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Conheça 5 estratégias para lidar com as birras dos seus filhos!

Nesta altura de férias em que vamos à praia, ao restaurante ou em que saímos de casa para um passeio, por vezes surgem as birras das nossas crianças nos momentos mais inoportunos. Nem sempre sabemos lidar com elas ou como reagir nestes momentos e por isso hoje venho falar-vos de algumas estratégias para poderem lidar melhor com esta situação.

Normalmente no momento das birras ficamos sem saber muito bem o que fazer e se tivermos uma reação desajustada temos a maior probabilidade de os filhos chorarem ainda mais e durante mais tempo. Ficamos naturalmente envergonhados e queremos sair dali o mais rapidamente possível. Mas apesar de toda esta situação constrangedora a birra é um processo normal e até positivo nas crianças, e porquê? Porque lhes permite aprender a lidar com a frustração. Surge normalmente por volta dos dois e mantém-se com mais intensidade até aos quatro anos. Nestas idades as crianças são naturalmente centradas em si próprias, egocêntricas e narcisistas, não conseguindo lidar com os limites colocados pelos pais. Estes limites e as limitações próprias da idade da criança (incapacidade para tomar decisões sem supervisão) geram uma enorme frustração para a qual a criança ainda não possui estratégias, e por isso surge o choro, o grito, o atirar-se ao chão e o espernear.

Isto é utilizado pelas crianças como forma de obter uma determinada resposta nos outros, nomeadamente a cedência dos limites, pois as crianças aprendem que os seus comportamentos geram determinadas respostas nos outros e aprendem a utilizá-lo a seu favor. Quantos de nós já cederam em comprar aquele brinquedo? Ou aquela guloseima? Ou em fazer o que a criança queria naquele momento? É algo perfeitamente comum por vezes cedermos, mas isso pode aumentar a frequência das birras. Por outro lado, quando somos mais inflexíveis então as birras tendem a diminuir até desaparecerem, aí por volta dos 5 anos de idade, quando a criança aprende outras habilidades para satisfazer a sua necessidade.

Para conseguir lidar melhor com estas situações aqui ficam 5 dicas essenciais:

1. Respirar fundo e ter uma atitude calma e serena

A nossa atitude calma e serena será apaziguadora para a criança e irá transmitir um sentimento de segurança. Ainda que seja uma situação difícil de gerir, é importante não elevar a voz nem ceder à irritação. Devemos ainda demonstrar que não vamos ceder às exigências e caprichos da criança pois isso demonstra-lhe que a birra não é a melhor forma de obter o que pretende. No caso de estarmos num lugar público devemos procurar uma zona mais tranquila, pois isso permitirá à criança acalmar-se gradualmente.

2. Estabelecer consequências para o comportamento

O estabelecimento de consequências permitem à criança perceber que os seus comportamentos têm consequências tanto positivas como negativas. Estas consequências devem ser claras, simples e adequadas à idade e compreensão da criança. Para que a criança compreenda este sistema de punição sem violência, é importante que o bom comportamento seja também recompensado quando ocorre, seja por exemplo através de incentivos verbais, seja cozinhando o prato favorito da criança, comprando-lhe um brinquedo que deseja ou deixando-o realizar uma atividade que lhe dá prazer.

3. Ter presente as necessidades das crianças

É importante percebermos que necessidades como o sono, a fome e a atenção são muitas vezes os “motores” de uma birra. Se estas estiverem satisfeitas a birra ocorrerá com menos frequência.

4. Estabelecer limites e regras claras, precisas e adequadas ao desenvolvimento

As regras têm sempre de ser bem delimitas, claras, precisas e adequadas ao desenvolvimento da criança. Regras demasiado restritas ou demasiado flexíveis deixam as crianças confusas. Devemos focar o discurso no “deves…” ao invés do “não deves…” para que a criança possa focar-se mais no comportamento adequado, o que facilita a sua aprendizagem.

5. Proporcionar algumas oportunidades de escolha

Proporcionar oportunidades de escolha à criança são importantes para que sinta que há coisas na sua vida em que tem alguma autonomia. Pode ser escolher entre duas peças de roupa, entre dois alimentos a comer na próxima refeição ou entre brinquedos a levar quando sair.

Sandra R. Santos
Psicóloga especialista em aconselhamento parental
Podem encontrar este texto e outros no blog Entre Consultas
Se quiserem saber um pouco mais podem ver aqui:
Consultório Psicóloga Sandra Santos

A segunda melhor Mãe do Mundo.

A família da minha Mãe tem um forte legado na agricultura e na cultura de plantar e colher da terra o que se precisa para viver.

Durante muitos anos, esteve afastada desse mundo mas, por muito que se tire a rapariga dos Foros de Almada (perto de Santo Estêvão, Benavente), não se tira os Foros de Almada da rapariga. Voltou à origens, voltou a meter as mãos na terra, voltou a criar e, com isso, voltou a viver.
“A horta e os animais são a minha casa. Não preciso de mais nada”, diz ela. E não só diz como o mostra e vive todos os dias.

Mãe GalinhaQuando voltou às tais origens, teve de reaprender uma data de coisas e aprender umas quantas outras. O processo de tentativa e erro foi duro mas, por cada rebento que nascia forte e sobrevivia, a expectativa e a esperança de estar no caminho certo crescia.

E foi o descalabro, o caos.

