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O nascimento da Julieta!

É com muito prazer que aceitei o convite da Bárbara para falar do meu parto e do nascimento da Julieta. É um momento que me lembro imensas vezes e sempre com um sorriso nos lábios.

Toda a gravidez foi muito tranquila, fiz sempre a minha vida normalmente, continuei a ir ao ginásio. Acho que fiz spin até ao oitavo mês. E só parei porque o meu marido sofreu um acidente, partiu uma perna, foi operado e como tal as coisas complicaram um pouco.
Foi um valente susto o acidente mas mesmo assim a Julieta manteve-se tranquila cá dentro.

Na altura não sabíamos ser uma Julieta porque não quisemos saber o sexo da criança, queríamos deixar essa emoção para o parto.

Aos 8 meses e meio acabei o que tinha a fazer no trabalho e comecei a trabalhar mais por casa para dar assistência ao meu marido, mas todos os dias a minha caminhada de 5/6 km estava assegurada.

Os dias foram-se passando e a Julieta não dava sinais de querer sair, mas estava tudo bem com ela.
Chegamos às 41 semanas, a minha obstetra ia de férias mas eu não queria induzir. Queria um parto normal e que fosse a minha filha(o) a dizer quando estava pronta.
Eu sou investigadora em ciências biomédicas e na minha opinião o corpo humano é uma coisa fantástica, que tem o seu tempo e que nós efetivamente ainda percebemos muito pouco. Fui contra a minha obstetra e às 41 semanas não induzi, esperei…
Tive ajuda da enfermeira Isabel Ferreira da Gimnogravida (enfermeira parteira) que me examinou e viu que estava tudo bem. Ajudou-me também a perceber que é normal. Uma gravidez são 40 semanas (+/- 2) o que quer dizer que efetivamente pode ir às 42 semanas.

Continuei a caminhar e a esperar.
Já quando estávamos a decidir em que dia iríamos induzir na madrugada do dia 14 de Agosto (41 semanas e 6 dias) acordo cheia de dores nas costas (já me tinha sentido assim antes de me deitar). Sinto uma cólica e pelas 5h apercebo-me que é hora, as contrações estavam a começar. E estas realmente não deixam duvidadas, começaram em cheio!
Olho para o relógio e elas vinham já de 5 em 5 min.

Como o meu marido não podia guiar ligamos ao meu cunhado que chegou rapidíssimo, ainda antes de eu conseguir meter as poucas coisas que me faltavam na mala, uma vez que já tinha pouco tempo em que me conseguia mexer entre uma contração e outra.

Fomos para o Pedro Hispano (foi o hospital que escolhemos uma vez que estão já habituados a partos naturais e as referências que tínhamos eram muito boas).
Chegamos ao hospital as 7h e fui logo vista por uma enfermeira que disse que ia nascer.
Fomos para a sala de parto, o meu marido entrou e as 7:30h a minha filha nasceu. Foi um momento fantástico, muito rápido e lindo.

Se doeu? Sinceramente não me lembro da dor. As contrações doeram sim, mas já tive dores muito piores.

A alegria de sentir a minha filha a nascer, de sentir realmente, de ser eu a fazê-la nascer, muita!

Ela foi colocada no meu peito, deixamos pulsar o cordão umbilical, fui eu quem o cortei.

De seguida tive uma descarga de adrenalina enorme, tremi durante cerca de 20 minutos mas estivemos sempre os 3 juntos.
Quando me acalmei vestimos-la e ficamos ali a aproveitar o momento. Foi mágico!

 

Ligia Tavares

Obrigada pela partilha Ligia, acabaste de restaurar a fé nos partos 🙂
Muitos beijinhos a todos  em especial à Julieta!

Manas L e duas experiências tão diferentes!

1ª experiência – LEONOR

Tal como a Bárbara eu tinha horrores ao parto e adiei a maternidade por 5 anos, até que cheguei aos meu 30 anos e disse para mim, ou é agora ou nunca… E foi, engravidei da Leonor.

Quando soube que estava grávida, fiquei tão feliz que nem me lembrei que ela tinha de sair passados 9 meses (ui que medo).
A gravidez foi passando, mas pelas 14 semanas de gestação esta “menina” pregou um susto à mãe, tive descolamento da placenta e “atiraram-me” para uma cama até quase ao fim da gravidez.
Cada vez que fazia uma ecografia a médica dizia-me, cuidado mãe podemos ver algo menos bom, mas eu só dizia: “nada disso Dra. este bébé vai nascer lindo e saudável, eu sinto”, e assim foi.

No dia 11 de Setembro de 2011 estava eu sentadinha no sofá a ver as notícias sobre o que se tinha passado no atentado do 11 de setembro, quando fui ao WC fazer xixi e, ui o xixi não parava de sair, corri para a sala pedi ajuda ao pai dela e lá fomos para a maternidade, cheguei lá perguntei à enfermeira: “já posso ir para casa? já parei de fazer xixi e só tenho parto marcado para dia 15 de setembro, até lá ainda me falta comer a minha bola de berlim.”  Resposta da enfermeira: “Nada disso mãe, vamos analisar a mãe e ver os batimentos da bebé e prepará-la para o parto, não tarda nada a rapariga está cá fora!!!”
Entrei em pânico, tal como a Bárbara, também tive as aulas de preparação para o parto mas que não me serviram para nada.
Lá fui eu para a sala de partos e só ouvi a e enfermeira dizer ao pai para ir para casa e que regressasse de manhã.
Passei a noite toda a ouvir gritos de outras mães e eu nada… nada… e nada e só pensava que algo estava errado, todas gritam com dores menos eu, eu não tenho dores e passaram-se assim 17 horas sem dores, sem nada, até que um médico chegou junto de mim, fez-me o toque e disse: “Vamos lá!”! E eu perguntei “para onde?” e ele respondeu: “conhecer a sua filha”.
Disse-lhe que  não tinha dores e estava bem mas o médico respondeu que era por isso mesmo, que a  menina tinha decidido sentar-se e dormir mais um pouco, portanto tinhamos de acordá-la e apresentar-lhe a sua nova vida.
E lá fui eu e ela para o bloco.
Despedi-me do pai dela e fomos as 2.

A rainha Leonor nasceu de cesariana a 12 de setembro de 2011, pelas 14h, com 50cm e 3140kg.
A Leonor chorou, a mãe chorou!
Estava com uma conjuntivite e tinha de ter muito cuidado para não lhe transmitir mas a minha filha era e é perfeita, linda, fantástica e é a minha melhor amiga, pois a Leonor apesar de criança já me apoiou tanto….

