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Já vos disse que vou ser pai?

Já vos disse que vou ser Pai?

Esta foi a frase que mais proferi naquele ano de 1998. Tantas as vezes a disse que os meus amigos já não a podiam ouvir. Mas a verdade é que precisava de a dizer para me convencer disso mesmo. Ia ser pai.

O que ouvia em retorno era qualquer coisa do género: – Estás tramado!

Eu sabia que nada seria como antes, a partir do momento em que essa condição se materializasse naquela vida carregada dos meus genes, cá fora, sob o efeito da gravidade. E nada foi como antes.

Assisti ao parto de ambos os meus filhos. Embora em circunstâncias completamente diferentes, o amor à primeira vista instalou-se, espalhou-se pela minha pele enquanto os segurava e entranhou-se por todos os sentidos, até hoje e será para sempre incondicional.

O primeiro nasceu prematuro e em risco de vida, dele e da mãe. Naquela manhã cinzenta de janeiro, deixei metade dos pneus do Nissan Micra Super S nas ruas do Porto. Uma cesariana de urgência salvou-lhes a vida. Limpei-o, examinei todos os seus poros e vesti-o. Enquanto a mãe era cosida e recuperava do susto, passei uma hora a falar com ele. Contei-lhe tudo sobre este mundo. Falei-lhe das árvores que iria trepar, das abelhas de que iria fugir, das montanhas que iria subir, do mar que o iria envolver, da música que ele já ouvira ainda no ventre da mãe e de outras que ele iria descobrir, do Sporting com que ele iria sofrer, das gargalhadas que iria dar,… falei do frio e do calor, falei da boa comida e de cerveja, falei do que me veio à cabeça e ele ouvia, de olhos fechados, dormindo com expressão de gozo. Quanto mais o olhava, mais se entrelaçava uma ligação tão forte que ainda a sinto hoje quando nos rimos ou discutimos.

O segundo, de outra mãe, nasceu em ultimato: Ou sais daí ou ficas tipo Benjamim Burton. Não queria vir conhecer o mundo e foi uma carga de trabalhos para o tirar do ventre da mãe. Mas lá veio e a rotina foi a mesma, com exceção da fractura da clavícula que resultou do esforço para o trazer à luz da sala de partos. Repetiram-se as emoções, duplicou a paixão o suficiente para agora dividir o amor por dois rebentos e ainda sobrar muito para admirar e agradecer a ambas as mães.

O facto de ser terapeuta especialista em neurodesenvolvimento da criança poderia me ter preparado para muitas coisas inerentes ao que se espera que um filho vá conseguindo fazer ou perceber porque é que as coisas não estão a acontecer como dizem os livros destas coisas.

Mas, como qualquer pai, presumo, não estava preparado para a intensidade das emoções.

E, nós portugueses, temos muita inibição no que se refere a falar sobre emoções. Um filho na nossa vida, é uma paleta delas todas, de todas as cores. Temos de ir aprendendo a geri-las na tela, de forma a que cada pincelada não altere demasiado o equilíbrio das nossas reações.

Nada foi como antes. A partir desses momentos, a minha vida ganhou um propósito que incluía talvez a mais verdadeira das felicidades. Em cada conquista que faziam, em cada descoberta que lhes fazia sorrir, em cada angústia que os fazia vir ter comigo, em cada fralda que lhes mudava, nas histórias que lhes contava, mas também nas zangas que tivemos, no dizer que não, nas explicações dos porquês, nos “desastres” que provocavam às refeições, no espalhar das tralhas pela casa toda, em cada momento, os meus olhos ainda vêem aquele dia em que nasceram e imaginam um futuro para cada um deles. E isso, para mim faz-me sorrir de felicidade.