A minha Mãe, sendo Mãe e possuindo um coração de Mãe gigantesco, simplesmente não era capaz de, por exemplo, plantar meia dúzia de alfaces para comermos. Não. Eram 50. Couves? Dez metros de rebentos plantados. Alhos franceses? Dezenas. Era tudo muito. O prazer que tinha em cuidar das coisas e em as ver crescer quase que a viciava a fazer mais, a plantar mais, a tentar mais, a conseguir mais. Não dávamos conta do recado (há limites para a quantidade de alfaces que um pessoa consegue comer por dia) e ela queixava-se, como boa Mãe que é, que nós não comíamos nada, que não gostávamos das coisas dela, que andava a trabalhar em vão. Claro.Mãe Galinha

Sendo eu filha de minha Mãe e tendo eu sangue de pessoas que passaram as vidas de mangas arregaçadas, decidi mostrar ao Mundo o que  que a filha de seareiros andava a fazer enquanto o resto do mundo se preocupava com tudo menos com a altura em que os pintos da galinha amarela iriam nascer (por exemplo).

Criei a Mãe Galinha e ofereci-me para levar as coisas boas que a minha Mãe produz até casa das pessoas. Agora, quem quisesse, podia provar tudo o que a minha Mãe criava e deliciar-se com os sabores de antigamente.
Hoje em dia, uns anos depois e com muita aprendizagem pelo meio, é com enorme orgulho e muita vaidade que percebo o que a minha Mãe realmente faz e o seu grupo de fiéis consumidores percebeu no imediato – mimo. Eles perceberam que o facto de haver quem vá para a terra trabalhá-la de sol a sol só para ter os alimentos mais saudáveis possível é algo que, hoje em dia, rareia. Eles perceberam que quem faz o que ama, só podia ter resultados que todos adoram.

Ela planta physalis porque sabe que a filha da J gosta muito. Ela escolhe melhor as beterrabas porque sabe que a Mãe da E as adora. Ela tem especial cuidado com os morangos porque sabe que morangos com aquele sabor são uma raridade e que todos os adoram. Ela ata as folhas de couve com cordel porque assim é mais fácil de arrumar no frigorífico. Ela colocou um aparelho de ar condicionado na casota dos coelhos porque sabe que têm mais calor que os outros animais. Ela separa e trata nas palminhas as galinhas que fiquem chocas. Ela trata logo da saúde a galos que sejam mais violentos e ataquem os outros animais (e se a atacarem a ela, é certinho direitinho que em breve haverá galo estufado ou assado no forno…). Ela corta os talos maiores porque sabe que as pessoas preferem as folhas suculentas. Ela faz a colheita pela fresca, quando o sol ainda mal nasceu, porque é quando a Horta está mais bonita e os seus produtos mais vistosos. Ela planta batata doce porque sabe que há muitas pessoas a pedirem e fala com a vizinha para saber se pode apanhar a fruta quando estiver em época porque fruta faz bem e todos deviam ter acesso àquela em particular por ser tão boa.

Mãe GalinhaA minha Mãe, a Mãe Galinha, tem asas que aninham dezenas e dezenas de pessoas, que as confortam e enchem a barriga com coisas boas. Para cada um de nós, a nossa Mãe é sempre a melhor Mãe do Mundo (a minha é!). Mas esta, a Mãe Galinha, é a segunda melhor Mãe do Mundo sem dúvida alguma.

Sónia (Filha da Mãe Galinha)

Podem conhecer melhor esta Mãe Galinha aqui.

Mãe, vais morrer?

Para quem não sabe, tornei-me insuficiente renal há 3 anos e nessa altura tive que tomar a decisão de como iria conviver com a minha doença e o facto de ser mãe na altura de um menino de 5 anos.
Na altura o choque foi seco, não houve grande tempo de raciocinar sobre tudo o que estava a acontecer, mas havia algo ou alguém que me obrigava a tomar decisões rapidamente e tentar acertar o melhor que podia.
Não é fácil explicar a uma criança de 5 anos que a mãe está no hospital, vai ficar lá, que tudo vai mudar a partir dali. Mas o meu marido, com tudo o que estava a acontecer, conseguiu fazer o mais difícil e da melhor forma. Tendo todo o cuidado do mundo, claro, ele explicou ao filho de igual para igual, tudo o que estava a acontecer, sem esconder nada.

Explicou que os meus rins tinham parado, que iria passar algum tempo no hospital, que iria vir para casa e que as coisas iriam mudar.
Não explicou ao pormenor, mas deu a ideia e deixou que ele fizesse as suas perguntas. O que o meu marido conta que ele até reagiu bem, mas depois quando iam no carro ele quebrou e chorou. Normal! O meu marido parou o carro e consolou-o! O primeiro dia tinha sido superado, o mais difícil passou!

Isto para chegar a como eu consegui ultrapassar esta situação junto do meu filho.

Posso dizer que o que me salvou a vida foi o facto de ser mãe, na altura todos os pensamentos iam para o Luís, o meu filho.

A preocupação constante como ele estava, como estava a reagir, o que isto o ia afectar e como eu não lhe queria estragar a infância, dava-me forças. Eu não podia desistir e tinha que manter a normalidade ao meu filho. E isso foi-me dando forças para enfrentar tudo, mesmo nas alturas que já não as tinha.
Quando regressei a casa, apercebi-me que tinha uma criança muito curiosa e que queria saber tudo sobre rins. Tentei explicar tudo, decidi nunca esconder nada. Tentei ao máximo simplificar as respostas, algumas difíceis, mas fui com o tempo apanhando o jeito.

Mas houve uma pergunta a qual nunca esqueci, a derradeira pergunta, aquela que assombra qualquer pai e que é a mais difícil de responder:

– Mãe, vais morrer?

Acreditem que ainda hoje me custa relembrar o momento, as lágrimas correm-me sempre quatro a quatro, cada vez que o faço. No primeiro minuto, não consegui dizer nada, apenas olhei para a carinha de olhos esbugalhados à espera de uma resposta. A única coisa que eu pensava, era o que lhe ia dizer, como dizer e como evitar que aquilo o assombrasse.
Guiada pelo meu instinto e sem saber o que estava a fazer, apenas respondi

– Sim, a mãe vai morrer um dia, porque todos morrem. Mas eu não sei, quando vai acontecer! Nunca sabemos, mas é natural! É a vida!
– seguida disto veio claro, várias afirmações de: eu não quero que tu morras, não quero ficar sem ti.