Foi um parto fantástico feito pelo Dr. Vitor na maternidade Júlio Dinis, nunca ouvi tantas anedotas durante um parto, posso dizer que o meu foi divertido e que no final correu bem!
A Leonor nasceu numa 2ª feira, passado uma semana eu já conduzia, claro que tive muitas dores no pós-parto, mas sempre aguentei bem, tão bem que passados 28 meses repeti a experiência.

Leonor

 

2ª Experiência – LAURA

Como já disse anteriormente adorei tanto a experiência de ser mãe como a do parto, apesar de tudo tinha corrido tão bem, que passados 28 meses a história repetiu-se mas com algumas grandes diferenças.

Voltei a engravidar e a 24 de janeiro de 2014, com 39 semanas, e parto marcado para este dia, dei entrada pelas 7h30 da manhã na maternidade. Desta vez consegui comer a minha bola de berlim.

Deixei a minha filha Leonor com os meus pais e fui o caminho todo a chorar para a maternidade, pois ia ter outra filha, mas tinha deixado outra que tinha 28 meses.
Quando temos outro filho a sensação de ter outro é boa, mas ao mesmo tempo preocupante, pois eu ia com receio que alguma coisa corresse mal… e deixasse para trás o meu bem mais precioso, a minha filha Leonor.  É mesmo uma sensação muito estranha, não sei explicar, foi um medo que se apoderou de mim,  fiquei muito ansiosa, só queria chegar à maternidade e que a Laura nascesse rápido para eu puder estar com as duas… Desculpem este meu desabafo, mas foi assim que me senti!
Cheguei à maternidade e examinaram-me, certificaram-se dos batimentos cardíacos da minha filha, mandaram-me trocar de roupa e fui para uma cama. Passados 10 minutos chega a médica, apresentou-se disse que seria a equipa dela a fazer-me o parto, fez-me algumas perguntas e após isso, começou o meu terror, desculpem, mas foi mesmo assim um filme de terror que parecia não ter fim… provocaram-me o parto, rebentaram-me as águas…
Em termos de comparação, sabem aqueles espetos de assar os frangos??? Pois foi mais ou menos assim que me rebentaram as águas, primeiro deram-me uma medicação intravenosa, depois vieram enfermeiras e agarraram-me nos braços, depois a médica com dito “espeto” e já está, ai se pudesse naquele momento tinha-me atirado a ela, doeu tanto, mas tanto que eu só pensei magoaram a minha bebe, mas não! Senti-me toda molhada a esvaiar-me toda de água, urina e sei lá que mais, fiz a minha comparação com uma gata a parir.
Eu só dizia, “Dra. eu fiz uma cesariana há 28 meses, não corro riscos, não é melhor fazerem-me outra?” e ela respondeu-me “você é médica? o protocolo diz que só se for inferior a 24 meses, a sra, já passou mais 4 meses”. Pois, pensei eu, ela terá razão.
Trocaram-me a roupa e mandaram-me para o corredor andar, como se eu pudesse, pois se da Leonor não senti dores, da Laura senti e muitas…. Só Deus sabe o que se passou ali…
Andei, andei, andei, conversava muito com o meu pai pelo telemóvel, chorava muito, tinha fome e sede, só queria ver a minha filha Leonor e ter a minha filha Laura nos braços.
Estive a maior parte do tempo sozinha… sentia-me só…. Até que pelas 20 horas me mandam para a BOX, começam a dar a epidural.
“Bolas!” disse a anestesista. Eu estava sentada de cócoras e cheia de dores, mas perguntei, “Passa-se alguma coisa?” Respondeu que sim, que ia doer um pouco porque a agulha partiu!
OK, mais umas dores, mas lá me aguentei. Mandaram-me deitar na cama, medem tensões, os batimentos meus e a da minha filha, dão-me medicação, sei lá mais, que me fizeram, até que me levantei e disse: “Estou aqui desde as 7h30 da manhã, já passam das 20h e a minha filha não nasce, o que se passa???”
Lá vem a médica, mais medicação, só que desta vez acho que foi para me acalmar. Estava sozinha numa sala que parecia o inferno, acho que estava tão anestesiada que  deixei de sentir as dores. Apanhei uma infeção, ganhei febre e a minha filha não nascia…. Só pensava na minha outra filha que tinha ficado com os meus pais.
Fiz a dilatação toda, e não só… eram meia-noite, tinham mudado de equipa, entrou uma médica para me ver e só me lembro dela começar a gritar e a pedir ajuda, a minha filha tinha entrado em sofrimento, pois ela queria sair, mas eu não estava a ajudar muito, tinha as contrações no máximo, mas não sentia nada, nem as dores.
Lembro-me da médica e dos enfermeiros, acho que contei para aí 12, de repente a sala ficou cheia a médica empurrou (acho eu) a Laurinha para cima e fomos a correr para mais uma cesariana. era 1h39 da madrugada do dia 25 de janeiro de 2014, e a minha filha nasce!
Não ouvi a Laura a chorar, e aterrei, desmaie! Acordei eram 4h30 da manhã, com a Laura já vertida no seu lindo fato verde, agarrada à  minha mama, e lembro-me de chamar a enfermeira e ter perguntado: “Esta é a minha filha, certo? Ela está bem, certo?”, A enfermeira olhou-me nos olhos e disse,: “Sim mãe é a sua linda filha, tem 51 cm, pesa 3490, agora está tudo bem com ela.Vamos tratar agora da mãe. Tem aqui o seu telemóvel para ligar para quem quiser.!”

As dores desta cesariana, foram tão más, que devido à infeção que apanhei lá, a minha barriga cresceu tanto (que parecia continuar grávida) e passado uma semana, dei entrada na maternidade, pois os pontos rebentaram e saíram alguns agrafos, mas fiquei bem, só descobri aos 33 anos com esta cesariana, que só tenho um rim.

Agradeço todos os dias a DEUS, pelas linda filhas que me deu, por tudo no final ter corrido bem, e mesmo assim, eu ainda gostava de poder ter outro filho.

mas L

Desde então a vida trocou-me as voltas, eu e o pai das minhas filhas já não estamos juntos (mas é o pais delas e elas adoram-no).
Perdi ainda o homem da minha vida, o meu pai, que partiu o ano passado em 14 dias, e foi o meu pai que sempre me apoiou muito.

Mas estou a conseguir dar a volta por cima, fiquei sozinha com as minhas filhas ( a Leonor com 2 anos e a Laura com 5 meses), uma casa para pagar, e com dívidas! Como devem imaginar desesperei mas arregacei mangas e segui em frente! Cheguei a ter 3 trabalhos, paguei tudo, divorciei-me, tive sempre o apoio do meu pai e hoje reencontrei o amor da minha vida, alguém que me ama, me respeita, me ajuda, me admira e é amigo das minhas filhas, e tento ser feliz todos os dias.

