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Em preparativos

Está quase a fazer anos o meu bebé.

Lembram-se quando eles são pequeninos e todos nos dizem: ‘Aproveita bem que passa num instante.’

Quem nunca ouviu esta frase dezenas de vezes?  Pois, mas parece que é realmente verdade.

Foi um pulinho e já cá estamos: 3 anos.

Todos os dias fazemos um esforço para manter as memórias dos primeiros meses mas, pouco a pouco, elas são substituídas pelas conversas, risos e brincadeiras dos 3 anos. Sempre a olhar em frente. Caminhamos.

Adóu Coes

Demorei um bocado a perceber o que queria dizer: Adóu Coes, nessa língua fantástica que é o Sebastianês.

Agarrava-se à almofada do nosso quarto a dizer com muito entusiasmo: Adóu Coes! Adóu Coes!

Até que finalmente percebi: Adoro Cores! Agora sempre que passamos por alguma coisa mais colorida ele desata a gritar o seu ‘Adóu Coes’ e a tentar abraçar os objectos.

Eu adoro muita coisa, começando por ele, mas nunca imaginei sentir tamanha alegria com cores. Não é fantástico o modo como as crianças olham para as coisas?

Que pena que nós adultos deixámos de nos encantar com a visão de um amarelo ou de um verde. Em algum momento no crescimento deixámos, simplesmente, de nos encantar com as coisas mais simples.

As crianças trazem-nos a lembrança constante que são realmente as coisas mais pequenas as mais espectaculares.

Acompanhar o crescimento de uma criança é o nosso Adóu Coes! Não adoramos as pequenas coisas da evolução deles? O primeiro passo, a primeira palavra. Afinal, é só andar, é só falar. Mas, é tão mais que isso, não é papás?

Vamos fazer um esforço para nos encantarmos com o que nos rodeia. O que seria a vida sem esta magia?

I just call to say I love you

Enquanto estou no trabalho, ligo pelo menos uma vez para saber como está o Sebastião. A minha mãe resume como foi a manhã/dia, as gracinhas e as birras.

Se ele estiver acordado, quando ligo, quer sempre falar comigo e com o pai.

Ele na verdade não diz muita coisa. Começa por um Mammmããã muito sonoro e vai dizendo Sim às coisas que lhe pergunto. Depois lá o ouço a mandar um beijo para o ar e a desligar o telefone (julgo que é a parte de que gosta mais).

Estes telefonemas parecem sem importância mas na verdade é apenas mais um aspecto que reforça esta caminhada a passos largos no crescimento. Cada vez menos bebé, cada vez mais um menino que tenho lá em casa.

Ele quer fazer tudo o que fazemos. Desde pôr roupa na máquina ou telefonar a alguém. Quando o contrariamos desata num gritaria lá em casa: Bebé, Bebé, Bebé. Que simplesmente quer dizer: Deixa-me ser eu a fazer isso.

Gostava que ele ficasse tão entusiasmado para arrumar os brinquedos mas, normalmente, quer é fazer coisas que na verdade não pode. 🙂

Tenho que confessar que adoro estes telefonemas que fazemos. São miminhos ao longo do dia. Se antes eram uma maneira de eu me sentir mais perto dele, agora também sei que para ele são importantes.

E como sei que a música agora não vos vai sair da cabeça, aqui têm 🙂

O que é ser mãe de um rapaz de dois anos?

O meu miúdo está a fazer dois anos e no outro dia pediram-me que explicasse o que é ser mãe de um rapaz com quase dois anos.
Apesar de serem “apenas” dois anos já não consigo lembrar-me ao pormenor de todo o último ano, tantas são as coisas, as novidades, as diferenças!
Ainda bem que temos este blogue e o telemóvel cheio de fotos e vídeos para nos recordarmos!

Ser mãe de uma criança com dois anos é uma surpresa todos os dias, pois todos os dias nos surpreendem com novas aprendizagens que nos deixam maravilhadas e orgulhosas mas é também uma luta constante com as birras que se acentuam e são mais birrentas do que as anteriores.
Já não é chorar por não se saber explicar, é explicar o que quer ou não, e berrar e espernear. Assim um cenário lindo onde não sabemos se choramos, se rimos ou se fazemos birra também.

