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A escolinha

O Sebastião fez dois anos em Fevereiro. Gostávamos que ele entrasse para o ensino público no final do próximo ano, já com os três anos feitos.

A creche com os seus horários, ritmos, actividades em conjunto é completamente diferente do universo que ele conhece. Como estávamos com algum receio em relação à sua adaptação no próximo ano decidimos que seria interessante ele fazer meio-tempo numa creche que fosse relativamente perto de casa e que permitisse que as avós o pudessem ir buscar facilmente.

Tenho-vos a dizer que não correu nada bem. Aquilo que a maior parte das mães passa com 4 meses/ 6 meses nesta procura de um sítio para o seu filho passei eu aos 24 meses, a diferença principal estava relacionada com os estímulos que eu procurava, enquanto que se fosse mais cedo julgo que teria como prioridade outros aspectos.

Cheguei à triste conclusão que as creches não estão preparadas para as necessidades das crianças. Que por muita boa vontade que as educadoras tenham as suas condições de trabalho limitam-nas a serem apenas fiéis depositárias de crianças. Quando comecei a minha busca falei com algumas mães da minha área de residência. O aspecto que todas salientavam era a relação das crianças com a educadora. ‘É uma querida com os miúdos’ ‘É muito atenta’ ‘A minha bebé adora-a’.

Sim, isto é muito importante. Esta relação com a educadora, a confiança total na pessoa que vai passar pelo menos oito horas por dia com o nosso filho. Compreendo que quando se faça essa escolha esta seja das coisas mais importantes.

Quando partimos para a escolha de um espaço para o Sebastião as nossas questões eram outras. Ficámos realmente surpreendidos com o que encontrámos.

Procurávamos um espaço de interacção para os miúdos, com objectivos pedagógicos definidos. Encontrámos.

Espaços completamente direccionados para o bem-estar e evolução das crianças, adeptos da pedagogia de Waldorf. Espaços em que a criança é olhada como um indivíduo e em que tudo é feito em prol da sua evolução. Mas, por muito que gostássemos que o Sebastião fizesse parte de um espaço deste tipo, para nós, simplesmente, não seria possível a nível financeiro depois dar-lhe continuidade.

Na nossa procura, chegámos à conclusão que os espaços que possam ser financeiramente mais acessíveis (e aqui estou a falar de valores que rondam os 350/450 euros, este é o ‘acessível’) não têm um plano pedagógico, ou se têm, têm-no implementado muito deficientemente.

Estas foram algumas das coisas que ouvi quando questionei as directoras sobre a pedagogia implementada, a alimentação, condições do espaço…

‘Eles ficam aqui nesta sala e brincam com massas e essas coisas. Sabe que nesta idade eles ainda não percebem nada.’

‘O nosso trabalho aqui é fazermos coisas para os entreter.’

‘Obrigamos todos a dormirem. Connosco não fazem ‘farinha’.’

‘Depois de comerem ficam aqui nesta sala à espera dos pais. Às vezes pomos o rádio a tocar.’

‘Não, não pode trazer comida. Aqui todos comem papas ao lanche.’

‘A ementa tem muitos fritos? Mas olhe que é feita por uma nutricionista.’

‘Quanto é que os pais ganham?’

Foram demasiadas coisas, mas já dá para terem uma ideia. As educadoras podem ser uns ‘anjos’ mas a maior parte das pessoas que estão à frente dos espaços não o deviam estar.

Confesso que existiu um momento em que desistimos. Seria assim tão difícil encontrar um espaço que se focasse no desenvolvimento do Sebastião e no contacto com os outros miúdos? Conheço algumas das mães e crianças que estão em muitos destes espaços. Estão satisfeitas. Sabem que as educadoras fazem o melhor pelos miúdos, por isso comecei por escrever que as necessidades são diferentes. O Sebastião está muito bem entregue com as avós. Tem todas as vantagens da família com mais um plus em relação a outros pais. A minha mãe trabalhou num ATL, conhece por fora e por dentro as actividades, os planos, as pedagogias e traz isso para o seu dia-a-dia com ele. Todos os dias fazem actividades com objectivos diferentes. A única coisa que realmente sentimos mais necessidade estava relacionada com a interacção com as outras crianças pois achamos que as actividades que faz não são suficientes e com a sua dificuldade de clarificação de início e fins de tarefas, rotinas mais bem definidas.