Hoje posso dizer, consegui! Nunca fugi dos meus problemas, só tentei torná-los mais simples e nunca prejudiquei as minhas filhas, faço tudo o que posso por elas, tento estar sempre presente, e espero que um dia, elas percebam que todos os sacrifícios que a mãe fez, foi somente a pensar nelas.

Hoje gosto muito da mulher que sou!!!! SOU FELIZ  e AMO MUITO as minhas princesas!

Fernanda Silva

 

Muito obrigada pela partilha Fernanda! É bom sabermos que apesar de tudo, vale sempre a pena!
Parabéns para as manas por serem tão doces (diz até que uma vai ser minha nora!!)  e à mãe por ser uma guerreira!

 

 

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O Nascer de uma Princesa <3

 

Fui convidada pela Bárbara a fazer um texto sobre “Parto” para o Blog Sweet Caos, e como é evidente nem sequer hesitei em dizer de imediato que sim!

A minha história não é longa nem mesmo daquelas histórias difíceis, porque para mim toda a gravidez foi uma dádiva! Não tive enjoo, nem desejos e cheguei às 39 semanas apenas com um carro de mão para conduzir! Sim a minha barriga estava toda empinada 🙂

Foto 1

É certo que fiquei em casa com gravidez de risco aos 5 meses, mas deveu-se ao facto de eu desde a data em que engravidei não tinha adquirido nenhum peso extra, isto é, a minha pimpolhinha estava a engordar normalmente mas aqui a mãe não! E vim para casa! O que é certo, é que ao fim de um mês de estar em casa aumentei 2 kg e cheguei ao final com 47 Kg mais 14 que os meus habituais! Não entrem em pânico! Eu sou bastante pequena (132cm) por isso esse peso numa estatura assim eu até estava cheinha 🙂 🙂 🙂

Como fiz uma gravidez até normal, tendo em conta que sou uma mulher de estatura muito baixa e sempre pensei que a coisa não iria para além das 24 semanas… mas foi 🙂 … aguentamos e lá chegamos às 39 semanas.

Desde cedo que me mentalizei que tudo poderia ocorrer do mau ao bom e assim fomos vivendo o dia-a-dia de uma gravidez que para mim foi magnífica!

Com o passar do tempo fui interiorizando que até podia ir para uma sala de partos, ter as famosas contrações e passei algum tempo a ver todo o tipo de Parto que o Youtube disponibiliza (coisa de doida! Sim eu sei..), preferia ver tudo e mais alguma coisa para ter a certeza que quando chegasse a minha hora iria ter conhecimento, pelo menos visual da coisa (para o que nos dá quando ficamos em casa com gravidez de risco!)

O meu “mais que tudo” só dizia… estás a ver isso para quê? Pois para quê… na hora dá as dores e nem sequer sabemos como fazer a respiração que aprendemos nas aulas de preparação!

O tempo foi passando e a minha pimpolhinha a crescer normalmente e a Dª Ana Barbosa (que foi a médica escolhida por nós para fazer as ecografias – ADOREI!) dizia não se preocupe a sua menina tem muito espaço, embora não parecesse, está muito bem e não me parece que ela vá nascer prematura! Com estas informações vamos relaxando e levando a coisa mais ao de leve!

Fiz a última ecografia na Drª Ana Barbosa aos 8 meses e a coisa mantinha-se, até que comecei a ser seguida pelo Hospital de Vila Nova de Gaia (Não tenho que dizer, adorei todo o tratamento que me deram e a equipa médica, de enfermagem e auxiliar são TOP!).
Na segunda consulta foi indicada a fazer cesariana programada, a minha pimpolhinha estava estimado o percentil 75 e eles não queriam arriscar um parto normal!
Fiquei limitada ao distrito do Porto não podia andar em grandes viagens porque à mínima dor tinha de ir para o Hospital sem perder tempo!
E os dias foram passando e chegou a data agendada, fui para o Hospital um dia muito complicado na cidade (o trânsito estava um caos!) cheguei ainda havia pouco gente no servido, incluindo utentes…

Fui encaminhada para o Bloco ainda aguardei uns minutos (para mim foi uma hora!) e depois lá chegou o anestesista para me dar a epidural! Eu não sei mas entre entrar no Bloco e ter o efeito da anestesia a atuar para mim foi uma eternidade (depois descobri que foram cerca de 30 a 45 minutos!). Infelizmente não era possível o Pai assistir, e por isso ficamos os dois sozinhos (ele na sala de espera e eu no bloco), acho que para os dois foi uma longa espera!
Mas entretanto vejo a minha pimpolhinha lá ao fundo, pequena a chorar com a força do mundo, e a alegria no coração que quer sair pela boca e não cabe! Saltam dos olhos as lágrima de uma felicidade imensa! E queres agarrar e ficar ali mas não podes! E sentes “Ela Nasceu!”
Continuei a ouvir o choro e questionei se ela estava bem, disseram “Sim Mãe! A MJ está bem! Uma bela menina!”. Enquanto me cosiam trouxeram-na de novo para dar mais um beijinho e levaram-na ao Pai. Ela chorava trémula, e eu só a queria nos braços!

Assim que chegou e ouviu a voz do Pai calou-se e fez bolinhas com a boca! <3 🙂 Sem dúvida que o laço que criamos entre nós três durante a gravidez, foi fundamental para a construção familiar que fazemos a cada dia. Eu trouxe-a no ventre mas ela conhecia a voz da Mãe tal como conhecia a voz do Pai, e manifestava isso! Quando ele chegava se não fizesse a festinha na barriga eu tinha a sensação que ela me saía pelas costas 🙂

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Apesar de ter feito cesariana ao fim de duas noites no “Hotel” regressamos a casa! As dores do pós-operatório são muitas, mas passaram rápido. A minha cicatriz ficou perfeita e quero que fique para o resto da vida!

A pimpolhinha deu 15 dias dolorosos aos Papás, mas foi a terapia choque! Noites sem dormir… Mamar fora de horas… dormir fora de horas…Depois passou… ao fim de um mês já dormia uma noite completa (6horas seguidas), fazia os soninhos durante o dia e mamava dentro dos horários!
No final do segundo mês passou para o quarto dela!

Hoje em dia é uma “piquena” bastante refilona e muito independente – Frase tipo “Eu sozinha”!

