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Os gémeos do Ronaldo

Parece que o Cristiano Ronaldo é pai de mais dois bebés e aumentou a sua família. 

(Não, não são os da foto. Estes são só uns gémeos fofos.)

Metade do mundo anda chocado com a decisão do Ronaldo de recorrer a uma barriga de aluguer. Parece que o Ronaldo não tem o direito de impedir estas crianças de terem uma mãe. Eu deduzo que sejam as mesmas pessoas que acham que a base de uma família é apenas composta por um homem e uma mulher.

Pergunto-me se o Cristiano fosse uma mulher e decidisse ter os filhos sozinha (e até recorrendo a uma barriga de aluguer) seria visto da mesma forma. Mas, na verdade, não preciso de perguntar. Eu sei que a sociedade continua a julgar que todas as crianças estão melhor com a mãe. 

Eu acho que as crianças devem estar com quem as ama. 

Não sei as razões do Ronaldo, nem sequer sei se realmente ele recorreu a uma barriga de aluguer mas sei que uma família só precisa de uma coisa: amor.

Por isso aos gémeos e ao pequeno Cristiano só desejo que sejam felizes e que sejam amados.

Para quem perde o seu tempo a criticar as decisões desta família só tenho uma coisa a dizer: amem mais.

O meu parto AKA O filme de terror com um final e dois inícios felizes!

Demorei a escrever este artigo, demorei mais do que estava à espera.
Não é definitivamente a primeira vez que descrevo como foi o parto dos geminhos mas foi a primeira vez que tive que organizar as ideias e coloca-las em papel e foi tal como o parto, difícil.
A dificuldade de escrever reflete toda a dificuldade do parto que culminou num parto, vá, adivinhem… difícil!

O que vos vou contar pode-se agrupar na categoria de filme de terror com um final feliz e um início de duas vidas ainda mais felizes!
Começamos pelo princípio…

Era uma vez eu, que queria muito ser mãe mas tinha um pavor quase inexplicável do parto. Já tinha ouvido histórias boas mas na sua maioria eram histórias terríveis que se centravam na dor, quando eu queria imaginar um momento “cor-de-rosa” onde fosse só eu e o bebé num momento único e feliz. Por isso, numa decisão informada, e por opção, sempre admiti que preferia a cesariana. Já sei… já sei… Não é natural, é uma cirurgia dispensável, faz parte do processo de nascimento a passagem no canal vaginal, mas eu não concebia a minha dor, a dificuldade e esforço que o meu bebé teria que fazer para nascer.
Tomada esta decisão, a gravidez deveria ser um aglomerado de alegria, felicidade, bombons e uns quilos a mais, agrupados generosamente em 9 meses de puro êxtase na espera da pessoa que iria crescer dentro de mim. Devia ter sido assim, mas não foi…

Primeiro, não era a pessoa eram as pessoas, o que era espetacular. Gravidez 1 – Bebés 2!
Vou poupar-vos aos pormenores de uma gravidez gemelar de risco, em descanso absoluto e com muito medo. Era uma gravidez diferente, com muitos cuidados, alguns receios mas sempre com muita alegria.

Conforme o tempo foi avançando também a minha perspetiva sobre o parto foi mudando, deixei de me centrar na minha possível dor e desconforto, para me focar no que seria melhor para o Gonçalo e para o Guilherme. Também percebi desde logo que se as histórias que tinha ouvido sobre o parto eram más as histórias sobre partos gemelares eram horrendas. Não valia a pena pensar nisso, acreditava que a minha obstetra faria as escolhas certas, no momento certo.