Eu ouvia as palavras saírem da boca dele e a única coisa que eu queria era chorar, mas não podia, estava decidida a fazer daquela conversa, algo leve, algo natural e simples.

Então expliquei-lhe que mesmo que um dia eu morresse eu iria viver sempre no coraçãozinho dele, que iria sempre estar com ele, que nunca sairia do lado dele e que bastava ele lembrar-se de mim que eu iria estar ali.
Foi então que me perguntou quando se me podia ver e eu respondi:

– Olhas para o céu e a estrela que estiver a brilhar mais, sou eu! Mas se fechares os olhinhos e me recordares, já sabes que eu estou perto de ti!

Conversámos mais um pouco sobre o assunto e respondi a tudo o que perguntou, não recusei nenhuma pergunta. Tentei minimizar o que podia, mas tentei também ser realista.

Queria um filho preparado, queria e quero protegê-lo até depois da minha morte, porque ninguém vive para sempre, nem os pais. É o meu dever!

Depois desta conversa, houve mais algumas. Era normal! Tinha sido uma grande alteração nas nossas vidas e tanto eu como o meu marido tínhamos decidido que para ele o melhor seria contar-lhe tudo e nunca esconder nada. Ele era e é uma criança muito pragmática, tinha de ser assim com ele, impossível de outra forma.

Hoje olho para ele e penso que tomei a melhor decisão. O Luís é uma criança feliz, com a sua inocência de criança, muito esclarecido nestas coisas de saúde. A morte para ele é algo natural, algo que faz parte da vida. Já não fala no assunto, pois está esclarecido e não tem questões.
Na altura a forma como eu queria conduzir a minha vida e conviver com a minha condição foi-me ensinada pelo meu filho. Eu tinha de viver e não sobreviver e como mãe devia-lhe isso! Somos felizes!
Muitas vezes escondemos o problemas às crianças, para protegê-las, pois achamos que não sabem lidar, não estão preparadas. Mas, a verdade, é que são mais fortes do que aquilo pensamos.

Paula Almeida, mãe de um pirata muito feliz! A vida fechou-lhe uma porta, mas abriu-lhe várias janelas. Autora do blog PadaandLuda

O pai no Caos!

Este é um blogue sobre o doce caos em que a nossa vida se tornou após sermos mães! Tivemos desde o início o objectivo de partilhar experiências, medos, soluções.

No fundo partilhar, ajudar e pedir ajuda com o dia-a-dia de quem tem filhos e com eles tantas e tantas dúvidas. Por esse motivo é que desde o início trouxemos convidados com histórias de vida diferentes das nossas,  mães de gémeos, madrastas, pais que trabalham em continentes diferentes dos filhos, mães com crianças especiais e tantos outros convidados fabulosos!

Durante muito tempo ao primeiro domingo de cada mês contávamos com a participação especial da querida Nutricionista Sandra Almeida e os seus artigos de nutrição infantil. 

Depois lançamos o desafio de nos contarem as histórias dos vossos partos, e tivemos tantas partilhas que de certeza ajudaram quem nos lê desse lado.

Agora chegou a vez do Pai! A partir de amanhã, ao primeiro domingo de cada mês, teremos um post especial escrito por um pai.  Vamos partilhar com vocês o doce caos visto pelo pai.

O pai de serviço no Caos será o Paulo Couto que já foi nosso convidado anteriormente e como poderão ver tem o dom da escrita e do humor!

Ocasionalmente outros pais se poderão juntar a nós e qualquer papá poderá enviar-nos o seu texto para blog@sweetcaos.com

Esperamos continuar a atingir o nosso objectivo e partilhar com vocês pontos de vistas sempre diferentes sobre o doce caos da vida de quem tem filhos.

Esperamos que gostem! 🙂

Síndrome de Ansiedade

Desde que me lembro sofro de Síndrome de Ansiedade…

Recordo-me de estar na escola e sentir vários sintomas: as mãos a suar, o coração a palpitar e uma sensação de estar fora do meu corpo.

Naquela altura sentia que era um assunto tabu, talvez devido à falta de compreensão por parte das pessoas que me rodeavam, algo muito comum a quem nunca sentiu na pele este problema. Vi por exemplo, muitas vezes a minha mãe a chorar porque não sabia o que fazer comigo, principalmente quando muitos familiares e a maioria dos médicos a quem recorríamos, diziam que era mimo. Cresci então como a miúda mimada cujas reações envergonhavam facilmente a família.

