acho que consigo manter esta nossa ligação forte.

Como qualquer emigrante, acho que nos agarramos ao trabalho de manhã à noite para tentar esquecer um pouco a ausência da família. Quando eu digo que os piores momentos, quando estou fora, são os fim de semana costumam ficar admirados e não compreender. Estes dias são aqueles que estamos mais frágeis, porque temos mais tempo livre e mais tempo para pensar na família e sentir o quanto nos fazem falta.

Mas como é que algum pai aguenta esta distância dos filhos que tanto ama ou vice versa?
Porque tem uma mulher, aliás uma super mulher, que faz de pai e mãe e que ajuda a que a nossa ausência seja menos dolorosa tanto para os miúdos como para mim próprio.  Uma mãe que me mantém envolvido como pai em tudo que é possível.
Infelizmente a opção de eles emigrarem comigo, no país que estou é uma impossibilidade. Não posso ser egoísta e pensar só em mim. A saúde e educação dos meus filhos estão acima de qualquer decisão que posso tomar e mais uma vez em consenso com a minha mulher achamos que este sacrifício que  todos estamos a ter é o mais acertado.

Pai à distância? Sim, serei pai em qualquer circunstância e todos os sacrifícios valem a pena pelos nossos filhos.

Despeço-me como sempre me despeço dos meus filhos quando venho de viagem….. – “Até já….”

 

Júlio é o super-pai da Inês e do Tomás que divide os seus meses entre Portugal e os Palop.

Todas as ilustrações dos convidados são: My Simple Life

Curso de recuperação pós-parto

Íamos ser pais pela primeira vez e por isso concordamos que seria importante frequentarmos o Curso de Preparação para a Parentalidade e desta forma prepararmo-nos para a chegada do nosso bebé. Por isso, começamos por pesquisar locais onde o pudéssemos fazer, já que o Hospital não tinha vagas. Foi assim que encontramos o instituto4life que dispõe de vários programas de Preparação para o Nascimento e Parentalidade. Optamos pelo programa base, de baixo custo, um curso com menos sessões, mas com toda a informação essencial para chegarmos ao grande dia sem dúvidas. Entre as várias ofertas do programa escolhido, a mamã pode usufruir de uma sessão do curso de recuperação pós-parto totalmente gratuita.
Posso dizer-vos que usufruí de praticamente todas as ofertas do programa, incluindo essa sessão do curso de recuperação pós-parto. Gostei imenso da sessão e decidi inscrever-me. O curso tem a duração de um mês e inclui oito sessões.

Após o parto inicia-se uma etapa em que a nossa recuperação física é essencial. Felizmente eu recuperei muito bem o peso. Contudo, a barriguinha ficou mais flácida, o que é natural. Senti mais stress devido à grande exigência de todas as tarefas do dia-a-dia com o nosso bebé: alimentá-lo, vesti-lo, mudar a fralda, sossegá-lo, mimá-lo, lavar e passar as roupinhas dele e claro! Continuar a fazer todas as outras tarefas domésticas que fazíamos antes do bebé chegar. Um bebé pode consumir todo o nosso tempo e o stress é inevitável por pouco que seja. Também fiquei com os músculos mais tensos, principalmente porque passei a pegar todos os dias num novo peso, o meu bebé (o meu é bem pesadinho porque é um comilão).

Voltar para o ginásio estava fora de questão, já que não tinha ninguém que ficasse com o meu bebé e além disso o nosso corpo precisa recuperar progressivamente até estar preparado para exercícios mais intensos.

O curso de recuperação pós-parto permitiu-me retornar à actividade de uma forma progressiva, na presença do meu bebé, com o acompanhamento de uma Fisioterapeuta. Permite-me recuperar as estruturas que sofreram alterações durante a gravidez e parto. Compreende um conjunto de exercícios direccionados para cada grupo muscular específico, nomeadamente os músculos pélvicos, músculos abdominais e músculos lombares. Contribui para restaurar a força muscular e resistência, tonificar os músculos, potenciar a recuperação pélvica, aliviar o stress e tensão muscular, melhorar a aptidão cardiovascular e além de tudo, ajuda a prevenir/recuperar em caso de depressão pós-parto. No meu caso, foi uma forma de sair de casa e descontrair.

Agora estou a frequentar estas aulas, mais tarde, quem sabe, volto ao ginásio. Acima de tudo gosto de sentir-me bem e na minha opinião todas as mamãs devem procurar isso, sentirem-se bem. Aconselho a ponderarem frequentar estes cursos, pois com certeza melhoram a sua autoconfiança e autoimagem para além de usufruírem de todas as vantagens que referi antes.

 

Filipa é mãe do pequeno Simão. É professora e foi por esse motivo que trocou o Porto por Lisboa.

Todas as ilustrações dos convidados são: My Simple Life

Tosse Convulsa!

 

Recentemente vi nas notícias que o Mark Zuckerberg tinha tido uma filha. Que anda babado, como todos os papás. E como “papá” babado do Facebook, usa a rede social para mostrar o orgulho no tempo com a sua filhota. Depois disso, várias foram os títulos sobre a situação, que devido à falta de tempo (pois também eu sou a mãe babada de um pequenino) ignorei. Até que vi um que dizia que Mark Zuckerberg tinha colocado uma foto com a filha, e tinha sido severamente criticado por outros utilizadores da dita rede social.

