Há pouco mais de quatro anos, tornei-me um pai. Após nove meses de gravidez eu deveria estar preparado, certo? Errado. Independentemente da tua profissão – construção, atendimento ao cliente, negociação de reféns – paternidade é o trabalho mais difícil que existe.

Nos anos anteriores à entrada de cena do Francisco, eu preocupava-me comigo mesmo, o que, nos dias de hoje, é provavelmente normal para alguém de 20 ou 30 e poucos anos de vida.

Tornar-me um pai mudou-me. Todos disseram que assim seria. Toda a gente me disse que tudo seria diferente. “Dorme agora”, disseram … “Sai agora”, disseram eles. Eu estava preparado para as mudanças superficiais (nunca fui muito de sair, de qualquer forma). Para o que eu não estava preparado era para pontapé emocional em cheio nos queixos que a paternidade te dá.

Podem vasculhar as prateleiras marcadas como “paternidade/maternidade” em qualquer livraria e encontrarão uma infinidade de livros sobre a paternidade. Podem pedir conselhos aos vossos pais, mães, tias, primos e amigos; mas independentemente de como nos preparemos para a viagem, a paternidade é algo que só se conhece depois de experimentar em primeira mão.

Os livros podem dar-vos uma ligeira vantagem, mas as palavras numa página não dizem o que sentes quando o teu filho chora horas a fio com cólicas; quando nascem os primeiros dentes; quando fazem cocó no chão, durante a transição para o pote. Livros não dizem como reagir quando a tua criança faz uma birra monumental no supermercado, apenas porque sim.

Sabem porquê? Porque não há uma maneira certa, uma fórmula.

Paternidade traz grandes momentos de auto-dúvida. Como um pai que durante alguns meses ficou em casa, às vezes eu sentia-me numa ilha. E nem sempre podes confiar num livro para te dar a resposta. Costumo refletir sobre o pai que sou e pergunto-me se estou a fazer a coisa certa.

O ponto aqui é que podem ler tantos livros quanto quiserem e conseguirem (tempo livre é algo que rareia quando se é pai de uma criança pequena), que vocês nunca estarão realmente preparados, e não há mal algum nisso. A paternidade é uma daquelas coisas que se vai aprendendo à medida que se vai andando.

Eu confio em ter sido criado com uma boa bússola moral e valores sólidos, que serviram e servem como uma fundação, para me incentivar e guiar-me a tomar as melhores decisões (longe de mim dizer que sou perfeito, ok? Não sou. De todo). Será que as decisões vão ser sempre as mais acertadas? Não. E está tudo bem.

 

Nota do autor: apesar de tudo, ser pai é o melhor que me aconteceu e a experiência mais maravilhosa (e difícil) que já enfrentei. Por mais birras, choros, dúvidas, corridas para as urgências a meio da noite, um simples sorriso, abraço, uma nova competência ou graçola do Kiko fazem com que tudo isso fique para a traz e valha completamente a pena. Pensemos: se assim não fosse, a raça humana estaria extinta há milénios. Sim, sou um pai babado e a gargalhada do meu filho é o que mais feliz me faz neste mundo.

Vasco Vasconcelos

 

Obrigada Vasco pela partilha e um grande beijinho ai para casa, principalmente ao astronauta-jedi Kiko!  😀

 

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