Como é normal naquela idade eu era uma criança cheia de sonhos e objetivos, mas devido a esta condição muitos deles tiveram de ficar para trás.
Desses sonhos havia alguns que sobressaíam: ser uma mulher independente, encontrar alguém especial – o amor da minha vida, como sempre gostei de dizer – e construir uma família.
Quanto a ser independente, mesmo sendo algo extremamente difícil para quem sofre de Síndrome de Ansiedade, ainda hoje em dia faz parte da minha luta. Mas apesar de todas as barreiras impostas por esta condição, consegui criar o meu próprio negócio, um feito do qual muito me orgulho.
Quanto ao outro, a verdade é que tanto sonhei e desejei que consegui encontrar alguém que me aceita como sou e ainda por cima me admira ao ver como luto diariamente sem desistir, contra os obstáculos que este problema me coloca, como as crises de ansiedade, os pontuais ataques de pânico, etc.
Para conhecer essa pessoa foi preciso a ajuda de um certo passarinho azul muito conhecido por sinal, que nos juntou em pouco tempo. O Twitter!
Apesar de tomar a pílula acabei por engravidar, não tendo a noção naquela altura que certos medicamentos para a ansiedade e depressão ajudam a atenuar o efeito da pílula.
Mesmo sendo uma surpresa inesperada ficamos muito felizes, tendo sido desde logo algo muito desejado!
Após o “carrossel” inicial de emoções entre o choque e a felicidade que esta maravilhosa notícia me fez sentir, dei por mim a pensar na medicação que tomava e no impacto que poderia ter na gestação do bebé. Como é que eu iria eu gerar um bebé e ao mesmo tempo tomar os medicamentos indispensáveis para tratar e controlar o meu problema? – perguntei a mim mesma muitas vezes de lágrimas nos olhos.
Consultei então a minha médica ginecologista que desde logo me encaminhou para uma psiquiatra de forma a se traçar um plano de redução da medicação.

Esta foi uma fase muito difícil porque logo de início comecei a sentir a falta da medicação e fui-me abaixo… Havia dias em que fazia o caminho de casa para o trabalho sempre a falar ao telemóvel para não ter de pensar na possibilidade de ter uma crise de ansiedade.
A intensidade com que vivi os três primeiros meses da gravidez foi muito grande ao ter que ao mesmo tempo reduzir a medicação, – entretanto já noiva – ter que organizar o meu casamento e tratar do processo de compra de casa… Se para uma pessoa que não sofre deste tipo de patologia gerir tudo isto ao mesmo tempo (e em pouco tempo) seria muito complicado, o quanto não o foi para mim.
Com toda esta turbulência acabei por ter alguns pequenos sustos com a gravidez – perdas de sangue, constantes idas às urgências, etc. – tive que saber muito bem gerir os meus níveis de ansiedade e stress, porque sabia que se eu me alterasse quem iria sofre era o bebé. Para isso tentei aprender alguns truques ao nível da respiração e ouvia música para me acalmar e relaxar, mas acabou por não ser o suficiente.
Cada vez mais fiquei “presa” a este síndrome que teimava em dominar a minha vida. As palpitações, os suores frios, a falta de segurança em mim própria e medos como o de perder o bebé ou o de eu morrer, eram cada vez mais uma constante.
Uma vez mais voltei a recorrer às médicas que me acompanhavam, aconselhando-me desde logo repouso absoluto, fazendo também os ajustes necessários na medição que tomava. E para piorar a minha situação a empresa para quem trabalhava aproveitou o fato de eu estar grávida para não renovar o contrato de trabalho, ficando sem emprego e sem qualquer tipo de rendimento.
Isto afetou-me bastante porque como já mencionei, sempre valorizei ser uma mulher independente e jamais me via a ser sustentada por quem quer que fosse.
Foi por esta altura que senti dentro da barriga o primeiro pontapé do meu filho. Senti-lo desta forma fez-me ganhar um novo animo e prometi a mim mesma que não iria desistir de lutar para trazer ao mundo um bebé saudável.
O suporte familiar foi também essencial para o conseguir, e o apoio que tive especialmente do meu marido e da família mais chegada, foi incrível!
A entrada para o último trimestre da gravidez tinha já engordado mais de 20kg, o que me trouxe algumas complicações ao nível da coluna, pernas e nervo ciático, começando a ter dificuldades em caminhar. Por isso foi com uma enorme sensação de alívio – e recordo-me como se fosse hoje – o dia em que ficou marcada a cesariana. A ansiedade de ter o meu filho nos meus braços era muita.
Quando finalmente chegou o dia curiosamente acordei calma e dei entrada no hospital apenas com o meu marido, para evitar a ansiedade dos restantes pessoas, mantendo à minha volta um ambiente tranquilo. Subi para a sala de cirurgia bastante tranquila onde pouco depois iria sentir um alívio enorme nas dores no nervo ciático graças à epidural.
Mal me foi administram a epidural o meu marido entrou e sentou-se do meu lado a dar-me a mão.
Numa questão de poucos minutos ouviu-se um choro de bebé, e ao ver o meu marido lavado em lágrimas de felicidade, caí em mim: Já sou mãe!
Logo de seguida puseram-no junto a mim e num momento muito íntimo por entre uma “chuva” de beijinhos, prometi que iria protege-lo enquanto fosse viva!
Senti desde aquele primeiro segundo como se já o conhecesse desde sempre.
Foi sem dúvida o momento mais feliz de toda a minha vida!
Como todo o processo da cesariana correu dentro da normalidade, não demorei muito em descer para o meu quarto para descansar e partilhar com a restante família – que entretanto foram chegando – este momento de alegria e amor!
Hoje sinto que sou uma pessoa mais completa e confiante, que luta diariamente para que o meu filho cresça feliz e pelo amor que me une ao meu marido.
Provavelmente terei que viver com isto a minha vida toda, e se assim for, que seja… Porque sou muito feliz!!

 

Joana Macedo Silva

 

Queria Joana, muito obrigada pela tua partilha e pela tua coragem! Desejamos-te tudo de bom e que continues a vencer no teu caminho! <3

O parto da bebé mais linda que o hospital de Abrantes já viu!

Fui convidada pela minha querida Bárbara para contar como foi o parto da minha Maria Leonor.
Pois bem, o meu parto…

Vamos voltar ao dia 30 de Agosto de 2014 pelas 21h, que foi quando tudo começou.
Passei o dia 30 de Agosto a subir a descer as escadas do meu prédio porque me tinham dito que ajudava a acelerar o processo, sim, porque eu desde os meus 7 meses de gravidez que estava deserta para que a gravidez terminasse porque toda eu era uma bola com pernas sem joelhos e sem tornozelos.
Por volta das 20h do dia 30 disse ao marido: “Já que a miúda não quer nascer que me dizes de irmos à festa da terra dos meus avós ver os Némanos?” (ehehe)
Claro que ele me ignorou completamente e disse que eu era maluca.

