Começo por esclarecer que este texto é dedicado a todos os pais de meninas.
Por isso, não espantará que tenha escolhido para o título aquilo que escolhi.

Assim, posso dizer com segurança que ninguém se deve iludir quanto à escolha do título.
Ou seja, se o acaso nos tivesse presenteado com um rapaz, hoje seria igualmente hiper feliz e um pai extremamente babado, escreveria textos sobre isso, e tudo o mais, mas a grande verdade, e quem me conhece bem sabe isto ou se não sabe talvez se lembre, é que sempre quis ter uma menina! Sempre. Daí que quando soube da notícia tenha literalmente explodido de felicidade e exultado pela maravilha com que a vida tinha acabado de me brindar. Foi uma alegria tremenda esta de ser pai de uma menina.

Não sei se fui influenciado pela história que a minha mãe me contou desde sempre e que terminava com a “pobrezinha” a julgar que tinha dado à luz uma Inês quando afinal tinha acabado por lhe sair na rifa um Martim, com tudo o que isso implica e que não é coisa pouca.

(Vicissitudes de não se saber o sexo do bebé enquanto ele está na barriga da mamã)

O que sei de cor é que sempre gostei mais de meninas do que de meninos. Isto pode não querer dizer nada, mas também pode querer dizer muito. Redondo mas intencional.

Sempre tive mais “melhores amigas” do que “melhores amigos”.
Talvez se possa igualmente justificar por ter crescido rodeado de tias e com uma ligação muito forte à minha mãe, com quem vivemos sozinhos (eu e o meu irmão) durante muitos anos, não sei ao certo, mas também não interessa muito para este pequena rábula.

Quando comecei a pensar que um dia gostaria de ser pai, foi sempre para ser pai de uma menina. Nem sequer ponderava a hipótese de sair um menino. Tinha a convicção plena de que a sorte me iria agraciar com aquilo com que sonhava há muito, em particular desde que casei.
Quando era mais novo (comecei ainda com 17) fui animador de campos de férias durante algum tempo. E, à data, na viragem do século, no início do milénio, tínhamos sempre de começar o período de formação pelos mais novos, pelos pequenotes com 6, 7, 8… por aí. E assim foi. As minhas meninas eram as “minhas princesas”. Fazias-lhes penteados. Ia dar-lhes um beijinho de boa noite. Contava-lhes histórias. Ajudava-as a escolher a roupa para o dia. Tudo. Tratadas como pequeninas princesas que eram na verdade.

Depois o sonho foi-se alimentando sozinho.

Pai de uma menina
Sempre sonhei com isto de ser pai de uma menina. De ter a minha própria princesa depois de tantos anos a “adorar” as princesas dos “outros”. Queria muito ter a sorte de a ver crescer. De a pentear. De lhe mudar as fraldas. De a adormecer no meu colo. De lhe dar banho e secar o cabelo. De escolher a roupinha e os ganchos (embora não o faça tantas vezes quanto gostaria), tudo a condizer… ah, claro, e as fitas para o cabelo, tremendamente importantes. Tudo. Não pode falhar nada. Afinal de contas estamos a falar de uma princesa que um dia destes reclamará o seu trono natural de rainha e eu depois não sei o que faço à minha vida. Entretanto já realizei e continuo a realizar diariamente toda uma série de sonhos que alimentei durante anos. E isto é suficiente para me deixar perceber como é linda a vida!

Sou pelas palavras. Sou incondicionalmente pelas palavras e pela magnífica e magnificente arte de as ordenar para dar sentido à (minha) existência.
Amo a escrita e as palavras quase tanto como amo a vida. E penso. Penso muito. Gasto, para não dizer que perco, muito tempo a pensar nas coisas. E penso em texto. Em frases. Em vírgulas e pontos. Em encadeamentos e na materialização de tudo o que são pensares e reflexões e ideias e sensações e tudo o mais. Sinto-me um privilegiado exactamente por isso. Por poder e conseguir escrever sobre muitas das coisas que me passam pela cabeça. Por ter a sorte de conseguir neste amontado de coisas encarreirá-las da forma como quero e idealizo.

E isso traz-me até aqui. Até à partilha. Até à sorte de ser convidado para falar sobre uma coisa tão incrível e tão grande como é a paternidade. E o tempo que vos podia continuar a falar disto multiplicar-se-ia pela vontade que tenho de falar disto com seja quem for que tenha a ousadia e a paciência de me ouvir ou ler a falar sobre isto.

E porquê? Porque nada disto faz sentido se não for partilhado com outras pessoas que possam estar a passar pelo mesmo processo. Pelas mesmas alegrias. Pelas mesmas dúvidas e incertezas e, mais do que qualquer outra coisa, pelo mesmo tipo de sensações que tantas vezes acabam por morrer na surdina dos pensamentos que se envergonham quando chega a hora de saírem à rua. Porque é difícil, se é.

E acreditem que há momentos de particular dificuldade, de angústia, de sofrimento, de desespero. Momentos em que tens de tomar decisões, em que tens de agir, rápido, sem tempo para grandes reflexões, grandes pensamentos, nada. É instinto. Puro. E, regra geral, quando amamos alguém da forma impossível e incomparável como amamos os nossos filhos, acertamos quase sempre.

Confiem. Acreditem. Partilhem. Perguntem. Sonhem. Alcancem. Encontrem. Comentem. Contem. Relatem. Descrevam. Aprendam. Esqueçam. Perdoem.

Vejam para lá da natural condição de pais. Sim, de pais. Este texto é para vocês.
Aprendam a ver para lá deste incrível privilégio que temos e que se traduz na possibilidade incrível de poder moldar e esculpir num outro ser humano a nossa vida, ou a ideia que temos da mesma. Ser mãe é único. Incomparável. Inigualável. E isto é indesmentível e indiscutível. Mas ser pai é e tem de ser visto da mesmíssima forma, sem qualquer tipo de comparação pretensiosa com o insubstituível papel que a mãe representa na vida de um(a) filho(a).

A vida é isto tudo. Não percam tempo. Vivam-na. Mimem e acarinhem os vossos filhos. Qualquer criança que sente o amor dos pais é – e esta afirmação é incontestável – uma criança feliz. Como pai não posso querer mais. Isto e saúde e tenho a vida no sítio certo. Na hora certa. Com as dificuldades que isso acarreta, mas com a certeza de que o caminho é por aqui.

Martim Mariano atualmente desempenha as funções de gestor de redes sociais no Grupo Impresa. É jornalista. Blogger nos tempos livres. Escritor. Filho. Marido. Pai. Irmão. Papéis muito distintos mas que vão sendo norteados por uma coerência transversal a todos eles. A autenticidade.
Não gosto de dormir mal. Gosto muito de ler. Escrever é vício. Viver é prazer. Ler é descansar os olhos e aquecer a mente. Co-autor do blog Agora Nós os Três, e autor do blog O Que Dizes Tu?! Escreve porque, diz, não sabe fazer mais nada a não ser isto e amar a família que construiu.

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