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Sandra

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Mau Mau Maria 

Fim de semana de sol, ideal para dar uma escapadinha. Descanso, relax, refeições tomadas com calma e vista para o mar. O dolce far niente tão perto.

Juro que quando saí de casa ontem antes do jantar era nisto que estava a pensar.

Quase a chegar ao destino o S. vomitou. Para os pais que já passaram por isto sabem o quanto é aflitivo. Agora imaginem estar numa autoestrada e não ter maneira de parar o carro. Muito difícil mesmo. O S. desde pequeno que chora a andar de carro. Esta é a segunda vez que vomita em andamento. Estamos a chegar à conclusão que ele realmente enjoa, o que nos vai limitar nos passeios que pensávamos dar, agora que ele já está maiorzinho.

A noite foi mais complicada do que o habitual, o que é totalmente compreensível, dado ser um sítio a que não está habituado. A última vez que cá viemos foi no verão passado e era demasiado pequeno para se lembrar.

Iniciámos hoje o dia sem planos, com o único objectivo de passear e relaxar o mais possível.  Sim, passeámos. Sim, houve momentos simplesmente maravilhosos.



Mas também houve birras, choro e stress.

De um momento para outro, o S. começou a mexer em tudo, a deitar coisas para o chão, a gritar e a chorar quando o impedíamos de mexer em alguma coisa e transformou-se numa daquelas crianças que eu, antes de ser mãe, costumava olhar de lado e pensava como era possível ser tão “mal-educada”.

Como pais, tentamos ao máximo aplicar as práticas de uma disciplina positiva.

Mas hoje, no restaurante, enquanto voavam talheres e o choro punha os olhos de todos em cima de nós, enquanto tentava engolir um pedaço de bife e evitava umas mãos dentro da travessa do arroz… Hoje, por breves momentos, transformei-me naquelas mães que jurei nunca ser e compreendi esses pais que perdem a calma, que dizem coisas que não querem dizer.

Cruzei aquela linha por segundos, e se não fosse a constante calma e paciência do pai, talvez a tivesse passado para sempre.

Mais do que a indisciplina, que julgo ser uma consequência desta fase de descoberta e de testar os limites que o S. está a passar, o que realmente me assusta é a minha reacção às situações. 

Vamos ser claros, ele tem 12 meses, eu tenho 38 anos. Julgo que a pessoa que tem mais ferramentas para lidar com estes momentos sou eu. Perder a calma não deve ser admissível para um adulto. Se é fácil? Não.

Será que foi apenas um dia? Será uma fase? Como lidam com a indisciplina?

Trabalho fora de horas

Já passa da meia-noite. Estou a acompanhar a produção de um trabalho.  Hoje não vi uma série aos bocados, não andei a apanhar brinquedos do chão , não adormeci o meu filho nos meus braços.

Este é também o outro lado da maternidade. 

Onde é que se desliga?

Não sei onde vai buscar tanta energia!

Horas de brincadeira, em que a consegue revirar a casa toda, divisão por divisão.

Era de esperar que tivesse um sono tranquilo durante a noite, certo?

Dormiu em 12 meses e meio apenas duas noites seguidas.

Adora umas belas sestas mas normalmente o ritmo dele é sempre acelerado.

Mamãs com bebés que não dormem mais do que 4h seguidas, estou convosco.

Podem ver na ilustração acima, feita pela My Simple Life e inserida no livro criado para o 1º aniversário do S., como são as nossas noites lá em casa.

Eu sei o quanto pode ser desesperante não conseguir realmente descansar.

Nos primeiros meses senti realmente que estava à beira de um colapso, valeu-me a calma e o apoio do pai nesta altura.

Hoje em dia, só vos digo que a capacidade de adaptação do ser humano é realmente fantástica mas não deixo de sonhar (acordada) com uma noite de sono de 7h, pronto se forem 6h já fico contente (5h por favor).

 

O dói-dói pequenino

Não entendo o movimento contra as vacinas que ganha cada vez mais adeptos nas sociedades ocidentais.

Tenho para mim, que a vacinação é uma das maiores conquistas no domínio da saúde pública. A descoberta de todo o processo veio impedir a proliferação de doenças, muitas de fácil contaminação que podem ser mortais para qualquer criança.

A opção pela não vacinação, pela não protecção dos nossos filhos, baseada em dados pouco científicos e em estudos pouco credíveis parece-me uma decisão pouco informada sobre um assunto demasiado importante para não se trazer a discussão.