Claro que nada foi como antes. Alterei as minhas rotinas todas. O trabalho passou a ser visto como um meio. O prazer estava em ir buscá-los ao jardim de infância mais cedo do que eles estavam à espera. Os fins de semana… bem os fins de semana passaram a me cansar mais do que um mês de trabalho. Mas não trocava um fim de semana prolongado ou umas férias em aventuras pré-programadas ou espontâneas numa qualquer montanha ou resort à beira-mar, como as que tinha antes de ser pai e que me permitiram conhecer meio mundo, pela ausência daqueles traquinas. Não trocava liberdade de chegar a casa às horas que fossem, depois de experimentar mais meia dúzia de cervejas, pela ausência do “está na hora de dar banho ao bebé” ou de um “é preciso fazer a sopa dele” ou um “tens de ir à farmácia porque ele está com febre”. Não trocava um fim de semana em pijama pela ausência da experiência de um acordar com um pigalhete aos pulos em cima de mim, às 6 e meia da manhã.

Ser pai permitiu-me conhecer o outro meio mundo. O mundo que nos faz olhar para os outros percebendo que cada um tem uma história feita do que os meus filhos também são feitos: afectos e emoções ou a falta deles, falhanços e sucessos, boas e más interacções, palavras e silêncios, aprendizagens e esquecimentos, frustrações e conquistas.

Sim. nada foi como antes. Só agora, que um já está na faculdade e o outro é um adolescente, é que começo a recordar muito do que fiz antes de eles entrarem na minha vida. Durante as suas infâncias, parece que essa vida aconteceu numa qualquer encarnação anterior. No fundo, comecei a aprender a viver com os meus filhos e descobri a minha religião: ser pai.

Joaquim Faias, terapia ocupacional na carne, música para alimentar a alma, cerveja para os sentidos, utilizador apple desde sempre, Sporting para sempre e pai como religião.

Rir de nada!

No outro dia a Sandra escreveu aqui no blog que há adultos que perdem o sentido de humor quando se tornam pais e mães.

Apesar de achar que nunca perdi o sentido de humor, aqui me confesso que a maternidade me tornou uma pessoa mais séria e preocupada. Deixando pouco espaço ao improviso e à descontração.

Como sabem gravidez para mim é doença e isso não ajudou nada ao processo. Depois a aflição de um filho APLV, graças a Deus de nível baixo.

Confesso também que o pós-parto da segunda gravidez foi duro! Mas aos poucos tudo voltou ao sítio, e como eu digo, é sempre a melhorar.

Nos últimos tempos decidi fazer um pacto com a alegria (obrigada Júlia Pinheiro) e tentar ser genuinamente estúpida como era antes de ser mãe. Relaxar mais, aproveitar mais, deixar-me estar!

(Não me vou tornar uma mãe irresponsável, descansem!!)

E uma coisa que sempre gostei foi de me rir de mim própria! Acho tão bom e saudável rirmos-nos de nós!

Outra coisa que acho o máximo é rirmos-nos de nada! Sim, de nada! Aquele rir só porque alguém se está a rir e ninguém sabe de que nos rimos, nem mesmo nós!

Sábado fui jantar com uns amigos e um dos momentos estúpidos em que nos riamos de nada foi fotografado! Tão bom!

E rir do rir dos nossos filhos? ❤️

Pai feminista

Sou feminista. Sempre fui feminista e, se algumas vezes não fui o aliado perfeito, foi mais por cegueira causada pelo privilégio de que gozo do que por alguma razão ideológica. Quando, ao final de algum tempo a tentar, a minha mulher finalmente ficou grávida, as dúvidas sobre educação foram mais do que muitas (ainda continuam a acumular-se), mas sempre esteve claro na minha cabeça que, independentemente do género, a criança que aí vinha seria um ser autónomo e igualitário, quer a nível racial, de género ou sexualidade. Não quero com isto vir com a conversa “not all men” ou “all lives matter”, mas exactamente o contrário: “yes, all men” e “black lives matter”. O privilégio de sermos brancos ainda não propiciou momentos de confronto, mas, curiosamente, o meu feminismo é constantemente posto em causa, quer em actos, quer em conceitos.