Trazer um Filho ao mundo é algo único! Para mim tornou-se na realização pessoal mais perfeita que tive e que durante muito tempo questionei se seria possível. Mas foi… Claro que nós somos um pouco daquilo que nos rodeia e o meu “mais que tudo” tem 50% de cota neste objetivo, não só em fazê-lo mas também em ajudar-me a chegar ao fim! <3 <3 <3

Alexandra Vaz

Obrigada Xaninha pela partilha! Muitas felicidades! <3

Cerimónia de entrega Pumpkin Awards

Infelizmente, foi-nos impossível estarmos presentes na cerimónia de entrega dos Pumpkin Awards que decorreu no passado dia 19 de Junho no Festival dos Jogos e Diversão Ludopolis. Contudo, não queríamos de deixar de agradecer publicamente o convite e dar os parabéns à Equipa Pumpkin pela iniciativa.

Estes prémios, por serem recomendados e votados pelas famílias portuguesas, permitem-nos a todos conhecer um pouco melhor várias iniciativas, espaços, locais, blogs, eventos culturais e através da opinião de quem realmente conta: Todos nós!

A grande novidade desta 2ª edição dos Pumpkin Awards, foi a realização de uma campanha solidária, onde graças aos 50 mil votos conseguiu-se angariar 1200,00 € para a causa vencedora da categoria – Melhor causa para famílias e crianças: a Operação Nariz Vermelho!

Mariana Pessoa fundadora do site da Pumpkin partilha: Esta segunda edição dos Pumpkin Awards superou totalmente as nossas expetativas, duplicámos os votos do ano passado por parte das famílias portuguesas e ainda pudemos ajudar uma causa tão conhecida e acarinhada pelo público – A Operação Nariz Vermelho – graças a estas participações. Esperamos que a 3ª edição dos Pumpkin Awards traga ainda mais surpresas, para celebrar o que há de melhor para as famílias portuguesas! Já estamos em contagem decrescente para 2017…

Aqui no Sweet Caos apoiamos esta iniciativa e convidamo-vos a conhecer um pouco melhor os vencedores.

Melhor Livro Para Crianças: O Leão Que Perdeu a Juba

Melhor Programa de Televisão Para Crianças: Patrulha Pata

Melhor Filme Para Crianças: Divertida-mente

Melhor atividades para bebés: Música com Bebés & Papás

Melhor causa que apoia família e crianças: Operação Nariz Vermelho

Melhor Estadia Para Famílias: Zmar Eco Resorts

Melhor Restaurantes Para Famílias: Restaurantes IKEA e Capricciosa

Melhor Serviço de Festas de Aniversário: Jardim Zoológico

Melhor Campo/ATL de férias para crianças: Jardim Zoológico

Melhor Museu Para Famílias: Museu Benfica – Cosme Damião

Melhor Peça de Teatro Para Crianças: Tarzan do Teatro Politeama

Melhor atividade de fim-de- semana: Lisboa: Jardim Zoológico Porto: Serralves Resto do País: Portugal dos Pequenitos

Melhor Programa de Serviço Educativo: Lisboa: Oceanário Porto: Casa da Música Resto do País: Quinta da Escola

Melhor Novo Produto ou Serviço: MimoBox

Melhor Blog Para Famílias: Cocó na Fralda

Melhor Aplicação para famílias/crianças: Pediatra Para Todos

Melhor Festival Para Crianças: Festival Panda

Melhor serviço de pré e pós parto: Centro Pré e Pós Parto

Melhor Fotógrafo para famílias: Magma Photo

Info: Press release Pumpkin Awards

“São dois!”

“São dois!”

Foram estas as palavras do médico obstetra que me acompanhava na gravidez.

Friamente diz-me: São Dois!

O meu cérebro congelou. Fisicamente, senti as lágrimas correrem-me pelo rosto num misto de felicidade e de pânico, um formigueiro nas pernas.
Ouvir dois pequenos corações em disparo é a melhor sensação do mundo.

Mentalmente, não conseguia processar a informação, apenas tentava perceber como tinha sido possível isto acontecer traçando mentalmente em flashes toda a árvore genealógica da minha família e da do meu marido tentando encontrar uma explicação. Para ajudar, os meus pensamentos descambaram ainda mais: vou ter que mudar de casa! e de carro! Como vou ter dinheiro para dois bebés!? Como é que isto me foi acontecer?

Fui despertada pelo meu marido que me apertava os pés com um sorriso que naquele momento me pareceu pateta: São dois! Que giro! Dizia ele.

Devo ter ficado de tal forma apática que o médico me interrompeu os devaneios: “Desculpe, já percebi que não estava à espera!”

É verdade! Não estava à espera, nenhuma mamã de 1ª viagem estaria.
Muito menos percebendo desde logo os riscos implicados neste tipo de gravidez, que é vivida sempre em cima da linha: hoje estão dois mas amanhã podem não estar! É isto que ouvimos quase até ao 4º mês de gestação. Os restantes 5 meses são passados na agonia da possibilidade de parto prematuro!

A minha história é feliz! Apesar de algumas contingências pelo meio da gravidez os meus bebés nasceram saudáveis às 38 semanas de gestação.

Aqui começa a minha história! Mãe de gémeos!

Quando recordo os primeiros seis meses de vida dos meus bebés confesso que tenho a sensação de ter perdido alguns momentos. Ser mãe de gémeos significa não ter descanso entre os momentos de amamentação. Recordo-me de uma altura em que andava pela casa em estado morta-viva, praticamente sem ouvir nada e só conseguia emitir monossílabos, tal era o cansaço.

Recordo-me de tentar sair de casa sozinha com os gémeos, por exemplo para comprar fraldas, e acabava sempre por demorar três horas, duas das quais fechada nos fraldários a dar de mamar aos bebés.

Quando vamos pela rua com um carrinho duplo que mal cabe nos elevadores e que ocupa todo o corredor inevitavelmente somos abordados na rua. E lá vema pergunta da praxe “São Gémeos?”. Honestamente e até em tom de desabafo, ainda hoje não percebo bem que tipo de resposta pretende obter alguém que faz uma pergunta destas a uma mãe que empurra um carrinho com 2 bebés iguais! A quantidade de vezes que me apeteceu responder…
“Não! São primos!”

Mas olhando para trás, apesar da violência psicológica que implica todo este processo, tenho de confessar… Sou feliz a dobrar!

Ser mãe de gémeos é ser arrebatada de amor incondicional duas vezes ao mesmo tempo. É ter uma explosão de sentimentos de orgulho, felicidade, vitória tão grandes que não cabem no peito.