Às 21h em ponto estava na minha cozinha e sinto um liquido quente a descer pelas pernas, sem que eu tivesse qualquer controlo sobre ele!
Vou a passo apressado para a casa de banho e dou de caras com o meu marido sentado na sanita a jogar candy crush!
Sem dizer uma palavra, fico parada a olhar para ele e a apontar para os calções ensopados.

Fomos a voar para o hospital de Abrantes, no caminha avisei os meus pais e só pensava “mas onde raio estão as contrações??”
Chegamos ao hospital e fui sujeita a toda a preparação standard para ter uma criança (devo confessar que meter o cateter do soro foi uma coisa bastante dolorosa).
Até aqui tudo bem, fiquei eu e o Tiago no quarto à espera das bem ditas contrações…
Era meia noite e nada de nada, e dilatação no 2… estava bonita a cena… já só pensava que ia para cesariana porque já me tinham arrebentado as águas há algumas hora.

Por volta das 3h da manhã começam a vir as ditas cujas! Ui! Jesus senhor!
Para mim foi um misto de pontapé nos rins, com murro no estômago e com cólicas ao mais alto nível! (mesmo assim acho que estou  a ser simpática)
O Tiago olhava com muita atenção para o aparelho de registo do CTG, a antecipar cada contração, mas isso não me ajudava muito. Contração vai e vem e dilatação nem vê-la…

Resolvi chamar a anestesista (que devia estar a dormir tranquilamente) para me dar a epidural, para mim não fazia sentido estar a sofrer daquela maneira quando havia algo que me poderia aliviar o sofrimento e tornar o momento do parto mais tranquilo.

Após 3 picadelas na coluna (a senhora anestesista tinha mau feitio quando acordava), lá consegui relaxar, e minhas amigas, a epidural, apesar de parecer que estamos paraliticas, foi a melhor invenção de sempre!!!

Lá consegui adormecer levemente, e foi o bastante para passar de 2 de dilatação para um 8!

Às 8.45 do dia 31 aparece a minha médica, que diz que ainda tinha de esperar um bocadinho.
O Tiago aproveitou para ir beber um cafézinho e deu lugar à minha mãe.

Neste entretanto sou vista por outro médico que vai ver como estava a dilatação e do nada começa a gritar : “ Oh Helena (a minha médica) despacha-te!!! Já estou a sentir aqui a cabeça!!!”
Bom… acho que não preciso de dizer que fiquei em estado de choque com aquelas palavras.

Entre “faz força”, “só mais um bocadinho” , e um médico louco a empurrar a minha barriga, às 9h e 17 minutos do dia 31 de Agosto de 2014 nasceu de parto normal, com 50cm e 3kg750 a bebé mais linda que o hospital de Abrantes viu nos últimos tempos 😀
A sensação de a ter no meu peito assim que nasceu e de a ver a tentar chegar ao meu peito para mamar, é uma coisa que não há explicação! <3

Estivemos 2 dias no hospital e regressamos a casa!

Inês Lourenço Tomé

 

Obrigada menina dos três nomes próprios por partilhares a tua experiência e um grande beijinho à princesa pequenina <3

O nascimento da Julieta!

É com muito prazer que aceitei o convite da Bárbara para falar do meu parto e do nascimento da Julieta. É um momento que me lembro imensas vezes e sempre com um sorriso nos lábios.

Toda a gravidez foi muito tranquila, fiz sempre a minha vida normalmente, continuei a ir ao ginásio. Acho que fiz spin até ao oitavo mês. E só parei porque o meu marido sofreu um acidente, partiu uma perna, foi operado e como tal as coisas complicaram um pouco.
Foi um valente susto o acidente mas mesmo assim a Julieta manteve-se tranquila cá dentro.

Na altura não sabíamos ser uma Julieta porque não quisemos saber o sexo da criança, queríamos deixar essa emoção para o parto.

Aos 8 meses e meio acabei o que tinha a fazer no trabalho e comecei a trabalhar mais por casa para dar assistência ao meu marido, mas todos os dias a minha caminhada de 5/6 km estava assegurada.

Os dias foram-se passando e a Julieta não dava sinais de querer sair, mas estava tudo bem com ela.
Chegamos às 41 semanas, a minha obstetra ia de férias mas eu não queria induzir. Queria um parto normal e que fosse a minha filha(o) a dizer quando estava pronta.
Eu sou investigadora em ciências biomédicas e na minha opinião o corpo humano é uma coisa fantástica, que tem o seu tempo e que nós efetivamente ainda percebemos muito pouco. Fui contra a minha obstetra e às 41 semanas não induzi, esperei…
Tive ajuda da enfermeira Isabel Ferreira da Gimnogravida (enfermeira parteira) que me examinou e viu que estava tudo bem. Ajudou-me também a perceber que é normal. Uma gravidez são 40 semanas (+/- 2) o que quer dizer que efetivamente pode ir às 42 semanas.

Continuei a caminhar e a esperar.
Já quando estávamos a decidir em que dia iríamos induzir na madrugada do dia 14 de Agosto (41 semanas e 6 dias) acordo cheia de dores nas costas (já me tinha sentido assim antes de me deitar). Sinto uma cólica e pelas 5h apercebo-me que é hora, as contrações estavam a começar. E estas realmente não deixam duvidadas, começaram em cheio!
Olho para o relógio e elas vinham já de 5 em 5 min.

