Penso que nunca ouvi falar tanto sobre o sono do bebé como actualmente. Muito se escreve, muito se diz e muito se teoriza…

Apesar de algumas formações na área dos bebés e das famílias não sou especialista no sono mas sou mãe e acho que isso é o que realmente importa. Daquilo que vivenciei como mãe juntando algumas teorias que sabia na altura consigo agora concluir que tal como o mundo não é preto e branco, também os bebés são diferentes como uma palete de cores. Há bebés irritáveis, sensíveis, difíceis, enérgicos, mas também os há calmos, pacíficos, fáceis de lidar e portanto com esta realidade é impossível de determinar uma teoria como certa. O que fazer quando até os pediatras de referência nos dizem o que é certo ou errado, mesmo quando vai contra aquilo que acreditamos?

Eu penso que a tentativa e erro fazem parte do processo de parentalidade primeiro porque como já disse anteriormente os bebés são todos diferentes, mas também porque eles passam por etapas de crescimento e quando parece que está tudo bem e pacífico de repente acontece algo que volta a desorganizar tudo e portanto o que funcionou num momento pode ter que ser adaptado a uma nova realidade. Não é fácil gerir tanta informação com as dúvidas e crenças. Se me permitem deixo aqui umas dicas:

– Do que sabem, do que ouvirem e do que lerem retirem os métodos que vos deixem confortáveis. Um bebé não pode estar descansado se sentir ansiedade e dúvida por parte dos pais;

– Os pais estarem de acordo entre si com a rotina de sono que escolheram adoptar é importante. Uma família que discute sobre o facto do bebé estar a chorar há 30 min, ou a dormir na mesma cama não traz paz ao bebé, muito pelo contrário;

– Alternarem os cuidados quando um dos pais está mais cansado. Quando estão irritados e exaustos porque o bebé não dorme a paciência diminui, não pensam com clareza e perturbam ainda mais o bebé. Se um dos pais não puder, recorram a uma terceira pessoa da vossa confiança;

– Encontrar um ponto de equilíbrio entre o vosso bem-estar e o do bebé. Podem abdicar de algumas coisas em prol das necessidades do bebé mas não é razoável anular tudo o que for prazeroso em função daquilo que ele quer. Se os pais não estiverem bem consigo próprios, ou entre eles, isso vai destabilizar o bebé mesmo que seja a médio prazo;

– Não confundir as necessidades do bebé com as necessidades da mãe/pai. Todos os pais gostam de sentir que os filhos precisam de si e por vezes custa aceitar a sua autonomia, mas esta é fundamental para o desenvolvimento geral da criança. Neste caso a autonomia no sono é um processo natural e desejável e não obriga que exista sofrimento/choro. Por outro lado, quando os pais não aceitam e impedem a autonomia da criança podem estar a promover a insegurança;

– Antes de chegarem ao limite peçam ajuda especializada. Escolham um apoio que esteja disponível para adaptar a metodologia consoante a família que tem à frente, ou seja, vá de encontro às vossas crenças e seja sensível à vossa realidade familiar. Bebés diferentes têm necessidades diferentes logo, as abordagens não devem ser “chapa 5”.

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Acima de tudo acreditem que aquele bebé não nasceu para vos chatear e ele precisa de vocês, mas pode ter um temperamento que exige mais do vosso papel de pais para responder às suas necessidades. Já dizia Brazelton que os pais são os melhores especialistas nos seus filhos, mesmo assim podem precisar de ajuda nos primeiros tempos para entender a comunicação do bebé. Tenham a certeza de que aos poucos tudo vai correr bem.

*A autora não segue o acordo ortográfico

Íris Seixas ajuda os pais no processo de descoberta do seu filho, partindo das premissas de que cada bebé é um ser único, e que os pais são os peritos nos seus filhos. Trabalha com Infância e Parentalidade e podem-na seguir e contactar através da sua página: Íris Seixas – Página Profissional na área da Infância/Parentalidade

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