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O que fazem quando têm saudades?

Quando temos saudades a maior parte de nós não faz nada, certo?

Fica aquela dor cá dentro que não conseguimos explicar ou então choramos baixinho num momento a sós.

Impossível não ficar emocionada quando a saudade é expressa pelos miúdos.

O Sebastião, a semana passada, teve um crise de saudades.

Por vários motivos, a minha mãe não o foi buscar à escola como é habitual. Já não estava com ele há alguns dias. Ele já tinha perguntado mas nada de especial.

Fomos buscá-lo à escola e tudo calmo, fizemos as nossas rotinas e chegou a hora do banho.

As fitas habituais para entrar e sair (os vossos também são assim? primeiro não querem entrar, depois não querem sair).

Quando o tirámos do banho e o pusemos em cima da cama para vestir é que lhe deu um grande ataque de saudades.

Por cima da cama dele, temos uma série de ilustrações da My Simple Life do primeiro ano de vida do Sebastião. Uma delas representa as belas sonecas que ele e a avó faziam quando ele estava em casa.

Ele olha para o quadro e desata a chorar. Primeiro não percebíamos o que se passava. Até pensámos que se tinha magoado. Depois, no meio de soluços e a apontar para o quadro, disse: Porque é que a avó Mira não está aqui? Ela antes estava sempre aqui comigo!

Foi um pranto tal que vocês não fazem ideia. Ficou mesmo muito sentido. Só dizia que queria a avó. Estava mesmo incontrolável. Tentámos tudo para o acalmar mas não resultou. Decidi então ligar à minha mãe para falarem ao telefone. Ele então suplicou que ela lá fosse.

Claro que as avós não sabem dizer que não (e ainda bem). Então lá veio a minha mãe de casa, de comboio à hora do jantar.

Até ela chegar e apesar de eu lhe garantir que ela vinha esteve o tempo todo a soluçar.

Foi então que pensei que realmente as saudades são assim. Avassaladoras. Dilacerantes. Incontroláveis. Nós é que aprendemos a esconder.

 

 

 

 

O meu bebé não fala

Em vésperas de fazer dois anos, o meu bebé (ainda) não fala.

Na verdade ele diz montes de coisas, farta-se de conversar connosco e nós (os pais e avós) entendemos (quase) tudo mas, para todos os outros ele não fala.

O meu bebé diz perfeitamente: sim, não, mamã, papá, bebé e vóvó e tudo o resto utiliza uma sílaba para identificar o objecto. Por exemplo: panda é Pan, Bá é gato, bolacha ou água, consoante a entoação, Né é chucha e por aí fora. No entanto está sempre a ‘falar’.

Eu penso que cada criança tem o seu ritmo. Que não é nada de extraordinário ele ainda não dizer palavras correctas. Ele não domina a linguagem oral mas domina completamente qualquer conversa.

O Sebastião não vai à creche, está com a avó. Sei que provavelmente se estivesse em contacto com mais crianças, a linguagem estaria mais desenvolvida.

Às vezes tenho dúvidas em relação à opção que tomámos. Julgo que todos os pais as têm. Todos os pais, em algum momento (para não dizer quase todos os dias) se vêm confrontados com as opções e escolhas que fazem para os seus filhos e duvidam de si próprios.

Deveríamos acreditar mais em nós e no nosso instinto.

As minhas dúvidas desvanecem-se completamente quando entro em casa e o vejo no colo da avó.

É que a linguagem do Amor não tem palavras.

A perda

Voltar a escrever aqui não é fácil. Não é fácil escrever depois de termos passado por perdas para as quais não temos palavras. 

Não é fácil perder o avô do meu filho. Não é fácil perder a amiga que me apresentou ao Zé e com esse gesto originou a minha família.

Não é fácil a perda. 

A nossa vida no entanto não pára. Os dias sucedem-se e com uma criança é mesmo impossível uma pausa, o silêncio que tanto procuramos nestas alturas simplesmente não tem lugar.

Damos por nós a rir e a ser felizes, seguido de uma tristeza profunda por já não o partilhar com quem gostávamos.

O Sebastião está com 22 meses não entende a perda mas percebe a ausência. 

O meu sogro adorava crianças. O nascimento do Sebastião foi realmente um enorme ‘presente’ que eu e o Zé lhe oferecemos.