Como o meu marido não podia guiar ligamos ao meu cunhado que chegou rapidíssimo, ainda antes de eu conseguir meter as poucas coisas que me faltavam na mala, uma vez que já tinha pouco tempo em que me conseguia mexer entre uma contração e outra.

Fomos para o Pedro Hispano (foi o hospital que escolhemos uma vez que estão já habituados a partos naturais e as referências que tínhamos eram muito boas).
Chegamos ao hospital as 7h e fui logo vista por uma enfermeira que disse que ia nascer.
Fomos para a sala de parto, o meu marido entrou e as 7:30h a minha filha nasceu. Foi um momento fantástico, muito rápido e lindo.

Se doeu? Sinceramente não me lembro da dor. As contrações doeram sim, mas já tive dores muito piores.

A alegria de sentir a minha filha a nascer, de sentir realmente, de ser eu a fazê-la nascer, muita!

Ela foi colocada no meu peito, deixamos pulsar o cordão umbilical, fui eu quem o cortei.

De seguida tive uma descarga de adrenalina enorme, tremi durante cerca de 20 minutos mas estivemos sempre os 3 juntos.
Quando me acalmei vestimos-la e ficamos ali a aproveitar o momento. Foi mágico!

 

Ligia Tavares

Obrigada pela partilha Ligia, acabaste de restaurar a fé nos partos 🙂
Muitos beijinhos a todos  em especial à Julieta!

O parto ou como ser super-mulher por umas horas!

Fui à revisão. 6 semanas depois e lá estava eu para ver como estavam as minhas entranhas pós-parto e falar de planeamento familiar. Fui à revisão. E no dia anterior passei em revista o parto, este meu último parto. E fiquei um bocado afectada. A memória ainda está fresca, ainda cá andam muitas sensações daquelas horas.

O meu bébé parecia que ia ser grande. As máquinas e os técnicos diziam que sim, que as medidas da cabeça, do fémur, da barriga do cachopo faziam prever um bebé de 4kg. E como eu já tinha tido uma cesariana prévia, tinha assim indicação para outra. Mas hoje em dia quando se fala, ouve ou pensa na palavra cesariana dentro da maternidade, parece que estamos a pecar, a cometer um crime ou o caraças mais velho, tal é a pressão para reduzir o número de cesarianas. A gente ouve isso nas notícias, mas não me venham com coisas, também se sente pelos corredores e gabinetes da maternidade.

Esta jovem esteve a um passo de ser entrevadinha, pois que tem espinha bífida oculta que só descobriu quando, uns anos depois de ser delegada de informação médica, papar muitos quilómetros de carro e ter dores horríveis de costas, fez um RX e descobriu a bendita condição espinal. Ora, esta coisa coloca a epidural numa miragem, numa possibilidade que na realidade não existe, porque, apesar de ser compatível, das duas vezes nenhum anestesista se quis atravessar à frente dela para me dar a epidural. E deixam a decisão na mãe, ali, tapada com uma bata fina, a tripar com dores, vulnerável e com muito pouco neurónio a funcionar em condições. No parto das meninas fui ao engano, crente que haveria um anestesista capaz. Mas não. Um parto à antiga, sem epidural, cheio de dores, mas como a cachopa era pequena (a outra depois nasceu por cesariana…uma aventura, o nascimento das gémeas) nem me custou muito a fase da expulsão. Desta vez, voltei a ir convencida desse tal anestesista, qual ânsia pelo D. Sebastião, e o dito clínico voltou a colocar a decisão em mim. Ora porra, EU TENHO DUAS FILHAS PARA CRIAR, pá, e parece que vem aí mais um, não posso arriscar complicações!!! E como diz um amigo, parti para a loucura.

Oito horinhas em trabalho de parto sem epidural! Oito horinhas com uns anestésicos que apenas me punham a dormir entre contracções, que as senti todas, todinhas. Bem como todos os toques. É uma violência! É preciso muita capacidade de abstracção para uma mulher não se sentir violentada…devia haver outra maneira para saber em que estado está a dilatação…é tão violento, tantas vezes…e sem epidural…chorei e berrei muito…uma mulher demora muito tempo a esquecer-se desta parte dos toques; como neste artigo, só pensava “meu rico pipi”.

O meu mau feitio veio ao de cima, disse que eu é que sabia o que estava a passar, disse para irem treinar toques para outro lado, e não estava a falar de futebol, implorei carradas de vezes por uma cesariana, gritei muito e só não cuspi em toda a gente porque estava deitada e não tinha poder de alcance. Fui muito má, mas não me conseguia controlar, caneco.

A fase da expulsão foi horrível, dolorosa, caótica, quase que não dava tempo para preparar a cama e a artilharia para o parto. Passo esta parte à frente, porque é mais do mesmo: berros, gritos, dores, por aí.

O Joaquim saíu, chorou imediatamente e senti-me finalmente livre daquele pesadelo. Confesso que foi isso que pensei: “acabou”. Não senti nada de felicidade por ser mãe outra vez…só por aquilo ter acabado.

Puseram-me o meu filho em cima, na barriga…desajeitado. Ele era tão grande (4050 gr) que, naquele momento, escorregou. Deitei-lhe a mão e a primeira coisa que lhe disse, foi “ó filho, porra!”. Muito romântico!

O pai cerejo foi atrás dele, disse que era muito bonito e parecido com a Laura. E eu perguntei “podemos ir embora?”.

Ainda sofri mais um bocado, por causa dos pontos que me doeram cumó caraças…sem epidural (esta gaja, a epidural, há-de ser sempre a minha miragem).

