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Sandra

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Não me quero esquecer

Todos os dias tenho medo de me esquecer destes momentos. Tenho medo que a vida passe depressa demais e que leve com ela as memórias que vamos criando juntos.

Dentro de nove dias o S. vai fazer um ano. Quando olho para as fotos dos primeiros dias interrogo-me: A sério que ele era assim tão pequeno?

Não me quero esquecer deste cheiro, dos bracinhos à volta do meu pescoço, das gargalhadas, das birras e dos choros, da expressão a provar um alimento novo, da desarrumação constante em casa, da roupa deixar de servir de um dia para o outro, dos dentinhos a nascerem, das fraldas mal-cheirosas, dos dias que mudaram os nossos dias para sempre.

Todos os dias tenho saudades de todos os dias que passam.

 

Os melhores conselhos de sempre

Em 1997, Mary Schmich, uma jornalista americana escreveu na sua coluna do Chicago Tribune um texto intitulado: Advice, like youth, probably just wasted on the young.

Um ano depois, baseado nesse texto, Baz Luhrmann, lança a música “Everybody’s Free (To Wear Sunscreen)“.

Continuam a ser os melhores conselhos de sempre.

Ladies and gentlemen of the class of ’99
Wear sunscreen

If I could offer you only one tip for the future, sunscreen would be it
The long-term benefits of sunscreen have been proved by scientists
Whereas the rest of my advice has no basis more reliable
Than my own meandering experience, I will dispense this advice now

Enjoy the power and beauty of your youth, oh, never mind
You will not understand the power and beauty of your youth
Until they’ve faded but trust me, in 20 years, you’ll look back
At photos of yourself and recall in a way you can’t grasp now
How much possibility lay before you and how fabulous you really looked
You are not as fat as you imagine

Don’t worry about the future
Or know that worrying is as effective as trying to solve an algebra equation by chewing bubble gum
The real troubles in your life are apt to be things that never crossed your worried mind
The kind that blindsides you at 4 p.m. on some idle Tuesday
Do one thing every day that scares you

Don’t be reckless with other people’s hearts

Don’t put up with people who are reckless with yours

Floss

Don’t waste your time on jealousy
Sometimes you’re ahead, sometimes you’re behind
The race is long and in the end, it’s only with yourself
Remember compliments you receive, forget the insults, if you succeed in doing this, tell me how
Keep your old love letters, throw away your old bank statements

Stretch

Don’t feel guilty if you don’t know what you want to do with your life.
The most interesting people I know didn’t know at 22 what they wanted to do with their lives
Some of the most interesting 40-year-olds I know still don’t
Get plenty of calcium
Be kind to your knees
You’ll miss them when they’re gone

Maybe you’ll marry, maybe you won’t
Maybe you’ll have children, maybe you won’t
Maybe you’ll divorce at 40, maybe you’ll dance the ‘Funky Chicken’
On your 75th wedding anniversary
Whatever you do, don’t congratulate yourself too much
Or berate yourself either
Your choices are half chance, so are everybody else’s

Enjoy your body, use it every way you can
Don’t be afraid of it or what other people think of it
It’s the greatest instrument you’ll ever own
Dance, even if you have nowhere to do it but your own living room
Read the directions even if you don’t follow them
Do not read beauty magazines, they will only make you feel ugly

Get to know your parents, you never know when they’ll be gone for good
Be nice to your siblings, they’re your best link to your past
And the people most likely to stick with you in the future

Understand that friends come and go
But a precious few, who should hold on

Work hard to bridge the gaps in geography and lifestyle
For as the older you get, the more you need the people you knew when you were young
Live in New York City once but leave before it makes you hard
Live in northern California once but leave before it makes you soft

Travel

Accept certain inalienable truths
Prices will rise, politicians will philander, you, too, will get old
And when you do, you’ll fantasize that when you were young
Prices were reasonable, politicians were noble
And children respected their elders

Respect your elders

Don’t expect anyone else to support you
Maybe you have a trust fund, maybe you’ll have a wealthy spouse
But you never know when either one might run out

Don’t mess too much with your hair
Or by the time you’re 40 it will look 85

Be careful whose advice you buy but be patient with those who supply it
Advice is a form of nostalgia, dispensing it is a way of fishing the past
From the disposal, wiping it off, painting over the ugly parts
And recycling it for more than it’s worth

But trust me on the sunscreen

Obesidade infantil – O outro lado

A Bárbara trouxe um tema para o blogue que acho extremamente importante: a obesidade infantil.

Eu sofro de obesidade. E quando digo ‘sofro’ é em toda a amplitude da palavra. A Bárbara evidenciou a parte física da situação, eu gostava de vos falar da parte psicológica do excesso de peso.