Seria por colocar uma foto da miúda num sítio tão público? Como era um momento [curto] em que podia divagar pela net, abri a notícia. Começava com algo do género: “Mark Zuckerberg tira licença de paternidade de 6 meses”. Não, não podia ser por isso…quem dera a muitos pais fazer o mesmo! Se ele pode, não deve, OBVIAMENTE hesitar!

Aparvalhei quando percebi a real razão das críticas: parece que a foto era num consultório médico e a legenda era algo do tipo: “à espera das vacinas”. Estavam a criticá-lo por vacinar a filha. Há muitas modas relacionadas com educação de crianças, mas esta é uma que nunca compreenderei. Porque na maioria delas, podemos dizer: “Não temos nada com isso! É decisão dos pais”. Nesta “moda”, a decisão é dos pais, sim, mas temos algo com isso, sim senhor! A cobertura de vacinas por cá induz a chamada imunidade de grupo, que acresce ainda mais proteção à população para além da vacina individualmente.

Se sempre me foi difícil compreender por que razão boatos já contrariados pela ciência ou justificações para não vacinar com constituintes da vacina usados há dezenas de anos eram razão para esta prática se começar a espalhar… Mas no ano que passou, tive uma razão ainda mais válida para me irritar sempre que ouço alguém defender a não vacinação… O meu miúdo apanhou tosse convulsa aos 2 meses! O diagnóstico foi feito 3 dias antes de levar a vacina que iniciaria o seu processo de proteção da doença.

Hoje li uma outra notícia: a de um menino que morreu com tosse convulsa, e cuja mãe tenta espalhar a história, para que as grávidas se vacinem contra a tosse convulsa e estejam protegidas logo desde a gravidez (não é garantido que a vacinação das grávidas proteja totalmente o bebé recém nascido, mas compreendo que esta mãe, perante tal dor, queira sentir que faz algo de bom por alguém, em memória do seu filho).

O meu miúdo safou-se, mas ainda hoje com 7 meses tem por vezes crises de tosse que me fazem doer o coração. Durante o internamento não descansei, por não saber o futuro, e por não ter a certeza do Destino não me ir roubar mais um filho. Esteve aflito, mas mesmo assim podia ter sido bem pior. Podia ter sido mais grave. Podia ter morrido!

E sinceramente, não consigo “perdoar” a quem deixa certos vírus e bactérias circular por aí, quando já quase não deviam existir. Foi graças a essas pessoas que vivi tempos de tanta incerteza. Foi graças a essas pessoas que várias mães passaram pelo mesmo que eu, e muitas não viram a sua história ter um final feliz.

Sou tolerante para praticamente tudo o que vejo e ouço. Porque realmente não tenho nada a ver com isso… Com a decisão de não vacinar, já tenho!

 

Ana Matos é mãe da Leonor e do Leonardo, médica e autora dos blogues mamã-bio e Our Mad World
Ver outro artigo da Ana no nosso blogue: aqui!

Ilustração: My Simple Life

Jardim Encantado!

A cidade de Espinho no norte do país tornou-se por estes dias a Cidade Encantada com muitas actividades para miúdos e graúdos convidados pela magia do Natal.

Há animação de rua, musicas de natal ao vivo, oficinas e muitas mais actividades.

Nós fomos ao Jardim Encantado no sábado de manhã! E que bem que soube.
Uma das coisas que me incomoda sempre nas actividades e eventos para miudos é serem quase todos de tarde!
O meu miúdo, como muitos que conheço, dormem de tarde e é de manhã que estão activos e animados. E por norma de manha não se passa nada!
Mas este Natal em Espinho passa 🙂

E passa tudo a partir das 10 horas no jardim em frente à camara Municipal, ou seja, no Jardim Encantado.
Mas podem iniciar as vossa actividades mais tarde 😉

Enquanto esperam podem sempre correr e saltar no jardim que é sempre uma excelente forma de entreter os mais pequenos.

  

    

  
E foi assim mesmo que começamos, a correr atrás dos “piu-pius” enquanto esperavamos pela Mariana para nos contar “as coisas que o saco diz!”
E olhem que ainda sei as lenga-lengas de tão giras que são!
E a Mariana é realmente uma contadora de histórias e de emoções.

  
  

Acreditem que até o fedelho com menos de 2 anos prestou atenção e participou!
E eu ainda hoje repito com uma cara demasiado estranha: “E a velha a fiaaaaaaar!!”

Depois seguimos para assistir ao teatro de marionetes “O Sonho de Olívia e Sebastião” da Companhia Marionetas da Feira.
Muito cativante 🙂
E aqui foi preciso pouco para agarrar o miúdo, as marionetes fizeram esse trabalho sozinhas!

  
  

Depois disto já não fomos à oficina que pertence ao circuito encantado porque o nosso pequeno já estava a acusar o sono e a fome mas adoramos cada bocadinho deste encantamento.

E por isso mesmo recomendo, vão lá e passem uma manhã agradável.

  

Até dia 23, saibam mais aqui.

 

 

 

Filosofia para crianças

Aqui no blogue adoramos a ideia de filosofia para crianças e por isso mesmo a filósofa Joana Rita Sousa foi a nossa primeira convidada e falou-nos do sentido da vida.

Agora a Joana está prestes a iniciar uma formação em Lisboa sobre os “porquês” destinado a pais, educadores, professores, animadores e outros agentes educativos – e sobretudo, pessoas crescidas e curiosas com a filosofia, para crianças!

Vão perder?

Podem saber mais aqui ou pedir informações através do e-mail: iac-humanizacao@iacrianca.pt