Dia 17 de Novembro de 2014 foi uma segunda-feira como outra qualquer. Segunda-feira significava fazer ecografia, todas as segundas foram assim. Aquela eco, era mais uma de muitas, no entanto, eram sempre acompanhadas por um nervoso miudinho que acalmava mal ouvia os coraçõezinhos e via a expressão da médica que me indicava sempre que estava tudo bem, mas não no dia 17.
No dia 17, não estava tudo bem. A médica detetou o síndrome de transfusão feto-fetal e tinham que nascer de imediato. Lembro-me da médica dizer “Do Hospital já não sai!” e eu estranhamente calma perguntar “Mas eles estão bem?”, ao que a médica responde “Estão, mas o Guilherme está em sofrimento, tem que nascer hoje”. E enquanto me dirigia para a urgência a minha querida obstetra dizia-me ao telefone “Vai correr tudo bem! Deixa-te ficar aí porque realmente eles têm que nascer já!”.
Chegada à urgência e preparada psicologicamente para um parto vaginal (porque no hospital público é mesmo assim), sou informada que afinal não nascem hoje, vamos esperar 48 horas. Esperar?? Mas esperar como? Tenho um bebé em sofrimento, duas médicas já indicaram que têm que nascer de imediato! Nem pensar… Não podemos esperar!
Mas a médica de urgência em discussão com a médica da eco reafirmou a sua vontade. Esperar.

Falei de novo com a minha obstetra, e aí ela foi perentória, não há esperas para ninguém! “Perante os resultados da eco têm que nascer hoje.”
E aí tomei a decisão mais difícil de sempre, assinei um termo de responsabilidade e vim embora.

Vamos para o Hospital Privado da Boa Nova, que com a sua equipa multidisciplinar super competente verificam e concluem, não têm que nascer hoje, têm que nascer JÁ!
Vamos em passo acelerado para o bloco, onde já está à espera uma equipa, ou melhor uma super equipa, não só em número (porque eram realmente muitas pessoas) mas em amor e atenção.

As expressões sérias e a tensão era palpável, mas todos disfarçavam, não era a situação ideal mas ia correr tudo bem. Todos transmitiam isso e eu recebia essas boas energias que combatiam os meus medos e receios.
Preparadíssima, equipada apenas de bata e telemóvel (sim telemóvel, porque foi recomendado que o pai não assistisse ao parto porque era de risco e difícil mas a equipa tirou todas as fotos possíveis!), anestesia raquidiana administrada, vamos lá conhecer o Gonçalo e o Guilherme. Problema, a anestesia “não pegou”. Senti tudo, doeu tudo, gritei tudo…

E entretanto ouvi o choro, o Gonçalo estava connosco, a neonatologista veio mostrar mas não lhe pude tocar ou pegar, não havia tempo. Faltava o Guilherme, o mais pequeno, o que estava em risco, o que eu podia perder.
Na enésima vez que a minha obstetra diz “Está quase! Aguenta! Já vai passar!” e entre os carinhos que a anestesista me dava enquanto eu não gritava porque as dores eram tais que faziam que nem respirar conseguisse, ouvi o Guilherme, choro fraquinho e pesaroso. E não me lembro de mais nada…

Não o vi no dia 17, aliás, só o vi no dia 19 dentro da sua casinha de vidro, guardado e protegido, como se faz aos diamantes.

O Gonçalo estava ótimo, sereno, pacifico. O Guilherme demorou 17 dias a chegar até aí, sempre resiliente, sempre lutador, sempre corajoso.
Hoje, passados 20 meses, são crianças alegres e felizes, com uma história de coragem e superação.

Joana Carvalho

13728256_10207419786914408_692901916_o                                                                                        Foto dos gémeos da Joana! <3

 

Obrigada Joana pela partilha! Muito obrigada.

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“São dois!”

“São dois!”

Foram estas as palavras do médico obstetra que me acompanhava na gravidez.

Friamente diz-me: São Dois!

O meu cérebro congelou. Fisicamente, senti as lágrimas correrem-me pelo rosto num misto de felicidade e de pânico, um formigueiro nas pernas.
Ouvir dois pequenos corações em disparo é a melhor sensação do mundo.