Tudo começou ainda antes da criança estar cá fora, depois de termos tomado a decisão consciente e, ao contrário do que se possa pensar, nada romântica de não conhecer o sexo físico dela. Se algumas pessoas construíam narrativas de surpresa ou outro disparate semelhante, a maioria ficava frustrada: o que poderiam elas comprar para a criança ou (ainda mais absurdo) como poderia ela desenvolver a sua identidade intra-uterina de forma saudável? A razão para a escolha era simples: queríamos evitar, antes da luta que sabíamos inevitável, a dicotomia que parece inescapável do azul/cor-de-rosa. Ainda que argumentássemos que há uma paleta de cores enorme para além dessas duas ou que meninos podem usar cor-de-rosa e meninas azul, algumas das pessoas atribuíram a escolha apenas à nossa vontade de “ser difíceis”, com muitas a suspeitarem de forma aberta que nós sabíamos, mas recusávamos dizer o que, para elas e de forma determinante, seria a criança.

Mesmo nas aulas pré-parto a diferença entre Mães (com “M” maiúsculo”) e “parceiros” é evidente. Sim, faz algum sentido que as sessões dedicadas ao parto e amamentação sejam mais centradas na experiência da mulher, já que ela é literalmente o centro da acção, mas, mesmo as outras sessões são por vezes, e de forma completamente impensada, quase ridículas: se, por um lado, exigem aos pais o conforto da mãe, por outro vão polvilhando o discurso com estereótipos retrógrados ou mesmo misóginos. Na melhor das vontades, atribuí esses lapsos à cultura vigente e ríamos os dois dessas contradições ignoradas a caminho de casa. Outro ponto importante (e aqui pode ver-se o nosso privilégio) é o insistir na amamentação.

Amamentação é um ponto muito controverso que, mais do que um estado de beatitude e construção saudável de relação entre mãe e criança, se torna numa forma de consumo moral conspícua, onde o privilégio do tempo para isso (a maior parte das mulheres não tem disponibilidade para poder fazê-lo mais do que nos primeiros meses, sem ser prejudicada no trabalho, e mesmo esses meses só graças à lei portuguesa), da capacidade para isso (ao contrário do apregoado, nem todas as mães o conseguem fazer, com alguns números a referir cerca de 10% que não o conseguem) ou mesmo a dificuldade de o fazer (há mulheres a quem a dor ao amamentar é de tal forma insuportável que têm de abandoná-lo) são usadas como armas de superioridade moral contra todas aquelas que têm a temeridade de confessar um desvio à doutrina (aviso à navegação: mantenham-se longe de qualquer mommy war, onde as lactivistas estão prontas a espezinhar a já frágil auto-estima de uma mãe com dúvidas). Se, nos anos 60, a amamentação foi recuperada pelas feministas da medicalização e mercantilização a que estava sujeita, estas posições são prejudiciais e excluem aquelas que precisam de mais ajuda num momento tão difícil. Pela minha parte, admito que a escolha de amamentar também me parece pôr em causa a divisão igualitária das tarefas, já que torna impossível dividir noites ou semanas de sono. Dediquei-me ao que podia, mantendo todas as tarefas domésticas e partilhando as da criança que era possível.

Finalmente chegamos ao ponto que mais me surpreendeu e, quase um ano depois, ainda me continua a surpreender: a forma como é construída e aplicada a imagem de pai bem intencionado, mas incompetente. Tanto de pessoas conhecidas, como de desconhecidas, é-me continuamente reconhecida uma incapacidade de tomar conta da criança de que só a mãe ou alguém que já foi mãe me pode salvar. Isto acontece continuamente. Imaginemos que a criança está inquieta e a chorar na rua: se estiver ao colo da minha mulher, é-lhe reconhecido o azar ou a paciência e desejada sorte, se estiver no meu colo, ouvem-se as perguntas do que poderei eu ter feito e desejada a rápida intervenção da mãe para salvar a criança. Uma qualquer piada que seja feita pela mãe sobre o cuidado ou educação da criança é recebida como jocosa e até talvez com risos, se for feita pelo pai, com choque ou uma oportunidade de esclarecer e salvar a criança daquele bruto.

