É com muito prazer que aceitei o convite da Bárbara para falar do meu parto e do nascimento da Julieta. É um momento que me lembro imensas vezes e sempre com um sorriso nos lábios.

Toda a gravidez foi muito tranquila, fiz sempre a minha vida normalmente, continuei a ir ao ginásio. Acho que fiz spin até ao oitavo mês. E só parei porque o meu marido sofreu um acidente, partiu uma perna, foi operado e como tal as coisas complicaram um pouco.
Foi um valente susto o acidente mas mesmo assim a Julieta manteve-se tranquila cá dentro.

Na altura não sabíamos ser uma Julieta porque não quisemos saber o sexo da criança, queríamos deixar essa emoção para o parto.

Aos 8 meses e meio acabei o que tinha a fazer no trabalho e comecei a trabalhar mais por casa para dar assistência ao meu marido, mas todos os dias a minha caminhada de 5/6 km estava assegurada.

Os dias foram-se passando e a Julieta não dava sinais de querer sair, mas estava tudo bem com ela.
Chegamos às 41 semanas, a minha obstetra ia de férias mas eu não queria induzir. Queria um parto normal e que fosse a minha filha(o) a dizer quando estava pronta.
Eu sou investigadora em ciências biomédicas e na minha opinião o corpo humano é uma coisa fantástica, que tem o seu tempo e que nós efetivamente ainda percebemos muito pouco. Fui contra a minha obstetra e às 41 semanas não induzi, esperei…
Tive ajuda da enfermeira Isabel Ferreira da Gimnogravida (enfermeira parteira) que me examinou e viu que estava tudo bem. Ajudou-me também a perceber que é normal. Uma gravidez são 40 semanas (+/- 2) o que quer dizer que efetivamente pode ir às 42 semanas.

Continuei a caminhar e a esperar.
Já quando estávamos a decidir em que dia iríamos induzir na madrugada do dia 14 de Agosto (41 semanas e 6 dias) acordo cheia de dores nas costas (já me tinha sentido assim antes de me deitar). Sinto uma cólica e pelas 5h apercebo-me que é hora, as contrações estavam a começar. E estas realmente não deixam duvidadas, começaram em cheio!
Olho para o relógio e elas vinham já de 5 em 5 min.

Como o meu marido não podia guiar ligamos ao meu cunhado que chegou rapidíssimo, ainda antes de eu conseguir meter as poucas coisas que me faltavam na mala, uma vez que já tinha pouco tempo em que me conseguia mexer entre uma contração e outra.

Fomos para o Pedro Hispano (foi o hospital que escolhemos uma vez que estão já habituados a partos naturais e as referências que tínhamos eram muito boas).
Chegamos ao hospital as 7h e fui logo vista por uma enfermeira que disse que ia nascer.
Fomos para a sala de parto, o meu marido entrou e as 7:30h a minha filha nasceu. Foi um momento fantástico, muito rápido e lindo.

Se doeu? Sinceramente não me lembro da dor. As contrações doeram sim, mas já tive dores muito piores.

A alegria de sentir a minha filha a nascer, de sentir realmente, de ser eu a fazê-la nascer, muita!

Ela foi colocada no meu peito, deixamos pulsar o cordão umbilical, fui eu quem o cortei.

De seguida tive uma descarga de adrenalina enorme, tremi durante cerca de 20 minutos mas estivemos sempre os 3 juntos.
Quando me acalmei vestimos-la e ficamos ali a aproveitar o momento. Foi mágico!

 

Ligia Tavares

Obrigada pela partilha Ligia, acabaste de restaurar a fé nos partos 🙂
Muitos beijinhos a todos  em especial à Julieta!

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