Sou uma pessoa completamente resolvida, segura de si e que se aceita como é em todos os aspectos mas, não pensem que não existe um lado negro da questão. Ele existe. É real. Não vale a pena ignorar e fingir que não existe.

A obesidade faz parte da minha vida desde sempre. Nunca me lembro de ter sido de outra maneira (a não ser quando cometi a maior asneira da minha vida e recorri aos préstimos do Dr. Tallon) e isso afectou o modo como me relaciono com o mundo. E se hoje, essa relação é saudável, não o foi anteriormente. Não o foi particularmente na infância.

Crescer com excesso de peso é difícil. Não vamos dourar a situação com o discurso que as pessoas têm de se aceitar como são. Isto é verdade (tanto é, que eu aceitei) mas, também é verdade que nós nos podemos aceitar perfeitamente mas vivemos em sociedade, vivemos com o ‘outro’ e o ‘outro’ nem sempre nos aceita como nós somos. Isto não põe em causa a minha visão relativamente ao papel da mulher na sociedade e a pressão (estúpida) do culto do corpo pois estou a falar de crianças e adultos, independentemente do seu sexo.

Sendo criança, a estrutura psicológica necessária para se lidar com a crítica é quase inexistente. O excesso de peso não aumenta apenas a probalidade de na vida adulta se desenvolver doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, asma, doenças do fígado, apneia do sono e vários tipos de cancro pode lesionar para sempre a auto-estima e o equilíbrio psicológico de uma pessoa.

Crescer com uma constante avaliação em relação ao nosso peso por parte da família, amigos e professores é, na minha opinião, uma forma constante de bullying. Uma agressão passiva, constante e avassaladora aos alicerces de confiança de uma criança.

A criança ‘gorda’ é rotulada sempre como preguiçosa e glutona. É a última a ser escolhida para todas as brincadeiras. É a primeira a ser alvo de piadas. É o tema de conversa em família.

Do outro lado está apenas uma criança que não faz a mínima ideia porque é tratada deste modo. Que não tem a mínima noção do que é a Obesidade e, acima de tudo, não tem as ferramentas quer por um lado para a evitar, pois depende completamente dos alimentos que lhe dão, quer por outro para a aceitar e compreender (no meu caso, existe uma predisposição genética para a obesidade na família e uma predisposição genética para cozinhar, como se costuma dizer ‘junta-se a fome com a vontade de comer’ e dá nisto).

Cabe a todos nós, pais e educadores, ter um papel activo na prevenção da Obesidade Infantil promovendo bons hábitos alimentares mas, acima de tudo, acredito que é necessário comer bem para poder mostrar como comer bem.

Que moral tem um pai ou mãe que exige aos filhos que comam vegetais quando eles não fazem parte da sua dieta habitual?

Cá em casa aproveitámos a gravidez para melhorar os nossos hábitos alimentares. Fazemos as nossas asneiras como todos (para isso servem os jantares com os amigos), mas passámos a evitar certos alimentos, por exemplo: passámos a optar por fazer refeições apenas com carnes brancas e introduzimos mais pratos vegetarianos. Água, muita água. Sopa, salada e fruta estão sempre presentes. Sumos só naturais ou zero (atenção que os lights não contam, são uma Montserrat Caballe disfarçada de Kate Moss, no que toca à quantidade de açúcar).

Hoje sei coisas que a minha mãe não sabia. A minha mãe fez o melhor que soube comigo. Eu, vou tentar fazer melhor com o S.

Não sei se ele vai sofrer de obesidade mas sei que vou fazer o que está ao meu alcance para o evitar. Se não for possível, se ele realmente sair à mãe (e ao tio, e ao avô, e ao bisavô) então vou-lhe dar todas as ferramentas para lidar com a situação e sair dela uma pessoa melhor.

Vou-lhe mostrar aquilo que aprendi há muito tempo: nós somos muito mais do que o nosso corpo é.

It’s a long road.

Ontem fiz 700km.

Saí de manhã cedo, quando ele ainda dormia e voltei já era meia-noite.

Sei que ele fica bem entregue. Sei que a falta da minha presença é compensada por todas as pessoas que o rodeiam. Sei que um dia não são dias.

Mas é impossível não ficar com o coração pequenino quando estamos longe. Impossível não pensar que se acontece alguma coisa não estamos a vinte minutos de distância e nunca mais nos vamos perdoar. Impossível não morrer um pouco por dentro a cada km que se faz.

Picos de Crescimento ou como enlouquecer numa semana

Os picos de crescimento são lixados. Crescer é difícil. Se tiver em conta a irritação e o choro dos últimos meses é mesmo MUITO difícil.