Por isto, custou-me muito ir à revisão. Voltei a reviver algumas das dores…mas vá lá, está tudo bem. Falou-se de planeamento. A loja fechou e tenho que escolher a melhor forma para garantir o fecho. E o sôtor perguntou se tinha dúvidas, eu disse que não e ele disse “é uma mulher sem dúvidas”. “Por acaso não é verdade, costumo ter muitas dúvidas, não sou como o Cavaco”. E do lado de lá dois silêncios de dois médicos internos, talvez por serem muito novinhos, um sorriso ligeiro da médica, talvez por ser próxima da minha geração, e um silêncio cortante do doutor, talvez por estar a entrar em assuntos que não são para ali chamados. Ainda bem que foi no fim da consulta. Eu e a minha mania de ser engraçadinha…

Carla Miguel

 

cerejeinhas3Aqui está uma foto recente das cerejinhas da Carla! As gémeas e o mano caçula <3

 

Este texto foi partilhado originalmente no Blogue da Carla.
Um blogue que adoramos e recomendamos e onde aprendemos imenso por isso ficamos muito felizes da Carla partilhar a história dela também no nosso blogue 🙂 Obrigada e beijinhos ao cerejal!

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Manas L e duas experiências tão diferentes!

1ª experiência – LEONOR

Tal como a Bárbara eu tinha horrores ao parto e adiei a maternidade por 5 anos, até que cheguei aos meu 30 anos e disse para mim, ou é agora ou nunca… E foi, engravidei da Leonor.

Quando soube que estava grávida, fiquei tão feliz que nem me lembrei que ela tinha de sair passados 9 meses (ui que medo).
A gravidez foi passando, mas pelas 14 semanas de gestação esta “menina” pregou um susto à mãe, tive descolamento da placenta e “atiraram-me” para uma cama até quase ao fim da gravidez.
Cada vez que fazia uma ecografia a médica dizia-me, cuidado mãe podemos ver algo menos bom, mas eu só dizia: “nada disso Dra. este bébé vai nascer lindo e saudável, eu sinto”, e assim foi.

No dia 11 de Setembro de 2011 estava eu sentadinha no sofá a ver as notícias sobre o que se tinha passado no atentado do 11 de setembro, quando fui ao WC fazer xixi e, ui o xixi não parava de sair, corri para a sala pedi ajuda ao pai dela e lá fomos para a maternidade, cheguei lá perguntei à enfermeira: “já posso ir para casa? já parei de fazer xixi e só tenho parto marcado para dia 15 de setembro, até lá ainda me falta comer a minha bola de berlim.”  Resposta da enfermeira: “Nada disso mãe, vamos analisar a mãe e ver os batimentos da bebé e prepará-la para o parto, não tarda nada a rapariga está cá fora!!!”
Entrei em pânico, tal como a Bárbara, também tive as aulas de preparação para o parto mas que não me serviram para nada.
Lá fui eu para a sala de partos e só ouvi a e enfermeira dizer ao pai para ir para casa e que regressasse de manhã.
Passei a noite toda a ouvir gritos de outras mães e eu nada… nada… e nada e só pensava que algo estava errado, todas gritam com dores menos eu, eu não tenho dores e passaram-se assim 17 horas sem dores, sem nada, até que um médico chegou junto de mim, fez-me o toque e disse: “Vamos lá!”! E eu perguntei “para onde?” e ele respondeu: “conhecer a sua filha”.
Disse-lhe que  não tinha dores e estava bem mas o médico respondeu que era por isso mesmo, que a  menina tinha decidido sentar-se e dormir mais um pouco, portanto tinhamos de acordá-la e apresentar-lhe a sua nova vida.
E lá fui eu e ela para o bloco.
Despedi-me do pai dela e fomos as 2.

A rainha Leonor nasceu de cesariana a 12 de setembro de 2011, pelas 14h, com 50cm e 3140kg.
A Leonor chorou, a mãe chorou!
Estava com uma conjuntivite e tinha de ter muito cuidado para não lhe transmitir mas a minha filha era e é perfeita, linda, fantástica e é a minha melhor amiga, pois a Leonor apesar de criança já me apoiou tanto….

Foi um parto fantástico feito pelo Dr. Vitor na maternidade Júlio Dinis, nunca ouvi tantas anedotas durante um parto, posso dizer que o meu foi divertido e que no final correu bem!
A Leonor nasceu numa 2ª feira, passado uma semana eu já conduzia, claro que tive muitas dores no pós-parto, mas sempre aguentei bem, tão bem que passados 28 meses repeti a experiência.

Leonor

 

2ª Experiência – LAURA

Como já disse anteriormente adorei tanto a experiência de ser mãe como a do parto, apesar de tudo tinha corrido tão bem, que passados 28 meses a história repetiu-se mas com algumas grandes diferenças.

Voltei a engravidar e a 24 de janeiro de 2014, com 39 semanas, e parto marcado para este dia, dei entrada pelas 7h30 da manhã na maternidade. Desta vez consegui comer a minha bola de berlim.

