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Sandra

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O Pai Natal existe?

Chegou o dia da pergunta tão esperada: O Pai Natal Existe?! Podia ter sido simples, com inocência ou até de raspão.

Mas não. Foi reforçada por um olhar firme e com a frase: Diz-me a verdade!

Ora bem. Uma pessoa perante isto já não consegue realmente mentir.

E lá expliquei que não, que não existia. Que as pessoas trocavam prendas como símbolo do amor que sentiam umas pelas outras.

Ainda murmurou: Mas eu vi o Pai Natal…

Depois: Eu sabia que eram vocês que compravam as prendas…

Tentei explicar que existiu um senhor chamado São Nicolau que na altura das festas distribuía presentes pelos meninos que não tinham nada.

Simplifiquei a história para ele perceber e rematei com um: e esta história evoluiu para aquilo que chamamos o Pai Natal.

A resposta não se fez esperar: Evoluiu?!? Como um Pokémon? O Pai Natal é um Pokémon?

É Carnaval!

Hoje é o último dia de aulas e multiplicam-se os desfiles de carnaval com os miúdos.

Por aqui, nas escolas da nossa freguesia, a temática é a protecção do meio ambiente. A nós, calhou-nos os animais em vias de extinção e escolhemos o Panda! A ideia era os pais fazerem o fato de Carnaval em casa com desperdícios.

Esta tarefa acabou por calhar à minha mãe. Com 2 camisolas velhas criou um fatinho mega-fofo de Panda! Deu uma trabalheira mas adorámos o resultado final. Muito obrigada à avó Mira pela paciência de fazer um fato para uma criança que é incapaz de estar quieta 5 minutos e só com uma agulha e linha.

As crianças vão desfilar e além de ser muito divertido para elas sinto, realmente, que aprenderam uma série de coisas com esta iniciativa.

E por aí? Quais são os vossos fatos de carnaval?

Ajeitam-se a fazer vocês?

Menino veste Azul, Menina veste Rosa

Menino veste Azul, Menina veste Rosa? NÃO! VESTEM AS CORES QUE QUEREM!

Quantas vezes já falámos aqui da pressão do género com as nossas crianças? Lembram-se quando falámos dos brinquedos aqui ou aqui neste post? Parece que desde que os miúdos nasceram que andamos sempre a falar dos mesmos assuntos. Ou é porque não há roupa ou porque tem o cabelo demasiado comprido!  Quando é que acabam os rótulos e deixam os miúdos crescer e experimentarem o que querem?

Quando é que deixam as crianças, serem crianças?

Daqui a pouco tempo, o miúdo faz anos. Andou seis meses a dizer que queria uma festa dos Power Rangers. Agora já mudou de ideias e quer uma festa da Masha e do Urso. ‘Ah e tal mas isso é tema de festa de menina’.

Não amigos, é tema de festa de criança!

Vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil (ou índigo) e violeta. São sete as cores do arco-íris. Só para vos lembrar 🙂

Estão aqui mais 274 se quiserem ver.

Podcast #001

Olá a todos, este é o primeiro episódio do nosso novo podcast. Aqui, tal como no blog, vamos falar dos desafios e encantos da maternidade.

Neste primeiro episódio falamos um pouco sobre o porquê da criação do blog e do podcast.

Contamos convosco para criar um espaço de partilha e discussão sobre todos os temas relacionados com a parentalidade.

O primeiro dente (a cair)

Sim, é realmente extraordinário mas já caiu o primeiro dente ao Sebastião. Como vos contei logo no princípio, ele teve dentes muito cedo. Aos 3 meses já tinha 2 dentes e por isso, não é de espantar, que mudasse a dentição também cedo.

Confesso que não estávamos preparados para acontecer já, especialmente porque foi tudo muito rápido. Reparámos que estava a abanar numa quarta-feira e na sexta-feira já tinha caído.

Esta etapa de crescimento muito rápida, tem tido quer consequências físicas como psicológicas.

Não sei se ainda se lembram mas crescer é difícil.

Nós vamos tentando lidar com as situações o melhor possível mas, isso fica para outro post. 🙂

A fada dos dentes lá apareceu em casa. Ele pôs o dente numa caixinha na mesinha de cabeceira e no outro dia de manhã em vez da caixa encontrou um miminho.

Tudo perfeito, tirando o facto que guardámos a caixinha numa mesinha de cabeceira no nosso quarto. 3 dias depois, ele abre a mesinha e encontra o dente. Foi uma choradeira do caraças.

Na ideia dele, a fada não tinha gostado do dente dele e tinha devolvido. Lá o convencemos que tinha ali deixado porque ele tem outro a abanar e ela os queria juntar.

Pouco ou nada corre como planeado neste mundo da parentalidade 🙂

A melhor notícia: Gravidez

Estava aqui a pensar que neste mundo em que acontecem mil coisas ao mesmo tempo, em que somos constantemente bombardeados de mil imagens, mil palavras, não é fantástico que a melhor notícia de todas continua a ser a mais simples?