É andar sempre no limite das forças! É pegar em 20kg ao mesmo tempo porque os dois querem colo ao mesmo tempo! Demorar 1h30 para sair de casa com três mochilas e mesmo assim faltar sempre alguma coisa! É ser os primeiros a chegar ao restaurante para poder ter 2 cadeirinhas de bebé disponíveis! É correr cinco centros comerciais na mesma cidade só para conseguir arranjar duas peças de roupa iguais! É pensar sempre se o lugar de estacionamento é suficientemente largo para abrirmos as cinco portas do carro! É desesperar com o dobro dos custos em roupa e em fraldas! É ir às urgências em dois dias diferentes por causa da mesma doença porque um fica doente num dia e o outro no outro! É lavar, passar e dobrar o dobro da roupa!

Mas é também ter o dobro do amor! O dobro dos beijos! O dobro dos abraços! O dobro do orgulho! O dobro do carinho! É ser a mãe mais completa do mundo por cada vez que correm dois tesouros para os meus braços no final do dia! É ser completa! É ser rica!

Ser mãe de gémeos é ter um tesouro milionário para toda a vida!

 

 

Daniela Alves é bancária e passa o dia a lidar com dinheiro, mas os verdadeiros tesouros dela estão em casa e são gémeos. 

 

A lista de maternidade

Com tantas grávidas por aí, cheias de dúvidas, decidi deixar aqui uma ajudinha em relação ao que se deve levar para a maternidade.

Nem todos os hospitais disponibilizam listas e sei que na altura era uma coisa que me provocava um pouco de ansiedade: saber o que pôr na mala.

Eu tive o Sebastião no Hospital Sta. Maria e só tenho coisas boas a dizer (tirando a comida que era mesmo horrível), no curso de Preparação para a Parentalidade eles forneceram a lista dos essenciais.

Deixo-vos a lista e os meus comentários, do que realmente precisei e do que não estava e fez falta. Como tudo neste blog, esta é apenas o relato da minha experiência. As necessidades podem variar de hospital para hospital, de mãe para mãe, de bebé para bebé.

Mãe

3 Camisas de Dormir

O Sebastião nasceu de cesariana a uma terça-feira e eu tive alta na sexta-feira. Só pude tomar banho na quarta-feira de manhã. Até lá estamos sempre com a bata do hospital. Eu só usei 1 ‘camisa de dormir’ pois não a sujei. As mamãs de parto normal têm alta mais cedo, normalmente são apenas dois dias. O motivo porque aconselham 3 camisas, está relacionado com o facto de no pós-parto existir sangramento durante diversos dias. O que pode acontecer numa hemorragia vaginal mais forte é a roupa ficar suja. Eu não uso camisa de dormir habitualmente e optei por levar um vestido de algodão, daqueles de praia, de alças. O importante é que seja fácil o acesso ao peito e que seja o mais confortável para nós. Quem optar por camisa de dormir, deve ter atenção que esta deve ter botões na parte da frente de maneira a que o peito fique acessível. Existe sempre a possibilidade de solicitarmos uma bata do hospital limpa, que (em princípio) será fornecida sem problema. Estas batas traçam à frente e também permitem um acesso fácil ao peito.

2 Soutiens de Amamentação

Apenas utilizei um. Na verdade a maior parte do tempo não usei, porque me sentia mais confortável sem ele mas, a maior parte das mulheres, sente-se melhor com o soutien vestido pois o peito fica mais pesado e é normal que após a subida do leite, o peito fique molhado.

1 Robe

Não usei. A maternidade é bastante aquecida por causa dos bebés e para mim estava bastante calor. Também não o coloquei na mala pois não tenho por hábito usar. Para dois ou três dias não me parece que se justificasse o investimento. Optei por colocar um casaquinho para o caso de ter frio que não cheguei a usar. O uso do robe também tem uma parte estética e a maior parte das novas mamãs optava por usar na hora da visita.

6 Cuecas de algodão ou descartáveis

No Hospital Sta. Maria deram 2/3 cuecas descartáveis que são perfeitas para as primeiras horas/dias. Esticam e adaptam-se a qualquer tamanho. O resto do tempo o que usei foram cuecas de algodão mais gastas. Não vale a pena meterem na mala a vossa melhor lingerie, pois o mais provável é que facilmente se sujem.

1 par de chinelos de quarto

Não levei e não usei. Optei por levar havaianas.

1 par de chinelos para o duche

Como disse acima, as havaianas deram para tudo. Depois do banho foi só secar com uma toalha. 

1 saco para a roupa suja

Sacos de plástico dão perfeitamente. Levem vários, assim se for necessário podem entregar à família todos os dias na hora da visita. Evitam acumular coisas ao pé de vocês e do bebé.

Produtos de higiene

Levem os vossos básicos para o banho. Eu levei shampoo, gel de banho, desodorizante, escova de dentes, pasta de dentes, óleo de amêndoas doces (no meu caso foi o que usei toda a gravidez, levem o vosso habitual creme gordo/hidratante), escova do cabelo.

Discos absorventes de amamentação

Eu levei uma caixa mas claro que usei muito pouco. Julgo que para quem use soutien imediatamente 2 pares por dia é suficiente. Os discos além de absorverem o leite que pode sair também tornam os soutiens mais confortáveis nesta fase pois protege do contacto entre o mamilo e os tecidos.

1 pacote de pensos higiénicos

Essencial. Eu optei por levar pensos destinados a perdas urinárias porque são maiores do que qualquer penso de noite. Escolhi uns de marca de distribuição pois são bem mais em conta. Até tomar o primeiro banho são fornecidos pelo hospital. Já não me recordo se me deram mais ou não, mas sei que usei dos meus após o banho.

Recém-Nascido

4 fatos (babygrows, vestidos)

O bebé quando nasce é vestido com a roupa do hospital. Os fatos só são vestidos quando vamos para o quarto. Não utilizei as 4 mudas. Utilizei apenas 3, sendo que a última foi a que trouxe vestida para casa. Optem por coisas simples de vestir e tirar que sejam confortáveis e de materiais suaves. Lembrem-se que o bebé nunca sentiu nada desse tipo e a sua pele é muito delicada. Se o bebé se sujar vão perceber porque é tão importante que seja simples de tirar. Deixem os fatinhos mais complicados para uns dias mais à frente. Eu acho que os babygrows são mesmo o mais prático, ou então um conjunto body, calça e casaco. Eu optei por levar dois de cada. Podem existir fugas na fralda por isso é sempre bom levar os 4.

4 camisas e calças interiores de algodão ou 4 fatos interiores

Os bebés não regulam a temperatura como nós. Por este motivo necessitam sempre de mais roupa. Mas atenção, não sufoquem as crianças e não se esqueçam que no hospital está bastante calor. Eu dispensei as calças e optei por levar apenas bodys de manga comprida. O Sebastião nasceu no inverno e a roupa de fora que lhe levei era bastante quente. Um truque que funciona sempre: eles têm de ter sempre mais uma peça de roupa que nós. Se conseguirmos fazer camadas é o ideal, assim se tiver calor é ir tirando peças.