Deixei a minha filha Leonor com os meus pais e fui o caminho todo a chorar para a maternidade, pois ia ter outra filha, mas tinha deixado outra que tinha 28 meses.
Quando temos outro filho a sensação de ter outro é boa, mas ao mesmo tempo preocupante, pois eu ia com receio que alguma coisa corresse mal… e deixasse para trás o meu bem mais precioso, a minha filha Leonor.  É mesmo uma sensação muito estranha, não sei explicar, foi um medo que se apoderou de mim,  fiquei muito ansiosa, só queria chegar à maternidade e que a Laura nascesse rápido para eu puder estar com as duas… Desculpem este meu desabafo, mas foi assim que me senti!
Cheguei à maternidade e examinaram-me, certificaram-se dos batimentos cardíacos da minha filha, mandaram-me trocar de roupa e fui para uma cama. Passados 10 minutos chega a médica, apresentou-se disse que seria a equipa dela a fazer-me o parto, fez-me algumas perguntas e após isso, começou o meu terror, desculpem, mas foi mesmo assim um filme de terror que parecia não ter fim… provocaram-me o parto, rebentaram-me as águas…
Em termos de comparação, sabem aqueles espetos de assar os frangos??? Pois foi mais ou menos assim que me rebentaram as águas, primeiro deram-me uma medicação intravenosa, depois vieram enfermeiras e agarraram-me nos braços, depois a médica com dito “espeto” e já está, ai se pudesse naquele momento tinha-me atirado a ela, doeu tanto, mas tanto que eu só pensei magoaram a minha bebe, mas não! Senti-me toda molhada a esvaiar-me toda de água, urina e sei lá que mais, fiz a minha comparação com uma gata a parir.
Eu só dizia, “Dra. eu fiz uma cesariana há 28 meses, não corro riscos, não é melhor fazerem-me outra?” e ela respondeu-me “você é médica? o protocolo diz que só se for inferior a 24 meses, a sra, já passou mais 4 meses”. Pois, pensei eu, ela terá razão.
Trocaram-me a roupa e mandaram-me para o corredor andar, como se eu pudesse, pois se da Leonor não senti dores, da Laura senti e muitas…. Só Deus sabe o que se passou ali…
Andei, andei, andei, conversava muito com o meu pai pelo telemóvel, chorava muito, tinha fome e sede, só queria ver a minha filha Leonor e ter a minha filha Laura nos braços.
Estive a maior parte do tempo sozinha… sentia-me só…. Até que pelas 20 horas me mandam para a BOX, começam a dar a epidural.
“Bolas!” disse a anestesista. Eu estava sentada de cócoras e cheia de dores, mas perguntei, “Passa-se alguma coisa?” Respondeu que sim, que ia doer um pouco porque a agulha partiu!
OK, mais umas dores, mas lá me aguentei. Mandaram-me deitar na cama, medem tensões, os batimentos meus e a da minha filha, dão-me medicação, sei lá mais, que me fizeram, até que me levantei e disse: “Estou aqui desde as 7h30 da manhã, já passam das 20h e a minha filha não nasce, o que se passa???”
Lá vem a médica, mais medicação, só que desta vez acho que foi para me acalmar. Estava sozinha numa sala que parecia o inferno, acho que estava tão anestesiada que  deixei de sentir as dores. Apanhei uma infeção, ganhei febre e a minha filha não nascia…. Só pensava na minha outra filha que tinha ficado com os meus pais.
Fiz a dilatação toda, e não só… eram meia-noite, tinham mudado de equipa, entrou uma médica para me ver e só me lembro dela começar a gritar e a pedir ajuda, a minha filha tinha entrado em sofrimento, pois ela queria sair, mas eu não estava a ajudar muito, tinha as contrações no máximo, mas não sentia nada, nem as dores.
Lembro-me da médica e dos enfermeiros, acho que contei para aí 12, de repente a sala ficou cheia a médica empurrou (acho eu) a Laurinha para cima e fomos a correr para mais uma cesariana. era 1h39 da madrugada do dia 25 de janeiro de 2014, e a minha filha nasce!
Não ouvi a Laura a chorar, e aterrei, desmaie! Acordei eram 4h30 da manhã, com a Laura já vertida no seu lindo fato verde, agarrada à  minha mama, e lembro-me de chamar a enfermeira e ter perguntado: “Esta é a minha filha, certo? Ela está bem, certo?”, A enfermeira olhou-me nos olhos e disse,: “Sim mãe é a sua linda filha, tem 51 cm, pesa 3490, agora está tudo bem com ela.Vamos tratar agora da mãe. Tem aqui o seu telemóvel para ligar para quem quiser.!”

As dores desta cesariana, foram tão más, que devido à infeção que apanhei lá, a minha barriga cresceu tanto (que parecia continuar grávida) e passado uma semana, dei entrada na maternidade, pois os pontos rebentaram e saíram alguns agrafos, mas fiquei bem, só descobri aos 33 anos com esta cesariana, que só tenho um rim.

Agradeço todos os dias a DEUS, pelas linda filhas que me deu, por tudo no final ter corrido bem, e mesmo assim, eu ainda gostava de poder ter outro filho.

mas L

Desde então a vida trocou-me as voltas, eu e o pai das minhas filhas já não estamos juntos (mas é o pais delas e elas adoram-no).
Perdi ainda o homem da minha vida, o meu pai, que partiu o ano passado em 14 dias, e foi o meu pai que sempre me apoiou muito.

Mas estou a conseguir dar a volta por cima, fiquei sozinha com as minhas filhas ( a Leonor com 2 anos e a Laura com 5 meses), uma casa para pagar, e com dívidas! Como devem imaginar desesperei mas arregacei mangas e segui em frente! Cheguei a ter 3 trabalhos, paguei tudo, divorciei-me, tive sempre o apoio do meu pai e hoje reencontrei o amor da minha vida, alguém que me ama, me respeita, me ajuda, me admira e é amigo das minhas filhas, e tento ser feliz todos os dias.

Hoje posso dizer, consegui! Nunca fugi dos meus problemas, só tentei torná-los mais simples e nunca prejudiquei as minhas filhas, faço tudo o que posso por elas, tento estar sempre presente, e espero que um dia, elas percebam que todos os sacrifícios que a mãe fez, foi somente a pensar nelas.

Hoje gosto muito da mulher que sou!!!! SOU FELIZ  e AMO MUITO as minhas princesas!

Fernanda Silva

 

Muito obrigada pela partilha Fernanda! É bom sabermos que apesar de tudo, vale sempre a pena!
Parabéns para as manas por serem tão doces (diz até que uma vai ser minha nora!!)  e à mãe por ser uma guerreira!

 

 

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