Mentalmente, não conseguia processar a informação, apenas tentava perceber como tinha sido possível isto acontecer traçando mentalmente em flashes toda a árvore genealógica da minha família e da do meu marido tentando encontrar uma explicação. Para ajudar, os meus pensamentos descambaram ainda mais: vou ter que mudar de casa! e de carro! Como vou ter dinheiro para dois bebés!? Como é que isto me foi acontecer?

Fui despertada pelo meu marido que me apertava os pés com um sorriso que naquele momento me pareceu pateta: São dois! Que giro! Dizia ele.

Devo ter ficado de tal forma apática que o médico me interrompeu os devaneios: “Desculpe, já percebi que não estava à espera!”

É verdade! Não estava à espera, nenhuma mamã de 1ª viagem estaria.
Muito menos percebendo desde logo os riscos implicados neste tipo de gravidez, que é vivida sempre em cima da linha: hoje estão dois mas amanhã podem não estar! É isto que ouvimos quase até ao 4º mês de gestação. Os restantes 5 meses são passados na agonia da possibilidade de parto prematuro!

A minha história é feliz! Apesar de algumas contingências pelo meio da gravidez os meus bebés nasceram saudáveis às 38 semanas de gestação.

Aqui começa a minha história! Mãe de gémeos!

Quando recordo os primeiros seis meses de vida dos meus bebés confesso que tenho a sensação de ter perdido alguns momentos. Ser mãe de gémeos significa não ter descanso entre os momentos de amamentação. Recordo-me de uma altura em que andava pela casa em estado morta-viva, praticamente sem ouvir nada e só conseguia emitir monossílabos, tal era o cansaço.

Recordo-me de tentar sair de casa sozinha com os gémeos, por exemplo para comprar fraldas, e acabava sempre por demorar três horas, duas das quais fechada nos fraldários a dar de mamar aos bebés.

Quando vamos pela rua com um carrinho duplo que mal cabe nos elevadores e que ocupa todo o corredor inevitavelmente somos abordados na rua. E lá vema pergunta da praxe “São Gémeos?”. Honestamente e até em tom de desabafo, ainda hoje não percebo bem que tipo de resposta pretende obter alguém que faz uma pergunta destas a uma mãe que empurra um carrinho com 2 bebés iguais! A quantidade de vezes que me apeteceu responder…
“Não! São primos!”

Mas olhando para trás, apesar da violência psicológica que implica todo este processo, tenho de confessar… Sou feliz a dobrar!

Ser mãe de gémeos é ser arrebatada de amor incondicional duas vezes ao mesmo tempo. É ter uma explosão de sentimentos de orgulho, felicidade, vitória tão grandes que não cabem no peito.

É andar sempre no limite das forças! É pegar em 20kg ao mesmo tempo porque os dois querem colo ao mesmo tempo! Demorar 1h30 para sair de casa com três mochilas e mesmo assim faltar sempre alguma coisa! É ser os primeiros a chegar ao restaurante para poder ter 2 cadeirinhas de bebé disponíveis! É correr cinco centros comerciais na mesma cidade só para conseguir arranjar duas peças de roupa iguais! É pensar sempre se o lugar de estacionamento é suficientemente largo para abrirmos as cinco portas do carro! É desesperar com o dobro dos custos em roupa e em fraldas! É ir às urgências em dois dias diferentes por causa da mesma doença porque um fica doente num dia e o outro no outro! É lavar, passar e dobrar o dobro da roupa!

Mas é também ter o dobro do amor! O dobro dos beijos! O dobro dos abraços! O dobro do orgulho! O dobro do carinho! É ser a mãe mais completa do mundo por cada vez que correm dois tesouros para os meus braços no final do dia! É ser completa! É ser rica!

Ser mãe de gémeos é ter um tesouro milionário para toda a vida!

 

 

Daniela Alves é bancária e passa o dia a lidar com dinheiro, mas os verdadeiros tesouros dela estão em casa e são gémeos.