Aparece na forma de um sinal (+) e a nossa vida nunca mais volta a ser a mesma. Aliás, acho que aquele sinal não quer dizer positivo quer simplesmente dizer: mais um.

Deixas de ser tu para seres dois.

Quando a gravidez é planeada e desejada esta vai ser sempre a melhor notícia que podemos receber. Talvez não te apercebas agora. Acho que muitas de nós não tem tempo para ficar feliz. O cérebro ataca logo com mil dúvidas e questões, incertezas em relação ao futuro. A partir daquele momento, começa o processo automático de auto-julgamento. E mesmo que digam que só nos tornamos mães nove meses depois, para mim, começa nesse instante. Passando uns meses, às vezes anos, tens consciência que, quando desejada, aquela foi a melhor notícia que alguma vez tiveste.

O mundo pode ficar do avesso mas uma gravidez é sempre a melhor notícia de todas. Se tu que me estás a ler aí desse lado, acabaste de descobrir que a tua gravidez finalmente aconteceu. quero que saibas que essa é e será sempre a melhor notícia de todas. Aquela que te irá fazer sorrir quando te lembrares passado uns meses, e todas as dúvidas e receios que estás a sentir neste momento serão transformados em dúvidas e receios diferentes e vais-te recordar destes momentos como: ahhh aquele tempo sem dúvidas e receios. 🙂

Relaxa, aproveita a tua gravidez e descobre como a tua vida, a pouco e pouco, se transforma.  E, deixa-te ser feliz.

 

Parabéns Flor

Hoje faz um ano que nasceu a pequena Flor.

Parece que foi ontem, que recebi a notícia. A vida fica tão mais bonita com um bebé.

Parabéns Bárbara e Pedro pela linda família que criaram. Parabéns ao Vinny por ser o mano crescido. Parabéns Flor, que sejas feliz… todos os dias.

Este é para ti…

TIVESSES TU NASCIDO UMA FLOR

Tivesses tu nascido uma flor
Serias, sim, como as flores do campo.
Tivesses tu nascido uma flor
Os jardins seriam mais belos!

Como uma canção de amor,
pelo ar, a fluir,
a Alegria não teria sorriso tão lindo assim:
o sorriso mais simples
e o mais encantador!

Tivesses tu nascido uma flor
– não é nenhum exagero –
Tivesses tu nascido uma flor
o mundo teria muito mais cores!

Por que tudo em você inspira poesia
e a própria Poesia se inspiraria em você
E a vida inteira seria o mais doce sonho
se tivesses tu nascido uma flor…

Tivesses tu nascido uma flor
Serias tu o próprio Encanto
Serias mais que tudo que há de belo…
Por que, minha querida, tudo em você é incrível!

Tivesses tu nascido uma flor
serias, sim, como as flores do campo:
As mais humildes,
as mais inebriantes,
e as mais belas!
– E serias, ainda, a flor mais linda do mundo!

Augusto Branco

Os pormenores

De manhã é uma correria, não é?

Por aqui parece que estamos sempre atrasados. A maior parte dos dias passamos pelas coisas a correr… mas, não há nada como ter uma criança para nos mostrar a beleza dos pormenores.

Hoje de manhã lá íamos em direcção ao carro para o ir deixar à escola. Eu a pensar para mim, a chatice que era ter que deixar o carro tão longe por causa das obras na rua, a pensar que não iam cumprir o prazo e que aquilo ía-se arrastar por muitos mais meses e ele… ele simplesmente ía a desfrutar este passeio que damos todas as manhãs.

Vira-se para mim e diz: Mãe, ouves? Ouves?

Parei para tentar perceber o que ele queria dizer com aquilo.

E lá estava. Os passarinhos a cantar. Muitos e diferentes. Chegou a Primavera e eu não tinha reparado.

Acho que é isto o Mindfulness e apenas preciso de me deixar ensinar por um miúdo de 4 anos.

Aproveitámos o nosso passeio e ainda ficámos sentados com o Mickey a ouvir os passarinhos ao pé do jardim. E sabem uma coisa? Não chegámos nada atrasados.

Já vos disse que vou ser pai?

Já vos disse que vou ser Pai?

Esta foi a frase que mais proferi naquele ano de 1998. Tantas as vezes a disse que os meus amigos já não a podiam ouvir. Mas a verdade é que precisava de a dizer para me convencer disso mesmo. Ia ser pai.

O que ouvia em retorno era qualquer coisa do género: – Estás tramado!

Eu sabia que nada seria como antes, a partir do momento em que essa condição se materializasse naquela vida carregada dos meus genes, cá fora, sob o efeito da gravidade. E nada foi como antes.