Quando estávamos já numa fase de desistir, recebi um email (obrigada internet). Antes de fazer 1 ano, o Sebastião participou uma actividade com tintas comestíveis. Nessa altura falei aqui no blog sobre isso. No assunto do email dizia: “BEBÉS CURIOSOS” -ACTIVIDADES DE SOCIALIZAÇÃO E DESCOBERTA PARA BEBÉS E CRIANÇAS.

Primeiro pensei que deveria ser uma actividade pontual, mas decidi que valia a pena me informar um pouco mais.

A descrição das actividades e do seu principal objectivo começa logo assim:

‘Estas são actividades de desenvolvimento, descoberta, exploração e socialização que permite a bebés e crianças que ainda não frequentam a creche ou o jardim de infância (que estejam ao cuidado dos pais, avós, amas, baby-sitters) possam ter a possibilidade de participar de actividades diferentes, pedagógicas e estimulantes, ao mesmo tempo que têm a possibilidade de conviver, brincar e observar outras crianças.’

Lá está! Finalmente o que procurávamos! Era perfeito para as nossas necessidades.

Fomos experimentar e adorámos. Detectámos logo que foi realmente uma boa decisão. Ele é sempre muito sociável com adultos e crianças mas por exemplo, não se senta junto das outras crianças para fazer a actividade principal do dia. Não participa e prefere ficar isolado a brincar. E é exactamente para isto que estas actividades existem, para lhes dar espaço e tempo para essa integração. Sem pressão, ao ritmo deles, num ambiente descontraído, familiar e que permite a sua evolução natural.

Está a correr lindamente.

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É exactamente como esta descrição:

‘Uma Educadora de Infância especializada cria as oportunidades de brincadeira, facilita a interacção entre as crianças, orienta sessões de arte para bebés, música, histórias, movimento, entre outras, proporcionando um ambiente seguro e estimulante onde os mais pequenos vão ganhando confiança, autonomia e desenvolvem capacidades que facilitarão a sua integração no ambiente educativo.’

Até já tem as ‘doenças’ associadas ao contacto com os outros miúdos 😉

Existem dois aspectos que achei também muito positivos. O acompanhante da criança pode estar presente, especialmente com bebés mais pequenos, pode ser um aspecto muito importante. As actividades são contínuas, têm um horário definido e um local próprio. Ele já começa a perceber a ideia do: Hoje é dia de escolinha.

Para quem estiver interessado pode saber mais aqui.

Entretanto sei que existem outros espaços que também promovem este tipos de actividades mas pelo que me apercebi são apenas esporádicas.

Da próxima conto-vos da ginástica que é uma actividade também muito gira.

 

 

 

 

1º dia de escolinha! 

E hoje lá foram os nossos bebés pequeninos para o infantário! 
Uns pela primeira vez, outros de regresso!
Em ambos os casos custa mais aos pais do que a eles! 
Eles, se vão pela primeira vez, com meses muitas vezes, nem sabem ao que vão! Os que vão de regresso levam a ânsia do reencontro com os amiguinhos e as brincadeiras, mesmo que na despedida da manhã venha o choro! Depois passa! 
O que não passa é a dor de barriga dos pais durante todo o dia e a vontade de ligar a saber se está tudo bem! 
E sabemos a cada dia 1 de setembro que eles crescem e vão fazendo a caminha deles! 
E isso também nos provoca dores de barriga! 🙂 
E agora que eles já estão a dormir, vão lá dar mais um beijinho! 