Voltemos ao início: sou feminista. A minha criança vai sê-lo também, mas há muito trabalho pela frente, para mudarmos esta corrente misógina casual que permeia toda a nossa cultura e não permite o apoio às pessoas, homens e mulheres, que nela vivem. Para que os pais assumam o seu papel de responsáveis perante estes novos seres e perante todas as tarefas domésticas diárias, não podemos defendê-los com uma imagem de incompetência, mas exigir-lhes o mesmo esforço e resultado que esperamos de uma mulher. Ser feminista não é dizer que as mulheres são melhores (principalmente se o limitarmos a tarefas domésticas), mas que são iguais e que por isso todas as tarefas devem ser divididas pelos dois. Quanto aos estranhos que pensam que a criança sofre muito nos meus braços, nem imaginam a quantidade de escolhas não-normativas que escolhemos e às quais a submetemos, na esperança de formar um ser autónomo e completo, com capacidade de, se não livrar-se deles, pelo menos reconhecer e defender-se destes estereótipos e privilégio.

João Miranda é uma pessoa que se perde por vários temas. Quando não está a trabalhar ou a cuidar da prole, escreve para o c7nema.net

Illustration by Jim Cooke.

As palavras por dizer!

Vão ao médico. Frequentem a consulta de planeamento familiar todas as semanas. Usem preservativo, dispositivo intrauterino, o anel, o adesivo e o implante. Espermicida inseticida e óleo de fígado de bacalhau. Laqueiem as trompas e façam uma vasectomia. Deixem crescer todos os pelos do corpo, não usem desodorizante, fio dentário ou pasta dentífrica. Não tomem banho se preciso for! Abstenham-se raios. Cuidem da vossa saúde, não tenham filhos, por favor.

Agora olha para cima, volta atrás e lê tudo do inicio. Posso trata-lo por tu? Chegados aqui, vou assumir que sim, somos amigos.

O que ninguém nos diz antes de sermos pais, é que depois de ter um filho viveremos para sempre no medo de o perder. E não é metáfora, não me refiro a perder um bebé que cresce e depois é do mundo, nada disso, perder perder, ver sofrer ou até morrer. Porque depois da euforia do nascimento nasce essa angustia, incerteza amarga, será que o vou deixar cair, estou a pegar bem, ainda parto alguma coisa, e se ele sufoca a dormir, a morte súbita é um risco, e no carro, vou mudar de carro para um mais seguro, e comprar uma cadeirinha com triplo airbag e atmosfera protetora. Porque agora tudo pode acontecer, e ele é tão frágil, que o único objetivo das nossas vidas é protegê-lo, com a nossa própria vida se for preciso. E não estou a exagerar.

E não acontece nada, ou acontece tudo. Nasce prematuro e os pais acordam de imediato para um limbo de muitas semanas de dúvidas, alimentadas por esperanças. Nasce bem e saudável mas um simples vírus, uma poeira de merda de tamanho microscópico, atira a vida do recém nascido para um novelo de indecisões, onde os pais se embrenham até à ponta do último fio, incapazes e impotentes, jurando dar a vida pelo ser que acabaram de conhecer. Correndo bem tudo se esquece, mas fica o medo, esse fica sempre.

Eles crescem. De bebés se tornam crianças, as saudades que sentimos do primeiro estado, e à medida que crescem qualquer percalço é um apocalipse. Da gripe à varicela, dos cinco pontos na cabeça à perna partida, do choro por perder um amigo à asma asfixiante. 

Ver um filho sofrer é um desastre de proporções inimagináveis. É uma dor na alma, um sobressalto constante. Um filho longe e um telefone a tocar é pólvora ao lado de fogo. E nada nos prepara para isto, nem as imagens da Síria vista no jornal da noite.

Por isso deixo o conselho, que não é ensinamento, mas sim aviso. Na preparação para o parto ninguém nos ensina a sofrer, ninguém nos avisa que vai ser assim para sempre, em todos os dias da nossa vida, ter filhos é ter medo de os perder.

Ainda aqui estás, posso continuar a tratar-te por tu? Vou dizer-te o que os teus outros amigos calaram. Não estás disponível para sofrer, todos os dias, pelos filhos? Volta ao inicio deste texto. Lê todo o primeiro parágrafo, repetidas vezes, até ao fim.

Há sangue suor e lágrimas no caminho da felicidade.

 

(Este texto é escrito ao abrigo do antigo e do novo acordo ortográfico. Num país que criou muitos mestiços eu gosto de misturas)

 

Paulo Couto

2 de Julho 2017

Paulo Couto é pai da Olívia e do Xavier, é empresário e realizador com alma de viajante. Vejam alguns dos seus trabalhos aqui



Os créditos da foto são mais uma vez da Marta Marinho, mulher do Paulo e excelente fotógrafa.