É andar a cair de cansaço e de sono e perceber que ao fim de dois anos ainda não tens a vida organizada, ainda não tens tempo, ainda não dormes, e perceberes que se calhar nada disso vai voltar a acontecer!

É receber amor, sentir que somos as maiores e as mais importantes do mundo. Aquele abraço!!! Aquele sorriso, aquele carinho. É dormir de mão dada!

É morrer cada vez que o termómetro passa dos 38º ou ficar de vigia cada vez que a tosse se repete duas vezes em menos de 2 horas.

É o pousar a cabeça nas costas para ouvirmos se chia a respirar e aprender que os dedos deles são excelentes lenços de papel quando não chegamos a tempo!
É receber abraços e beijinhos só porque sim, e festinhas ao acordar! É ter alguém de braços esticados a dizer “colo!”
É bom!

É eles não terem medo de nada e nós termos medo de tudo!

Em termos verbais é o caminhar, o dançar, o rir, o falar, o atirar tudo para o chão, o já ficar a brincar e brincar a repetir tudo o que vê.  O saber imitar os sons de todos os animais da quinta, da selva e da savana! É termos em casa autênticos macaquinhos de imitação!

Em termos materiais: as fraldas, os potes, os biberões (muitos e só de noite!), os copos, os alimentos sólidos, os garfos e as colheres (mas acabar muitas vezes a comer com as mãos!), os sapatos, as sapatilhas, as camisolas com dinossauros ou leões se não diz que não as quer, a luta para andarem no carro sem tirarem os cintos ou sem berrarem que não querem ir ali.

São os desenhos animados que vemos todos e já sabemos de cor, a Ovelha Choné e o Timmy e a Heidi porque tem “mé-més”!

A Patrulha Pata, o Mickey e o Pluto e (claro) o Panda!
Ah e Os Caricas, que no fundo são os responsáveis por fazermos figuras parvas para eles dançarem!

É desejar ter todo o tempo do mundo, é ter muito medo que algo nos prive de os ver crescer, é desejar sermos sempre melhores, é perdermos a cabeça muitas vezes e sabermos que não é assim que queremos ser, é o amar muito, é o ser amada.

É tão bom! E por muito que seja cada vez mais exigente, é cada vez melhor!

Esconde! Esconde! 

Os miúdos todos os dias nos surpreendem!

Uma palavra nova, uma expressão facial de gozo, reflexos de personalidade e mostras de pensamento autónomo! 

Ultimamente tenho me deliciado com duas coisas em particular! Uma, o saber sempre onde põe tudo. Duas, o perceber exactamente para onde foram as coisas.

Eu explico! 🙂

Estamos a brincar e ele coloca os bonecos dentro dos carrinhos. No dia a seguir se lhe perguntarmos por eles, vai lá direitinho buscá-los!

Às vezes faz de propósito e esconde algum brinquedo. Passado dois ou três dias se lhe perguntarmos ou se ele se lembrar dele vai buscá-lo onde o escondeu!

   

 

Eu acho isto o máximo! Principalmente porque cá em casa na maioria das vezes não sabemos onde pomos nada! Eheheheh

Outra coisa é saber exactamente para onde foram as coisas! 

Se estiver a brincar com uma bola e ela for parar atrás de uma cortina ou debaixo do sofá ele sabe que está lá! E vai buscar, ou tenta! 🙂 

  

Estes pensamentos fazem-me rir porque já me aconteceu andar à procura de alguma coisa dele e ele rapidamente a vai buscar! 

Bem sei que a memória deles está mais fresquinha que a nossa e que a nossa, ao contrário da deles, está cheiinha de coisas que temos que nos lembrar e fazer, mas não deixo de reparar e de me encantar! 

É tão bom vê-los a crescer! 🙂 

Pequenos Nadas! 

A vida é feita de pequenos nadas, já dizia o outro.

E a verdade é que quando temos filhos esta frase acentua-se e paira nas nossas cabeças de uma forma constante, pelo menos na minha.

Aquele sorriso, aquele primeiro “sim” sonoro, a primeira vez que brinca mais de 5 minutos sozinho, aquela vez que nos abraça com saudades, aquele beijinho atirado pelo ar, o primeiro “mostra os dentinhos”, todas as palavras que diz de novo que nos surpreendem!