2 pares de meias

Nestes primeiros dias, as meias são essenciais. Os bebés perdem calor pelas extremidades, ou seja, pelos pés e pela cabeça. Mesmo quando a roupa tem ‘pezinhos’ convém sempre colocar meias por baixo. Pensem sempre em duas camadas, por exemplo: se optarem por umas calcinhas que não têm pés, coloquem meias e botinhas.

12-18 fraldas

Sim, vão precisar de muitas fraldas e começa logo nos primeiros dias. No hospital Sta. Maria eles fornecem fraldas, julgo que são doze. Sei que no dia a seguir já estava a usar das minhas. Que abuso, não é? Pois. Não acontece a todos os bebés, mas o Sebastião na primeira noite fez bastante mecónio. Eu mudei sete fraldas em sete horas. Acabava de mudar, punha-o na mama um bocadinho e lá estava ele a fazer. Foi deveras impressionante. Mas acreditem, só custa a primeira. Eu levei um pacote de fraldas recém-nascido que julgo que tem 30, lógico que não gastei depois tantas, normalmente faz-se as contas a 6 por dia. É comum que após cada mamada façam fezes líquidas. É mais ao menos a ideia do ‘entra por cima, sai por baixo’.

1 xaile ou envolta

Quem não gosta de estar aconchegado? Os bebés sentem-se mais confortáveis e seguros quando estão envolvidos, afinal foram 9 meses num espaço apertado. Mais do que servir para aquecer, serve mesmo para os proteger nesta altura. Mais uma vez, optem por tecidos mais delicados, pois normalmente ficam muito próximo da cara dos bebés e em contacto com as mãos.

1 gorro

Assim que nascem enfiam-lhes logo o gorro, tal como disse acima, serve para não perderem calor e manterem a temperatura do corpo. Podem combinar os gorros com a roupinha (fashion victim) ou optarem por um gorro simples em algodão branco que combina com tudo.

Essenciais que não estão na lista para a Mãe

Creme para os mamilos

Este considero mesmo indispensável, é necessário proteger os mamilos desde o início de modo a não arranjar complicações. Nem sempre a pega é fácil. Basicamente nós não sabemos dar de mamar e eles não o sabem fazer. No meio disto tudo pode correr logo muito bem à primeira ou não, por isso convém prevenir. Ao segundo dia já sentia dor e foi essencial ter o creme comigo. Foi o meu melhor amigo durante todo o tempo que dei de mamar. Atenção à escolha do creme. A maior parte dos cremes é necessário limpar o mamilo antes de dar de mamar. Eu optei pelo Purelan 100 da Medela. Completamente seguro e não precisa de lavagem anterior à mamada.

Telemóvel e carregador (e/ou máquina fotográfica)

Não quer dizer que vão actualizar o facebook imediatamente ou fazer um tweet espectacular. Serve essencialmente para poderem falar com a família sobre as vossas necessidades (por favor tragam-me comida que estou cheia de fome) ou partilharem a alegria que sentem. Aproveitem também para tirar algumas fotos aos vossos pequeninos, se forem como eu nos dias a seguir além de não terem tempo nem sequer se vão lembrar.

Toalha de Banho

Para mim foi essencial porque prefiro levar a minha. No hospital fornecem se for solicitado mas apesar de não estar na lista acho preferível levar.

Essenciais que não estão na lista para o Bebé

Toalha de banho e produtos de banho

O primeiro banho é dado no hospital pois é também uma oportunidade de explicar às jovens mães como o fazer. Podem optar por usar tanto a toalha como os produtos que são fornecidos. Se preferirem podem levar os vossos. Eu usei a toalha que tinha levado e os produtos que nos forneceram.

Leite hidratante

Para depois do banho do bebé e não só. É normal a pele do bebé escamar nos primeiros dias especialmente na zona dos pés e das mãos, o leite hidratante ajuda muito neste aspecto.

Creme muda-fraldas

Para evitar as assaduras é importante colocar creme nas mudas das fraldas. Nada de fazer camadas, basta apenas o suficiente para proteger.

Toalhitas (ou compressas)

Pode limpar o rabiosque com toalhitas de bebé ou compressas embebidas em água tépida. Se o bebé tiver a pele muito sensível a melhor opção são as compressas. 

Tesoura de unhas com pontas redondas

A tesourinha das unhas pode dar jeito se o bebé nascer com as unhas compridas, o que é muito habitual. É normal que eles ao mexerem-se (chorarem desalmadamente) se arranhem.

Chupeta

Sim, eu levei uma chupeta logo para a maternidade e ainda bem que o fiz. Ele chorava muito e na segunda noite foram as próprias enfermeiras que aconselharam a chucha como consolo. Ele não deixou de chorar mas a pouco e pouco ía acalmando. Esta sugestão não considero essencial para todos os bebés mas para o meu foi importante ter a chucha comigo.

 

Acho que não me esqueci de nada do que levei e usei. Não se preocupem se se esquecerem de alguma coisa. Podem pedir ao pai ou à família para levar o que falta na hora da visita. Se se virem enrascadas podem sempre solicitar às enfermeiras (elas estão lá para ajudar) e às outras mamãs. Estamos todas na mesma situação naquele momento.

Boa sorte futuras mamãs e toca a fazer as malas.




Desde que sou mãe! 

Desde que sou mãe muita coisa mudou!  Já todos sabemos isso e eu repito-me algumas vezes!

Mas há coisas que nem sei como acontecem! 

Ainda hoje ao falar com uma grávida dei por mim com o meu discurso habitual a quem vai pela primeira vez viver esta aventura e acho que ele é bastante assustador e pessimista!… Ups! Não era suposto. 

Mas a verdade é que acho que chega de iludir as meninas que a maternidade é linda e bolas de sabão e sininhos pelo ar! 

A maternidade é boa sim mas é uma luta! E que não depende apenas de nós! Há todo um meio envolvente bem como a própria criança que ditam a coisa ser mais suave ou mais agreste! 

Então em linhas duras para quem lá vai é assim:

– aquela treta do ” aí muda muito”! Não muda nada muito. Muda TUDO!! Muda a 1000000%! (o que não é necessariamente mau, mas julgo que ninguém está bem a ver o quanto muda!)

– aquela coisa de ” aí filho meu não faz aquilo”! Faz, faz! E se calhar até vai fazer pior! E não é culpa da mãe, nem do pai, às vezes nem da própria criança! Quando lá chegarem percebem! 