O pai no Caos!

Este é um blogue sobre o doce caos em que a nossa vida se tornou após sermos mães! Tivemos desde o início o objectivo de partilhar experiências, medos, soluções.

No fundo partilhar, ajudar e pedir ajuda com o dia-a-dia de quem tem filhos e com eles tantas e tantas dúvidas. Por esse motivo é que desde o início trouxemos convidados com histórias de vida diferentes das nossas,  mães de gémeos, madrastas, pais que trabalham em continentes diferentes dos filhos, mães com crianças especiais e tantos outros convidados fabulosos!

Durante muito tempo ao primeiro domingo de cada mês contávamos com a participação especial da querida Nutricionista Sandra Almeida e os seus artigos de nutrição infantil. 

Depois lançamos o desafio de nos contarem as histórias dos vossos partos, e tivemos tantas partilhas que de certeza ajudaram quem nos lê desse lado.

Agora chegou a vez do Pai! A partir de amanhã, ao primeiro domingo de cada mês, teremos um post especial escrito por um pai.  Vamos partilhar com vocês o doce caos visto pelo pai.

O pai de serviço no Caos será o Paulo Couto que já foi nosso convidado anteriormente e como poderão ver tem o dom da escrita e do humor!

Ocasionalmente outros pais se poderão juntar a nós e qualquer papá poderá enviar-nos o seu texto para blog@sweetcaos.com

Esperamos continuar a atingir o nosso objectivo e partilhar com vocês pontos de vistas sempre diferentes sobre o doce caos da vida de quem tem filhos.

Esperamos que gostem! 🙂

Dias difíceis!

Tem sido dias difíceis! Nenhum pós-parto será fácil e haverá muitos bem piores que o meu, mas cada um sente as suas dores, não é? 🙁

Dei entrada no sábado à noite no hospital com o início do trabalho de parto que entretanto estagnou. Uma tarde de domingo a subir e a descer escadas, banhos quentes e eis que o trabalho de parto se desencadeou finalmente. Às 4:30 da manhã de segunda estávamos na sala de parto. O parto terminou às 10:39 com o nascimento da nossa Flor ❤,  mas sobre o parto escrevo noutro dia. 

Hoje sexta à noite continuamos no hospital. Sem previsão de alta para a miúda. Nasceu segunda! 

Eu já tive alta mas a princesa tem os valores das bilirrubinas altos e precisa de fazer foto-terapia. O problema é que os valores não baixa tendo até no último dia subido. Iniciamos agora uma terapia mais forte e já se notou uma pequena descida mas ainda não o suficiente para estarmos bem.

Já sei que há casos piores, doenças graves, mas como já escrevi antes o pós-parto é difícil, muito difícil.

Nesta montanha russa do pós-parto qualquer coisa é super-alimento para as hormonas! Mama? Faz xixi? Faz cócó? Está amarelo? Dorme? Tem cólicas? 

E nós? Continuamos com aspecto de grávidas ou estamos gordas? Porque raio os pontos doem tanto? E o sono? E o que podemos comer? E as dores no peito?

Depois olhamos para aquele ser aqui ao lado e rimos-nos, apaixonadas e a saber que vai passar esta fase maluca e vai valer a pena, já vale! 

Na minha montanha russa está a indefinição da alta da Flor. É hoje? É amanhã? Mas é porque isto? E as consequências? Vai-se gerindo dia a dia o que me parece tão difícil nesta altura. 

Desde quarta que pedi que não me viessem visitar. Apenas o pai dos miúdos. Estou cansada e aproveito a ajuda do pai para descansar e tentar dormir. 

Provavelmente estes dias seriam mais fáceis com a visita da família e de amigos mas neste momento a minha montanha russa não tem paragem para outra coisa que não seja dormir. 

Amanhã cá estaremos com a miúda no spa na esperança que esteja a melhorar. Ansiosas de ir para casa para o pé da família e principalmente carregadas de saudades do mano!! 