Todas as mães sabem que os dias da vacina e o após podem ser mais complicados. Os pediatras e enfermeiras informam sobre as febres normalmente associadas, pruridos entre outros efeitos secundários. Não nos podemos esquecer que estamos a inserir substâncias que obrigam a uma reacção do sistema imunitário. E é essa a sua função: criar anticorpos contra certas doenças.

Como diz o Portal da Saúde:

“As vacinas são o meio mais eficaz e seguro de proteção contra certas doenças. Mesmo quando a imunidade não é total, quem está vacinado tem maior capacidade de resistência na eventualidade da doença surgir.”

Enquanto não se encontrar outra solução para proteger as crianças contra certas doenças a vacinação é a opção mais eficaz e simples.

O S. foi fazer a vacinação do Programa Nacional de Vacinação relativa aos 12 meses.

Uma semana depois começou com febre, já antes prevenida pela equipa de enfermagem do centro de saúde e pela pediatra.

Foram 3 dias complicados, com febres e a descansar pouco.

Se trocava este dói-dói pequeno por um dói-dói grande?

Não.

Donas da razão

Todos os casais discutem.

É normal, é saudável e só mostra que têm pontos de vista diferentes sobre certos assuntos.

Mas, e quando as discussões são sobre as crianças?

Quando existem dois pontos de vista realmente diferentes é possível chegar a acordo? Tem sempre um que ‘perder’ e o outro ‘ganhar’?

As mamãs realmente ouvem o outro lado? Ou são sempre as ‘donas da razão’?

Ter um filho é uma decisão conjunta, de preferência planeada e desejada. Este pequeno indivíduo só existe porque duas pessoas contribuíram para a sua concepção. Então, se é tudo a meias, se a responsabilidade é igual porque os pais, muitas vezes, são postos de parte?

A opinião de um pai, não pode e não deve ser menor que a da mãe.

Como mãe faço um esforço diário para manter o equilíbrio. Quando estava grávida pensava que estas tomadas de decisões seriam sempre feitas em conjunto e de repente descubro que não sai naturalmente. Que sinto que a minha opinião deve ser tida mais em conta afinal, eu sou a Mãe.

De onde vem esta necessidade de ‘comandar as tropas’ em relação às crianças?

E vocês? Como é lá em casa? Também são as ‘Donas da razão’?

O primeiro aniversário

Quando a data do primeiro aniversário do S. se começou a aproximar materializou-se a sua real importância.

Até um mês antes, quando me perguntavam se ía fazer alguma coisa para o aniversário eu respondia que em princípio não, porque na verdade ainda não tinha realmente pensado nisso.

Nunca liguei aos aniversários. Pelo vistos, isto é uma coisa que também muda com a maternidade 🙂

Há medida que a data de aniversário se aproximava decidi fazer uma pequena festa apenas para a família mais chegada. Ponderámos alargar a mais pessoas, todas elas importantes para nós e com quem gostávamos de partilhar este momento. Com família e amigos a lista já passava as 100 pessoas! Desistimos e decidimos fazer um lanche em casa.

Acabei por decidir fazer tudo para o aniversário por incentivo do Z.  “Ah e tal que tu consegues… Que giro seria seres tu a fazer” E com esta conversa até acabei a fazer o bolo do Mickey que está aí em cima (sim, fui eu que fiz, juntamente com mais umas quantas coisas com a temática do Mickey, no final, o meu irmão acabou a dizer que a quantidade de comida dava para alimentar a República Popular da China)

Foi muito cansativo mas ainda bem que o fiz. Logicamente que ele não se vai lembrar mas ficamos com a memória dessa data para depois lhe podermos contar (e mostrar os vídeos).

O primeiro aniversário não é apenas dele, é o nosso primeiro aniversário como pais (mais 9 meses).

Ainda bem que criámos mais esta memória.

Oh boa. É bom. É demais. É tão bom.

 

 

O vírus da maternidade

Quando estava grávida, passava a vida a pedir ao Z. que nunca me deixasse ser daquelas mães que passam a vida a falar dos filhos. Obriguei-o a prometer que não iríamos passar a vida a falar dele e que ele me dissesse quando me estava a esticar.

Claramente, existe um antes e um depois de se ter um filho.

Hoje em dia uma grande parte das nossas conversas são sobre o pequenino e acabei a escrever um blogue, por isso, está claro que muita coisa mudou desde a gravidez.

Posso não estar a falar sempre dele mas estou, com toda a certeza, sempre a pensar nele.

Quem mais sofre deste vírus da maternidade?