– conhecem a palavra “paciência”? Não estão bem a ver, temos resmas dela guardada em algum lugar que desconhecíamos! E dá imenso jeito. 

– pós parto, amamentação, cordão-umbilical, banhos, fraldas, assaduras, cólicas, birras, biberões, bolsados, vomitados, cagados! É assim mesmo, bem nojento! Mas que não dá nojo! Pelo menos às mães e aos pais não dá! 

– amor! Muito! E isso paga tudo! 

Por fim, a frase que não me canso de repetir, a minha máxima desde que o miúdo nasceu e me deparei com esta nova realidade:

“-Eu era uma excelente mãe, até ser mãe! ”

Obrigada Jonas pela frase! É perfeita! 

Lado lunar

Sou pai. Ou melhor, sou “bipai”. Ela com oito anos, ele com quatro. Assim sendo, falo do alto da minha (falta de) experiência: não sei o que raio é ser um bom pai. Nem sei o que engloba essa definição. E não tenho qualquer tipo de conselho que não seja: faz o que achas que deve ser feito. Posto isto, e porque a vida não é apenas cor-de-rosa (a não ser que sejas um unicórnio), aqui vai uma experiência de uma cor mais verdadeira. 

Viver com medo

 A partir do momento em que o exame te anuncia que aí vem prole, o medo chega também a galope. Na verdade, acho que foi o primeiro sentimento que tive quando descobri que seria pai. Medos grandes e medos pequenos. O medo que a gravidez não decorra como esperado (acontece mais vezes do que se pensa); o medo que o parto não corra pelo melhor; o medo de deixar cair o bebé; o medo que ele tropece e se esbardalhe do gigante escorrega do parque; o medo que alguém os leve; o medo que ela não encaixe na nova escola; o medo das saídas à noite; o medo que não encontrem a sua vocação; o medo que só tenham futuro além fronteira; o medo que não encontrem quem os ame; o medo, simplesmente.

Receio, temor, cagufa, inseguranças… É tudo medo, e não deve haver receio (lá está) de utilizar a palavra.

 

A incapacidade de perceber o conceito de “dormir”

 Os meus dois filhos têm/tiveram uma relação estranha com o “dormir”. Ela, até aos 17 meses, acordava todas as noites. Mais do que uma vez. Sim, todas as noites. Durante 17 meses. A quantidade de neurónios que queimei à conta da miúda é imensurável. A minha filha fez-me mais burro, portanto. Certa noite parei de contar à décima primeira vez em que despertou… Por isso, para mim e para a mãe, é perfeitamente normal acordar às 3 da manhã (e às 4, 5, etc.). Nunca pensei que isso aconteceria, mas de facto habituamo-nos a tudo.

Se com ela o dormir melhorou, com ele estamos ainda a lutar para estender o sono além das 6h45. É essa a hora de alvorada em casa, pelo menos para o pirralho e para um dos adultos. Já experimentámos fazer serões, cansá-lo, massagens, leite morno ao deitar… Não adianta. O puto tem um relógio interno que não falha e ainda antes das 7h está a postos.

Uma vez, na escola dela, pediram-me para escrever num coração o que era ser pai, e posteriormente colocar num mural. Junto dos “é a melhor coisa do mundo” ou “é maravilhoso”, estava “é não saber o que é dormir e, mesmo assim, gostar deles”.

 

O barulho é o novo silêncio

 Experimentem dizer a uma criança de quatro anos que faça silêncio para se conseguir ouvir as notícias. É o mesmo que pedir a um elefante para cantar ópera. Não dá. O barulho constante é, assim, o novo silêncio. Habituas-te, como em tudo. Se é fácil? Não, não é. E, por vezes, a falta de paciência leva-te a gritar (quem nunca o fez que ponha o dedo no ar). Ou seja, tentas combater a falta de silêncio fazendo ainda mais barulho… Tu, o adulto, a comportar-te como um puto. Sacanas, pá. O que eles nos fazem.

 

Brinquedos e casa arrumada

 Certa vez tive a casa arrumada. Depois tive filhos e não sei o que é isso. Antes deles virem não podia ver algo fora do sítio. Cedo percebi que, ou deixava isso para trás, ou não fazia mais nada que não fosse arrumar. E brinquedos espalhados? Em certas noites limito-me a empurrar com os pés os brinquedos para junto das paredes, por forma a não os pisar quando tiver de acordar pela terceira vez.

 

Rochedo de borracha

 Eles olham para nós como um rochedo, um porto seguro. Olham para cima, e julgo que o farão mesmo quando forem mais altos que nós. Somos o suporte, os que sabem, os que decidem. E eu faço-me de forte, de quem percebe, de quem toma as decisões corretas. Se eles soubessem que não percebo nada de nada, que sou o mais inseguro de todos. Sou um rochedo de borracha. Molinho, sem saber muito bem para onde ir, mas indo com convicção que eles precisam.

 

Autorização para sair à noite

 Não são eles que necessitam de autorização para sair à noite (por enquanto!). Somos nós que, para o fazer, temos de acertar agendas com os avós (que felizmente nos dão uma grande ajuda), para assim podermos sair, namorar, ir ao cinema, beber algo mais que não ice tea, e regressar a casa às tantas (ou bem cedo, para poder dormir a sério).

 Tudo isto traça uma visão negra da paternidade, não? A visão pode ser mais “escura”, mas também porque não falo aqui do bom (aqueles que são pais já o conhecem). Ter filhos não se classifica como o melhor que aconteceu. É algo à parte, para lá disso. E o melhor acontece todos os dias. Quem é pai e os vê sorrir sabe do que falo. É ser Verão cá dentro, durante o ano inteiro. Se pudesse tinha mais 14. Fico por dois, com a mulher que amo.

 

Há um lado lunar na paternidade, claro. Mas a lua é tão bonita que compensa tudo.

Ricardo Martins é jornalista. Pai de uma e de um. Marido de uma. Pessoa que brinca com músicas e tal. Autor do blog Mil por Dia

 

 

 

Todas as mães deviam saber

Se existe palavra mais destruidora da auto-estima, de qualquer mãe ou pai, é sem dúvida o verbo ‘Dever’.

Basta abrir qualquer livro, página web ou fórum de discussão relacionado com gravidez e maternidade para ver frases deste género:

No segundo trimestre, seu apetite deve ficar igual ao que era. O IMC pré-gravidez determina o quanto você deve engordar. Se está grávida, saiba como deve viver os meses que antecedem o momento do parto. O leite materno deve ser o único alimento do bebé durante os seis primeiros meses de vida. Por volta dos 9 meses o bebé deve já dormir a noite toda.