Que saudades tenho do meu filho!!!! Lembro-me tantas vezes de uma mãe que nos escreveu sobre o parto dele em pensava tanto na filha que ficou em casa, percebo tão bem agora! 

E pronto, já desabafei com vocês e eis que vos deixo com o primeiro texto neste blog escrito totalmente sobre a influência dos baby blues. Tenham paciência! 
Obs- na foto a miúda está a dizer: Oh mãe, relaxa! 

Lista – mala da maternidade

Pois é, está a chegar a hora e as malas estão prontas há semanas! Andam no carro a passear até que chegue realmente e desta vez, finalmente, a hora! (Está quase!!!!) 

Como muitas vezes há dúvidas quanto ao que levar na mala para a maternidade e a verdade é que varia de maternidade para maternidade e até de pessoa para pessoa mas deixo-vos a minha lista. É sempre uma ajuda! 🙂 Guiei-me pela lista da maternidade do hospital de Gaia mas acrescentei algumas coisas que sei que foram importantes no nascimento do meu primeiro filho.

Na maternidade aconselham a que se prepare duas malas. Uma para o primeiro dia e outra para o internamento pós-parto. 

Preparei portanto duas malas, uma pequena para o primeiro dia e uma maior para os restantes dias.

Na mala do primeiro dia levo:

– Robe 

– 2 Camisas de dormir, sendo que abrem na frente para facilitar a amamentaçao.

– Chinelos de quarto e chinelos de praia para tomar banho 

– Cuecas de algodão 

– Sutien de amamentação

– 2 Frasquinhos daqueles de viagem um com gel de banho e outro com hidratante.

– 1 saquinho com a primeira roupa da bebé onde levo: 1 body+ 1 calças interiores, 1 babygrow, 1 par de meias, 1 gorro de algodão, 1 fralda de pano, 1 fralda descartável e uma mantinha. 

Na mala do primeiro dia também levo o meu documento de identificação, últimos exames e análises e o boletim de grávida.

Na mala do internamento a minha lista é:

Para mim,

– 2 Pijamas ( prefiro pijamas a camisas, mas levo pijamas em que as camisolas tem abertura na frente por causa da amamentação ) 

– Produtos de higiene pessoal (tudo o que habitualmente uso, e não se esqueçam de um bom creme para o corpo!)

– 2 Toalhas de banho

– 1 Sutien de amamentação 

– Cuecas e meias 

– Pomada purelan e protectores de mamilos da medela (usei durante a amamentação do meu primeiro filho e acredito mesmo que fez diferença! Se pensam em amamentar, vale a pena o investimento!)

– 1 Pacote de pensos higiénicos dos plus

Para a bebé levo, 

– 1 Pacote de fraldasdescartáveis 

 – 3 Toalhas de banho 

– 1 Manta

– 3 Fraldas de pano 

– 1 Pacote de toalhitas 

– 3 Conjuntos de roupa interior (body+calças)

– 3 Babygrows 

– Meias, carapins e gorros de algodão 

– Casaco para o dia da alta

– Chupeta (esterilizado em casa. Pode-se usar ou não mas na hora das vacinas pode ser uma boa ajuda!)

Eu levo ainda carregador de telemóvel, um livro (crente!) e uma banda larga para ter internet! 😂

Não levo cinta para o pós-parto porque acho que isso só saberemos se é preciso/recomendado depois do parto. As cintas para parto natural ou cesariana são diferentes.

Também não levo bicos de silicone como algumas mamãs levam porque se a bebé pegar bem na mama não vale a pena gastar dinheiro nisso.

A roupa, as mantas e as toalhas da bebé já foram todas lavadas com detergente próprio para bebés e aquelas etiquetas que estão em contacto com a pele foram cortadas!

Não se esqueçam que os bebés não saiem da maternidade sem a cadeirinha-auto. Tenham a vossa pronta 🙂 

E pronto! Espero que seja útil a alguma futura mamã e espero dar uso a tudo isto muito em breve! Agora já estou ansiosaaaaaaaaa!!! 

Contagem decrescente!

TRINTA E SETE SEMANAS!!! 37!!!!