No dia a seguir ao nascimento, foi logo buscar os papéis para o inscrever no clube do seu coração e é por isso que tenho um pequeno Leão com cartão de sócio desde essa altura. 

  

Comecei a trabalhar a tempo inteiro quando o Sebastião tinha sete meses. A partir dessa altura, o avô todos os dias o ía buscar para passearem. 

Os dois sozinhos. 

O meu sogro não tinha medo nenhum de andar com um bebé tão pequeno. Os passeios começaram por ser na rua, estenderam-se ao bairro e rapidamente à cidade e arredores.

Lá ía ele com ele ao colo, sem uma muda de roupa ou uma fralda, sem um biberão ou uma chucha. Às vezes ficava assustada com esses passeios. Um bebé tão pequeno. E se acontecesse alguma coisa? Nunca disse nada e nunca nada de mal aconteceu. Hoje fico muito feliz por os dois terem partilhado esses momentos.

Sempre que tocava alguém à campaínha ele corria para a porta a chamar pelo avô. Tinha que lhe explicar a sua ausência, e combinámos que iríamos dizer que o avô agora era uma estrelinha.

Foi o que aconteceu. Sempre que ele perguntava eu dizia que o avô agora era uma estrelinha. Ele ouvia e continuava a brincadeira. Pensámos que seria muito pequeno para perceber.

Um dia estava na cozinha e ele veio chamar-me, puxou-me pela mão para me sentar no sofá. Estava a fazer puzzles no iPad e eu pensei que queria ajuda. Pôs-me o iPad no colo. Era um desenho de um ursinho que ía dormir. Ele apontou para uma estrela que estava no desenho e disse: Vô. Como se esperasse uma confirmação minha. Naquele momento só me apeteceu desfazer em lágrimas mas engoli em seco e respondi que sim, que o avô era uma estrelinha como aquela.

Não voltou a chamar pelo avô quando toca alguém à porta. Vê fotos e vídeos mas sem perguntar. As únicas vezes que menciona o avô é se saímos à noite e ele vê o céu estrelado. Aí aponta com o seu dedinho minúsculo para a imensidão do espaço e afirma convictamente que ali está o avô.

Não sei o que entende com os seus 22 meses. Sei que cabe a nós como pais manter vivas as memórias das pessoas que amamos.

Mal posso esperar a altura em que poderei lhe contar que com 8 meses ía de autocarro até ao Campo Pequeno ou de comboio até Queluz comprar pastéis de nata. E no momento em que o levar a ver o primeiro jogo ao estádio, ele irá saber quem o queria levar e que a promessa feita está cumprida. O meu filho saberá sempre o quanto o avô o amava e a única coisa que posso fazer é agradecer o tempo que tiveram juntos.

Por estes motivos, foi para mim complicado escrever nos últimos dois meses. Escrevo este post para encerrar um capítulo, para explicar a minha ausência, para agradecer à Bárbara ter gerido o blog sozinha e acima de tudo, por saber que existem muitos pais a passar pelo mesmo.

 Para eles, apenas lhes digo: Dias melhores virão, basta olharem para os vossos bebés para terem a certeza disso.

Sandra

Avós ou a brigada anti-birra!

Os avós fazem muitos disparates! Não venham defender os “velhinhos” porque é verdade! 

Até os próprios avós de hoje, se pensarem bem na era em que eram só pais, sabem disso!

Mas não há nada como um par de avós para parar uma birra!

Pode estar a cair o Carmo e a Trindade cá em casa, tudo a bufar, o filho, o pai com o filho, a mãe com o pai, e entram os avós e o cenário ilumina-se!

Chegam com o saco da paciência vazio, vazio! Cheios de vontade, de disposição, de alegria! Até parece que nem foram trabalhar, ou que não tem tarefas domésticas para fazer, ou coisas que os aborreçam ou irritam! 

Um bom par de avós, e graças a Deus o meu miúdo tem dois pares de avós e duas bisavós, resolve e ajuda em muita coisa.

No regaço dos avós ele corre, grita, ri, faz disparates (muitos!) e aprende coisas que não deve! Irritam-me muitas vezes, encolho os ombros tantas outras mas admito que na maioria das vezes só o estão a mimar e a aturar!

São uma fantástica brigada anti-birra!