Pequenos nadas que no dia-a-dia não ligamos e que quando temos filhos em fase de aprendizagem são tão grandes e maravilhosos.

E eu sinto-me tão feliz e realizada por estes pequenos nadas do meu filho!

E porque o amor também é feito de pequenos nadas, ilustrei o artigo de hoje com uma foto cheiinha de amor!

Bom domingo 🙂

Mais um barco! 

Hoje, eu e Olívia encontramos este barco naufragado na praia.
A Olívia ficou muito contente porque não estava cheio de refugiados.
O senhor Silva, que estava na praia ao nosso lado, também ficou contente porque o barco não estava cheio de refugiados.
O Sr. Silva não gosta de refugiados, e tem algumas razões:

– eles não são “nossos” e nós temos de ajudar os “nossos” primeiro

– eles tem outra religião e outra forma de pensar

– eles nunca pagaram um euro de impostos em portugal

– a europa não tem dinheiro para os ajudar

– se os ajudarmos vamos nós pagar isso e já chegou o BPN

– se os acolhermos, daqui por 20 anos seremos regidos pelas leis deles

– eles tem outra religião

– se não nos convertermos ao Islão eles vão-nos decapitar

– temos de ajudar os “nossos” primeiro

– eles não são da nossa religião

– nem sequer são completamente brancos

– eles não são “nossos”

– eles tem outra religião e uma língua e tez esquisitas

A Olívia tem pouco mais de 2 anos e, talvez por ser tão pequena, não vê grande diferença entre o Sr. Silva e um refugiado. Colocar um ou lado do outro para ela seria igual: são os dois desconhecidos e ela não confia em desconhecidos, sejam eles brancos ou pretos.
O Sr. Silva já é adulto, e aprendeu a aceitar todos aqueles que se lhe assemelham, mas em relação aos restantes continua muito desconfiado.
O Sr. Silva tem também muitas características em comum com o Sr. Santos, o Sr. Pereira, o Sr. Ferreira, o Sr. Oliveira, o Sr. Costa, Rodrigues, Martins, Sousa, Fernandes, Gonçalves, Gomes, Lopes, Marques e tantos outros.

A saber (gosto muito de fazer listas):

– vê muita televisão

– lê diariamente os jornais de referência (A Bola, O Jogo e Record)

– é uma pessoa informada

– já viveu muito

– nunca saiu de portugal, ou se saiu foi na lua de mel onde atravessou um oceano para se enfiar num resort a beber marguaritas

– nunca, mas mesmo nunca, pôs os pés num país muçulmano

– para ele quem tem piercings (excepto raparigas no lóbulo da orelha), tatuagens (excepto homens que estiveram no ultramar), cabelos compridos (excepto raparigas de novo) são drogados que não fazem nada vida a não ser roubar

– acha que os Muçulmanos são todos militantes do Estado Islâmico e a missa deles é ao sábado como os Testemunhas de Jeová e os Élders
Ser pai é estar constantemente confrontado com desafios. A Olívia questiona-me a toda a hora.
Porquê que não podemos ir para o parque quando está a chover.
Porque é que o pai tem de ir trabalhar.
Porque é que a mãe está cansada.
Porquê que não pode beber café.
Porque é que o Sporting perdeu outra vez.
Porquê porquê porquê.

Vou conseguindo dar resposta às dúvidas dela, umas mais difíceis do que outras, mas por esta altura fico muito contente por a Olívia ter apenas 2 anos. Ela não vê as noticias e por isso eu não vou ter de explicar porque é que o Sr. Silva não quer ajudar as pessoas que estão a fugir da guerra. Porque é que ele não quer ajudar os meninos que morrem à fome. Porquê que subitamente, são palavras dela, ele ficou tão preocupado com os sem abrigo nacionais quando, ainda a semana passada, dizia que eram um bando de vagabundos que não quer trabalhar.
Mas a Olívia está a crescer e estas perguntas vão acabar por chegar.
Paulo Couto é pai da pequena Olívia, empresário e viajante. Hoje fala-nos de um assunto grave e sério mas já teve um blog onde demonstrava todo o seu peculiar senso de humor e nós também temos saudades disso 🙂

Hoje a minha vida mudou

Há exactamente 18 meses nasceu o Sebastião. Como a Bárbara disse aqui há umas semanas atrás, existem datas que simbolizam etapas. Um ano e meio é uma dessas.