Assisti ao parto de ambos os meus filhos. Embora em circunstâncias completamente diferentes, o amor à primeira vista instalou-se, espalhou-se pela minha pele enquanto os segurava e entranhou-se por todos os sentidos, até hoje e será para sempre incondicional.

O primeiro nasceu prematuro e em risco de vida, dele e da mãe. Naquela manhã cinzenta de janeiro, deixei metade dos pneus do Nissan Micra Super S nas ruas do Porto. Uma cesariana de urgência salvou-lhes a vida. Limpei-o, examinei todos os seus poros e vesti-o. Enquanto a mãe era cosida e recuperava do susto, passei uma hora a falar com ele. Contei-lhe tudo sobre este mundo. Falei-lhe das árvores que iria trepar, das abelhas de que iria fugir, das montanhas que iria subir, do mar que o iria envolver, da música que ele já ouvira ainda no ventre da mãe e de outras que ele iria descobrir, do Sporting com que ele iria sofrer, das gargalhadas que iria dar,… falei do frio e do calor, falei da boa comida e de cerveja, falei do que me veio à cabeça e ele ouvia, de olhos fechados, dormindo com expressão de gozo. Quanto mais o olhava, mais se entrelaçava uma ligação tão forte que ainda a sinto hoje quando nos rimos ou discutimos.

O segundo, de outra mãe, nasceu em ultimato: Ou sais daí ou ficas tipo Benjamim Burton. Não queria vir conhecer o mundo e foi uma carga de trabalhos para o tirar do ventre da mãe. Mas lá veio e a rotina foi a mesma, com exceção da fractura da clavícula que resultou do esforço para o trazer à luz da sala de partos. Repetiram-se as emoções, duplicou a paixão o suficiente para agora dividir o amor por dois rebentos e ainda sobrar muito para admirar e agradecer a ambas as mães.

O facto de ser terapeuta especialista em neurodesenvolvimento da criança poderia me ter preparado para muitas coisas inerentes ao que se espera que um filho vá conseguindo fazer ou perceber porque é que as coisas não estão a acontecer como dizem os livros destas coisas.

Mas, como qualquer pai, presumo, não estava preparado para a intensidade das emoções.

E, nós portugueses, temos muita inibição no que se refere a falar sobre emoções. Um filho na nossa vida, é uma paleta delas todas, de todas as cores. Temos de ir aprendendo a geri-las na tela, de forma a que cada pincelada não altere demasiado o equilíbrio das nossas reações.

Nada foi como antes. A partir desses momentos, a minha vida ganhou um propósito que incluía talvez a mais verdadeira das felicidades. Em cada conquista que faziam, em cada descoberta que lhes fazia sorrir, em cada angústia que os fazia vir ter comigo, em cada fralda que lhes mudava, nas histórias que lhes contava, mas também nas zangas que tivemos, no dizer que não, nas explicações dos porquês, nos “desastres” que provocavam às refeições, no espalhar das tralhas pela casa toda, em cada momento, os meus olhos ainda vêem aquele dia em que nasceram e imaginam um futuro para cada um deles. E isso, para mim faz-me sorrir de felicidade.

Claro que nada foi como antes. Alterei as minhas rotinas todas. O trabalho passou a ser visto como um meio. O prazer estava em ir buscá-los ao jardim de infância mais cedo do que eles estavam à espera. Os fins de semana… bem os fins de semana passaram a me cansar mais do que um mês de trabalho. Mas não trocava um fim de semana prolongado ou umas férias em aventuras pré-programadas ou espontâneas numa qualquer montanha ou resort à beira-mar, como as que tinha antes de ser pai e que me permitiram conhecer meio mundo, pela ausência daqueles traquinas. Não trocava liberdade de chegar a casa às horas que fossem, depois de experimentar mais meia dúzia de cervejas, pela ausência do “está na hora de dar banho ao bebé” ou de um “é preciso fazer a sopa dele” ou um “tens de ir à farmácia porque ele está com febre”. Não trocava um fim de semana em pijama pela ausência da experiência de um acordar com um pigalhete aos pulos em cima de mim, às 6 e meia da manhã.

Ser pai permitiu-me conhecer o outro meio mundo. O mundo que nos faz olhar para os outros percebendo que cada um tem uma história feita do que os meus filhos também são feitos: afectos e emoções ou a falta deles, falhanços e sucessos, boas e más interacções, palavras e silêncios, aprendizagens e esquecimentos, frustrações e conquistas.

Sim. nada foi como antes. Só agora, que um já está na faculdade e o outro é um adolescente, é que começo a recordar muito do que fiz antes de eles entrarem na minha vida. Durante as suas infâncias, parece que essa vida aconteceu numa qualquer encarnação anterior. No fundo, comecei a aprender a viver com os meus filhos e descobri a minha religião: ser pai.

Joaquim Faias, terapia ocupacional na carne, música para alimentar a alma, cerveja para os sentidos, utilizador apple desde sempre, Sporting para sempre e pai como religião.