PS.: Hoje foi também o primeiro dia de escola para James Sirius Potter, o filho mais velho de Harry Potter e Ginny Weasley. Vamos pensar que nos nossos infantários também se faz magia como em Hogwarts! 🙂 

Arrumar gavetas interiores!

Todos nós temos dias de decisões importantes, são as nossas decisões, mas quando as mesmas interferem com a vida de quem mais amas, elas provocam-te um gostinho azedo na boca e um amargo no coração.
No dia em que tomamos a decisão de recomeçar (não gosto desta palavra) tudo de novo num outro país sem ser aquele onde nasceste(mos), as coisas tornam-se estupidamente complicadas a nível de sentimentos.
Abres gavetas interiores e tens que arrumar tudo muito bem ou acabas por misturar emoções em compartimentos errados.
Depois, depois é ensinar a uma menina de 10 anos, que apesar da sua tenra idade, já tem compartimentos dentro do seu coração/armário e por isso vai ter que aprender a deitar fora o que não presta e renovar os seus sentimentos e emoções.
Não é fácil explicar a uma filha que durante 10 anos nunca se separou de ti, que vai ter que ficar a viver com os seus segundos pais/avós e que vai ver os seus primeiros (nós) somente de 3 em 3 meses.
Não é fácil ligar o skype diariamente e falar para um ecrã e disfarçar que a vida vai bem quando está um inferno (para ambas). Por isso mesmo, chegámos a um acordo, eu e a minha filha só iríamos ao skype quando os nossos sorrisos fossem sinceros. Para pior já bastava assim.
Nunca foi imposto à B. um beijo sem que este surgisse espontaneamente, um abraço sem que fosse sentido, muito menos um sorriso que não viesse da barriga até aos lábios.
Assim fizemos.
Os dias e meses foram passando, as suas aulas foram indo bem…até ao dia em que começou a descer as notas. Falo de uma aluna exemplar. Nesse mesmo dia, nesse mesmo skype, o meu sorriso tornou-se sério, o sobrolho levantou e exigi que a B. não se escondesse atrás do “problema” de não me ter por perto.
As notas nao podiam baixar, ela sempre soube que eu nao aceitaria desculpas escondidas atrás de facilidades dadas porque algo na vida mudou.
Mudança nao significa fraqueza, muito antes pelo contrário.
Depois disto, as notas voltaram ao seu lugar correcto e a B. mais uma vez terminou o seu 6 ano com notas exemplares.
Aí começou mais uma voltinha mais uma viagem (um ano se tinha passado).
Arrumou a sua mala, olhou o seu quarto e resolveu não trazer nada a não ser meia dúzia de roupa, aquilo que é importante em Portugal não é importante em Inglaterra.
Recordo as palavras dela no seu primeiro dia de aulas em Oxford, cidade onde vivemos.
Lembro que ao ficar na escola no seu primeiro dia de aulas ela nos disse…”Vou mas vou contrariada” .
E lá foi a B. “contrariada” fardada…novas pessoas…aulas diferentes mas sobretudo uma língua que não era a sua.
E já lá vai mais um ano. O target que lhe foi dado foi ultrapassado em muito a todas as disciplinas. A vida social é agora intensa e o seu accent very British.
E enquanto vos escrevo estas palavras…não escondo o orgulho que sinto deste pequeno grande ser humano que por acaso é minha filha…ela diverte-se em Paris numa viagem proporcionada pela sua escola.
A prova foi superada. Muitas outras provas virão na sua vida. A diferença entre superar e ganhar provas é a consciência que se tem que ter em relação ás vitórias.
Agora… agora são tempos de férias e muita diversão.
E no nosso amor…a B. ensinou-me que não tem tracinhos nem intervalos…porque nada nos separa num “amote” sincero!

Lia Whiting é a Mãe Emigrante da B. e do D.
Fundadora da primeira ‘buate’ virtual da história do Twitter e vencedora (com mérito) de dois Tweets d’Ouro na categoria de “Vernáculo”.