O Sebastião dormiu mal desde que nasceu. Nos primeiros 2 anos eu nunca soube o que era dormir mais de 3 horas seguidas. Ele nasceu a uma terça-feira de manhã e nessa mesma noite, enquanto a maior parte das mães e bebés dormiam por exaustão, o meu gritava em plenos pulmões. Eu soube logo desde aí que não iria ter a vida facilitada.

As noites dos primeiros 3 meses foram passadas sentada com ele ao colo. Ele chorava muito. Cólicas, dentes, necessidade, fome, para ser sincera poderia ser tudo isto junto, ou só porque sim, tentámos mil e uma técnicas mas poucas coisas o acalmavam.

Quando fez 3 meses, a exaustão era tanta que sentia que nem conseguia já pensar como deve ser. Ele adormeceu ao colo e eu deitei-me na cama com ele encostado a mim, dormimos 1h30m e eu descobri o co-sleeping.

Não planeámos e nem fizemos uma opção de parentalidade. Foram as circunstâncias. Foram as necessidades dele e as nossas que nos levaram a esta opção.

Quando li algumas coisas sobre o co-sleeping fez todo o sentido para a nossa família. Era o único modo de todos em casa descansarmos e nos sentirmos bem.

Tive os meus receios. Em primeiro lugar, um dos principais preconceitos que existem em relação a esta opção tem haver com a dependência dos bebés. Se pararmos para pensar não deixa de ser parvo pensar que um bebé que depende de nós para tudo irá ficar mais dependente porque tem companhia para dormir. Interessante como a sociedade acha que sentir-se seguro é estar dependente e pedir ajuda é ser frágil. Dá que pensar, não é?

Fomos criticados por todos os pais que têm crianças que nasceram a dormir a noite toda e que aos 3 meses já estavam no seu quarto.

Não seria interessante que a crítica tivesse sido ao contrário? É que eu também acho absurdo um bebé dormir sozinho num quarto longe dos pais.

Mas na verdade, a única coisa que acredito realmente como mãe é que a família deve fazer o que sente ser natural. Se o meu bebé dormisse a noite toda assim que nasceu acho que faria total sentido colocá-lo no quarto a partir dos 6 meses.

Mas o meu bebé não dormia. Não dormia nem aos 3 meses, nem aos 6 meses, nem sequer aos 2 anos.

O nº de horas foi espaçando até às 5h seguidas e não houve fórmulas mágicas nem medicação. Foi natural e progressivo.

O co-sleeping fez todo o sentido para nós. Foram momentos que partilhámos e acima de tudo momentos em que realmente conseguimos descansar.

Desde os 18 meses que o Sebastião tem uma cama no quarto dele. Uma cama de menino ‘crescido’ há espera de companhia. Quando fez 3 anos ele passou a dizer que era ‘crescido’ e nós perguntámos se ele não queria experimentar dormir na cama dele e ele respondeu que sim.

Uma semana depois desmontámos em conjunto o berço que ele diz que é para outro bebé. Arrumámos tudo bem guardado e fizemos a cama de lavado.

Nessa noite sentámo-nos na cama dele a contar uma história, eu pus um colchão no chão e dormi junto dele.

Não houve choros nem birras.

No dia a seguir fiquei apenas até ele adormecer. E tem sido assim até hoje.

Existem noites que dorme seguido e outras que chama várias vezes e até aquelas em que pede leite às 3h30 (já estamos habituados). Mas dorme sozinho no quarto dele.

Nunca pensámos que seria tão simples e natural esta passagem.

Depois de tudo o que passámos, depois de tantas noites sem dormir chegámos até aqui porque respeitámos o ritmo dele e as suas necessidades.

Por isso mamãs e papás, tudo tem o seu tempo e hora e nestas coisas de bebés todos têm ritmos diferentes.

Quando me perguntam até quando devem fazer o co-sleeping a resposta é simples: até todos quererem.

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Sandra
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