Chegamos finalmente às tão ansiosas 37 semanas e fintamos assim por duas vezes um parto prematuro. 

Agora a ordem é andar, andar, andar e passamos de contar os dias em forma crescente para a forma decrescente! Vamos lá que da próxima vez é para nascer e conhecer a princesa! 

Esta semana ainda estou com alguns cuidados pois só sexta-feira faço três semanas da toma da vacina da tosse convulsa mas após sexta estamos no “vamos que é para nascer!” 

Alguém quer apostar a data de nascimento? 😍 

Hotel – parte 2! 

Pois é! Depois de já termos estado no hotel o mês passado eis que cá estamos outra vez já há uns dias! 

Depois de um dia tranquilo com direito a visita de uma amiga em casa e um almoçinho de fast food, que faz mal já sei, mas sabe bem, principalmente a quem está de repouso em casa, eis que após o jantar as dores arrancaram como cavalaria e não me restou outra coisa que não fosse vir às urgência! 

Isto dos miúdos e da gravidez é mesmo um dia de cada vez, ou meio-dia de cada vez!!! 

Cheguei ao hospital com a certeza que era trabalho de parto, as dores, as cólicas, os nervos… e era… 33 semanas!!! Oh miúda!!! Stressada!!! 

Graças a Deus a equipa médica conseguiu mais uma vez parar este cenário, mas desta vez foi assustador. As contrações eram todas de 100!! Muitas, muitas! Dores… comprimidos atrás de comprimidos… até que estabilizou. 

Agora cá estamos, a tentar estar sossegadas, aguentando no forninho a miúda o mais que se puder. Numa próxima situação destas já sei que os médicos não irão travar e a miúda nascerá. 

(Ela que não ouça porque já todos percebemos que tem muita pressa!) 

“Estamos no hotel!”

Na minha primeira gravidez estava com 30 semanas e fui internada de urgência porque entrei em trabalho de parto. Graças à evolução da medicina e da fantástica equipa do hospital de Gaia conseguimos controlar a situação e o meu miúdo acabou por nascer às 41 semanas. É uma história para vos contar noutro post porque merece que percebam o feitio do meu miúdo. Eheheh 

Esta semana a história está-se a repetir. O problema é que ainda mais cedo … estou de 26 semana e “estou no hotel” outra vez.

Ia eu a sair de casa quando ao descer a rua escorreguei e fui de rabo ao chão. Uma queda aparentemente simples, numa rua a descer, molhada da chuva. Por descargo de consciência porque nessa tarde tinha que fazer uma viagem vim ao hospital ter a certeza que estava tudo bem. Sentia-me bem, o bebé mexia, tudo aparentemente normal. Há excepção das dores no fundo das costas resultante da queda.

Quando comecei a fazer a avaliação estava tudo normal e de repente… começam as contrações, começam a aumentar a intensidade e a frequência e eu começo a ver o filme na minha cabeça… “vou ficar internada!” Já pensava eu. 

E ao final da tarde após 4 horas de traçados (ctg) e da avaliação da médica o veredicto chegou. “Vai ter que cá ficar!” E pronto! 

Só que desta vez há mais um membro em casa! E custa mais estar cá. Tenho plena consciência que estou no sítio certo e que é aqui que devo estar, por muitas saudades que eu tenha dos meus amores e eles de mim. 

O meu homem pequenino percebe e tem aceite. Pergunta-me de estou melhor e se já posso ir embora. Como lhe digo que ainda não, diz que então cá fica comigo. Explicamos que não pode porque o médico não deixa, e ele responde que vai ficar doente para poder ficar. Até que depois se convence que amanhã é outro dia e se convence a ir embora sem a mamã, e me diz : ” amo-te de vida!” ❤️ 

Nunca sai sem se despedir da mana e sem nos dizer para ficarmos boas! E sei que no infantário diz que a mamã caiu mas é muito forte e vai ficar boa! 

E é isso que todos queremos. Que neste momento tudo se resolva, com calma e é com calma que teremos que ir até ao final da gravidez. Repouso até ao fim, já me disse a médica. E eu só espero que desta vez também corra tudo bem como com o miúdo.

Estes meus filhos ainda são mais apressados que os pais. Aí aí!