Ora bem, ‘Dever’, esse verbo que é atirado a torto e a direito na informação direccionada à maternidade, além de ser cruel, faz com que os pais se questionem constantemente sobre tudo.

Vamos lá parar para analisar.

de·ver 
(latim debeo, -ere)

verbo transitivo

1. Estar obrigado a.

2. Ser necessário.

3. Ter de suceder.

Não acham completamente angustiante, que segundo os livros, os nossos bebés sejam ‘obrigados a’ comer, dormir, crescer e desenvolverem-se segundo os parâmetros estipulados?
Informação, uma linha orientadora, não são, nem devem ser ‘obrigatórios’.
Se existe coisa que as mães ‘deviam’ saber é que todos os bebés são únicos. Basta ouvir. (E respirar.)

Coração Gordo

Este podia ser um texto sobre problemas cardiovasculares, hipertensão, alimentação saudável ou exercício físico. Mas não é. Também podia ser um texto cómico – ou que tentasse sê-lo – mas não é. É sobre a história mais bonita que eu podia ter a felicidade de viver e é também uma declaração de amor.

Faz quase três anos que o meu coração engordou. Engordou, dilatou, ganhou espaço que eu apenas suspeitava que pudesse ter. Pouco tempo depois do nosso Encontro, o N. confiou em mim e confiou em Nós para me apresentar aos seus três Príncipes. Duas meninas e um menino por quem eu também me apaixonei. E neste caso foi mesmo à primeira vista, ou ao primeiro encontro, e esse Amor tem vindo a crescer desde então, ao ritmo a que nós todos crescemos e construímos, a cada dia, a nossa Família. De sorriso aberto e olhos brilhantes, e com aquele ar curioso e expectante e um pouco intrigado de quem não sabe o que esperar, receberam-me nas suas vidas e nos seus corações, e desde então até agora, não há um dia que eu não me sinta abençoada, privilegiada, por eles me deixarem fazer parte das suas vidas.

Estamos juntos apenas dois dias de duas em duas semanas, em média, como acontece com tantas outras famílias “do” divórcio. Mas eu sou Madrasta deles e eles são meus enteados – meus ente(am)ados – todos os dias. Todos os dias, cada gesto meu é feito também a pensar neles. Como escrevi no texto que levou a Sandra e a Bárbara a abrirem-me a porta do seu doce caos, eles “merecem que eu faça tudo o que estiver ao meu alcance para construir um lar para eles, e ajudá-los a crescer para serem pessoas plenas e a saberem que podem voar para onde e como quiserem, e que vão encontrar sempre um porto de abrigo ao nosso lado, à espera deles.” E é isto.

Imagino que muita gente se questione e duvide que seja possível amar de forma genuína os filhos de outra pessoa. Ou que estranhe tudo isto… E não deixei de ouvir ou de intuir, com um tom ora de admiração ora… não sei bem do quê, um ou outro “não sei como és capaz” ou “acho que não conseguia”, ou ainda o corriqueiro e cheio de fé “valha-me Nossa Senhora” (ou a sua variante também muito boa, “Nossa Senhora me livre e guarde”). A única resposta que tenho é “como não?” Como é possível amar uma pessoa e não amar aquilo que tem… aquilo que lhe é mais querido e precioso? Nunca foi sequer uma opção para mim. E foi fácil fazê-lo. Simples. Por esse motivo.

Como em muitas histórias de Divórcio onde não são só os pais que se divorciam, os “nossos” Príncipes tinham todas as desculpas e todos os motivos do mundo para serem miúdos problemáticos, difíceis. Mas não são. Como o N. diz, estão a dar aos pais uma lição, ou várias. E a mim também, que gosto e estou sempre disposta a aprender, não só um novo ponto de crochet ou uma palavra nova, mas também a Viver. Assim, com letra maiúscula. A viver com uma maturidade que não tinham que ter, com uma sensibilidade que lhes é inata e que cresce de dia para dia, e com uma inteligência que desabrocha e se reflecte nos mais pequenos detalhes. Por isto vivemos num misto de emoções, entre a preocupação e a ansiedade e a culpa, e a tranquilidade e a confiança de que não há motivos para preocupações. São miúdos fantásticos, e é uma alegria e um prazer vê-los crescer e simplesmente ser. Tornar-se.

Esta tem sido a minha história, e haverá milhares e milhares de outras diferentes, por isso não tenho conselhos para dar a quem de repente ficou com o coração dilatado e ganhou uma nova família. O que posso dizer é que, quando digo que é simples, não quero dizer que seja imediato e que eu tenha todas as respostas na mão. Não tenho. Longe disso. A qualquer momento se cometem erros e há que aprender com eles, mas posso dizer que se partirem nesta Aventura de coração aberto, as coisas acabam por ir ao seu lugar e as respostas chegam duma forma ou de outra. Posso dizer com algum orgulho que nunca ouvi um “Não és minha mãe”. Acho que este será o maior pesadelo de qualquer madrasta ou padrasto… O segredo? Não agir como se fosse. É estranho sentir-me Mãe sem o ser, confesso, mas não sou. É preciso ter sempre presente que, felizmente, eles têm uma mãe e um pai que os adoram e fazem o melhor que sabem para o ser, e o bem deles passa por cultivar e valorizar essa relação e contribuir para ela como for possível. Como me deixarem. Mas também não sou uma irmã nem uma amiga nem uma tia. Sou a Madrasta deles, que os adora, e que é uma espécie de terceiro adulto que se sente responsável por eles, que só quer o bem deles, e com quem eles podem sempre contar para o que for preciso, mesmo que não saibam o que é preciso. Se partirmos para esta Aventura com o tal coração aberto, cheio, é possível encontrar um equilíbrio entre a doçura e a autoridade, sem se ser autoritário. Não esquecer que o tempo que temos juntos é precioso e não pode ser desperdiçado com pequenas coisas que não importam. Deve ser aproveitado sim, para as pequenas coisas que importam, como ficar à mesa na conversa depois de cada refeição, ou jogar às cartas, ou fazer um puzzle, ou ver um filme todos enroscados no sofá, ou dar um abraço apertado e muitos muitos beijinhos sempre que nos apetecer. Trata-se de cultivar o carinho e a atenção uns pelos outros. Porque um fim-de-semana passa a correr. O tempo escorre-nos pelas mãos e é doloroso ver chegar a hora de se irem embora quando ainda mal chegaram… Passo duas semanas de braços abertos…

O meu coração engordou e multiplicou-se, e sem ter tido dores de parto, tenho mais três corações fora do peito.

Ana é a autora do blog Confissões de uma procrastinadora em recuperação