Nesta altura de férias em que vamos à praia, ao restaurante ou em que saímos de casa para um passeio, por vezes surgem as birras das nossas crianças nos momentos mais inoportunos. Nem sempre sabemos lidar com elas ou como reagir nestes momentos e por isso hoje venho falar-vos de algumas estratégias para poderem lidar melhor com esta situação.

Normalmente no momento das birras ficamos sem saber muito bem o que fazer e se tivermos uma reação desajustada temos a maior probabilidade de os filhos chorarem ainda mais e durante mais tempo. Ficamos naturalmente envergonhados e queremos sair dali o mais rapidamente possível. Mas apesar de toda esta situação constrangedora a birra é um processo normal e até positivo nas crianças, e porquê? Porque lhes permite aprender a lidar com a frustração. Surge normalmente por volta dos dois e mantém-se com mais intensidade até aos quatro anos. Nestas idades as crianças são naturalmente centradas em si próprias, egocêntricas e narcisistas, não conseguindo lidar com os limites colocados pelos pais. Estes limites e as limitações próprias da idade da criança (incapacidade para tomar decisões sem supervisão) geram uma enorme frustração para a qual a criança ainda não possui estratégias, e por isso surge o choro, o grito, o atirar-se ao chão e o espernear.

Isto é utilizado pelas crianças como forma de obter uma determinada resposta nos outros, nomeadamente a cedência dos limites, pois as crianças aprendem que os seus comportamentos geram determinadas respostas nos outros e aprendem a utilizá-lo a seu favor. Quantos de nós já cederam em comprar aquele brinquedo? Ou aquela guloseima? Ou em fazer o que a criança queria naquele momento? É algo perfeitamente comum por vezes cedermos, mas isso pode aumentar a frequência das birras. Por outro lado, quando somos mais inflexíveis então as birras tendem a diminuir até desaparecerem, aí por volta dos 5 anos de idade, quando a criança aprende outras habilidades para satisfazer a sua necessidade.

Para conseguir lidar melhor com estas situações aqui ficam 5 dicas essenciais:

1. Respirar fundo e ter uma atitude calma e serena

A nossa atitude calma e serena será apaziguadora para a criança e irá transmitir um sentimento de segurança. Ainda que seja uma situação difícil de gerir, é importante não elevar a voz nem ceder à irritação. Devemos ainda demonstrar que não vamos ceder às exigências e caprichos da criança pois isso demonstra-lhe que a birra não é a melhor forma de obter o que pretende. No caso de estarmos num lugar público devemos procurar uma zona mais tranquila, pois isso permitirá à criança acalmar-se gradualmente.

2. Estabelecer consequências para o comportamento

O estabelecimento de consequências permitem à criança perceber que os seus comportamentos têm consequências tanto positivas como negativas. Estas consequências devem ser claras, simples e adequadas à idade e compreensão da criança. Para que a criança compreenda este sistema de punição sem violência, é importante que o bom comportamento seja também recompensado quando ocorre, seja por exemplo através de incentivos verbais, seja cozinhando o prato favorito da criança, comprando-lhe um brinquedo que deseja ou deixando-o realizar uma atividade que lhe dá prazer.

3. Ter presente as necessidades das crianças

É importante percebermos que necessidades como o sono, a fome e a atenção são muitas vezes os “motores” de uma birra. Se estas estiverem satisfeitas a birra ocorrerá com menos frequência.

4. Estabelecer limites e regras claras, precisas e adequadas ao desenvolvimento

As regras têm sempre de ser bem delimitas, claras, precisas e adequadas ao desenvolvimento da criança. Regras demasiado restritas ou demasiado flexíveis deixam as crianças confusas. Devemos focar o discurso no “deves…” ao invés do “não deves…” para que a criança possa focar-se mais no comportamento adequado, o que facilita a sua aprendizagem.

5. Proporcionar algumas oportunidades de escolha

Proporcionar oportunidades de escolha à criança são importantes para que sinta que há coisas na sua vida em que tem alguma autonomia. Pode ser escolher entre duas peças de roupa, entre dois alimentos a comer na próxima refeição ou entre brinquedos a levar quando sair.

Sandra R. Santos
Psicóloga especialista em aconselhamento parental
Podem encontrar este texto e outros no blog Entre Consultas
Se quiserem saber um pouco mais podem ver aqui:
Consultório Psicóloga Sandra Santos

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