Nem sei bem o que dizer… Na verdade, isso não é verdade. Tenho tanta coisa para dizer. Por isso nasceu este blog. Para que pudesse ir guardando e partilhando esta fantástica aventura.

Faz hoje um ano e meio que as pessoas me começaram a chamar mãe. Todos os dias aprendo mais um pouco sobre o que essa palavra quer dizer. Todos os dias me surpreendo. E todos os dias agradeço o presente.

Hoje ao olhar para o Sebastião, vejo um rapazinho energético, cheio de curiosidade, a evoluir com uma rapidez fantástica. Hoje vejo o meu bebé crescer e a deixar de ser bebé mais rapidamente do que eu julgava.

Como dizia há poucos dias à minha prima (que teve a felicidade de trazer ao mundo um casal de gémeos), não seguindo nenhuma religião, aprendi o significado de algumas palavras.

Hoje sei o que significam as palavras ‘milagre’ e ‘bênção’.

Compreendo o que é o amor incondicional e não trocava a maternidade por nada neste mundo.

Hoje, há 18 meses, a minha vida mudou. 

18 meses! 

Há muitas datas especiais! Nas crianças há ainda muitas datas que são marcos! 

Os 18 meses são isso mesmo! Um marco valente e hoje chegamos lá! 

Começamos a manhã com parabéns e alegria! Passaram tão rápido, meu Deus! E tem sido uma viagem tão boa! 

Já não me lembro de cólicas nem de problemas de amamentação! Não me lembro de que em tempos dormia (eu) a noite toda! 

As lutas agora são outras! 

18 meses e o meu menino está tão grande!

Já chega aos interruptores, já come sozinho, já diz muitas coisas, já conta até 3, já dá beijinhos quando sabe que fez asneiras e a mãe está triste, ja imita os animais, já nos imita a nós, já bebe pela palhinha, já tem quereres, já faz birras valentes, já me abraça com vontade! 

   

  

    

 Tão bom! Estou cada vez mais apaixonada 🙂

Vamos sair?

Já não me consigo lembrar de como é sair de casa apenas com a minha mala.

Uma ‘mala pequena preta que dá com tudo’ então esqueçam. Agora só mesmo de malote para cima.

Antigamente só existiam dois motivos que interferiam na decisão de sair, o primeiro seria se realmente me apetecia ou não e o segundo, dependia do tipo de actividade, se existia orçamento ou não.

Ah belos tempos em que apenas dois eixos definiam qualquer saída de casa. Sair de casa com uma criança é uma verdadeira odisseia, mesmo que seja só ir ali tomar um café. E, não é só pela quantidade de coisas que temos de levar atrás, porque isso é mesmo uma questão de hábito e ter uma mala sempre com os essenciais é obrigatório.

O problema é que é mais uma pessoa a ter em conta. Essa ‘pequena’ pessoa também tem uma ‘palavra’ a dizer.

Por exemplo, eu não posso nunca combinar nada enquanto estou fora de casa… Porque as crianças são totalmente imprevisíveis. Eu posso chegar a casa e ele estar a ficar febril ou simplesmente não ter dormido nada e estar com birra. Essas coisas alteram totalmente as dinâmicas das saídas.

Forçar a criança a estar num espaço quando ela ‘não está para amar’ é plenamente possível mas acreditem que não é agradável nem para ela nem para os pais.

O ‘vamos sair?’ passou a ser uma pergunta que não é fácil responder imediatamente, e se a resposta for afirmativa entramos na fase da logística.

As horas e o local da saída determinam uma série de coisas que temos de levar connosco, por exemplo a quantidade de refeições e o tipo de roupa.

À medida que eles vão crescendo a quantidade de tralha que levamos atrás diminui, o que facilita muito a deslocação.

Antes dos 12 meses, sempre que queríamos passar um fim-de-semana fora de casa, parecia que íamos ficar um mês de férias. Era realmente impressionante a quantidade de coisas necessárias.

Hoje em dia é ligeiramente mais fácil e a experiência também ajuda.

Muitas vezes é complicado sair mas quando corre pelo melhor é bom para todos.