A verdade seja dita, já foi mais difícil.

Já foi desesperante. Já houve momentos de choro inconsolável que só parava com a ‘fábrica’ de leite sempre em produção (das primeiras vezes não fazia ideia do que o rapaz tinha por isso chorava mais do que comia).

Os pediatras falam que é normal a ocorrência destes ‘picos’ por volta da terceira semana, sexta semana, terceiro, sexto e oitavo mês. Como nós sabemos, cada bebé é um bebé e pode variar muito. Eu tenho a sensação que o S. tem um ‘pico’ uma vez por mês. Cá para mim, saiu a mim e tem um caso grave de TPM.

Hoje os ‘picos de crescimento’ são mais fáceis de identificar. Começa por comer pratadas descomunais de sopa, refeição e fruta. Se ficar em casa desarruma todas as divisões por secções. Irrita-se com facilidade. Não quer dormir (isto por acaso, é quase todos os dias). Quando chega à noite, prepara-se para a maratona de biberões, no máximo aguenta três horas sem comer (e, estou a ser tão optimista com este número).

Para quem me pergunta de como lidar com os ‘picos de crescimento’ aqui ficam dois truques:

1. Calma (esta serve para tudo o que se relaciona com bebés)

2. Prepara-te para dar de mamar no mínimo 12 horas por dia ou reforça o stock de latas de leite lá em casa.

São apenas de dois dias a uma semana por isso coragem mamãs, tudo vai voltar à rotina. O S. começou na quinta-feira, na pior das hipóteses tenho mais quatro dias pela frente.

Ah e as mamãs que defendem que isto dos ‘picos de crescimento’ são um mito urbano, são convidadas a passar uns dias lá em casa, é sempre bom ter mais uma mãozinha a fazer biberões.

Brincar é preciso

Hoje fomos experimentar uma actividade diferente. A pintura para bebés e crianças com tintas de legumes caseiras e comestíveis.

O resultado final foi a chamada: autêntica salganhada. Dos pés à cabeça cobertos de tintas de espinafre, cenoura e beterraba. Uma manhã divertida que vale muito pela experiência de interacção entre todos os bebés.

O S. começou a actividade por dar abraços e beijos aos outros bebés e por ele continuava sem sujar as mãos. Acabou por decidir que esfregar a tinta na tela e no chão não era tão divertido quanto despejar todos os copos de tinta por cima dele, em cima dos outros e, claro que em cima de mim.

Esta foi mais uma actividade que decidimos fazer. Já experimentámos os concertos para bebés (que são simplesmente fantásticos) e todas as semanas temos a natação (esta é só com o pai).

Cá em casa gostamos de experimentar coisas diferentes mas não fazemos destas actividades a base dos nossos fins-de-semana.

Somos pela brincadeira. Tentamos fazer dos momentos em que estamos juntos, momentos de diversão e para isso, nem precisamos de sair de casa.

Brincar é preciso. Não conseguimos imaginar a vida sem humor. Gostamos de rir. Não sei o que o S. vai ser ou fazer da vida dele mas tenho a certeza que cá em casa faremos de tudo para ele não se tornar num adulto que se leve demasiado a sério.

O mundo já tem demasiada gente chata.

Sandra

Let the Sweet Caos Begin

O mundo é muito pequeno nas redes sociais, e no Twitter é mesmo como atravessar a rua.

Foi assim que os nossos caminhos se cruzaram e quis o destino que entrássemos nesta fantástica aventura da maternidade, quase simultaneamente. O dela faz hoje 1 ano e o meu faz daqui a 19 dias. Ela está no Porto e eu em Lisboa mas vivemos no melhor caos de sempre: o da maternidade.

Mães pela primeira vez com todas as dúvidas, esperanças e felicidade que dois pequenos rapazes nos trazem. Queremos partilhar estes momentos mas, acima de tudo, ficar com um registo desta fantástica aventura que a vida nos trouxe.

O caos em que a nossa vida se tornou, este doce caos, modificou a nossa vida. Serve este Sweet Caos para nos lembrar, todos os dias, o que já aprendemos e o que ainda nos espera.

Confessem lá, quando leram Sweet Caos, não conseguiram deixar de pensar em vaquinhas doces a saltitar num campo verdejante. Parece que não foram os únicos. No Caos do Porto passou-se o mesmo. Pedimos à fantástica ilustradora Ana Cocker para recriar o nosso Caos e ela presenteou-nos, também, com as doces vaquinhas que podem ver acima. Adorámos estes nossos alter-egos.

Ficamos a aguardar a vossa visita no nosso Sweet Caos.