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As dúvidas! 

E quando o amor não chega?

E quando as nossas forças parecem perdidas na nossa mente e não nos lembramos de mais nada a não ser gritarmos? 

E quando achamos que estamos a fazer tudo mal e que tudo está mal? 

E quando a frustração se agarra a nós e não conseguimos gargalhar?

É quando nos deitamos que pensamos que achávamos que era fácil criar, educar, amar… que tontos éramos antes de sermos pais. 

Terrorismo! 

Ainda não se sabe ao certo mas parece que houve um atentado em Manchester! Pelo que leio no Twitter no final do concerto de Ariana Grande ouviram-se duas explosões. A polícia já encerrou as ruas e as estações do metro e fala-se já em mortes confirmadas!

Não se sabe se algum acidente, acto de terrorismo ou que seja!

Cada vez que vejo notícias destas penso em que mundo estou eu a ter filhos!! Em que mundo estamos nós?

Gente a morrer todos os dias em Africa de fome ou com doenças simples de evitar! E nós aqui a estragar comida e a discutir vacinação!!

Gente a morrer na Siria, todos os dias, vítimas de uma guerra que ninguém acaba e nós aqui a discutir cotas para recebemos os refugiados!

Gente a morrer em ataques cobardes terroristas a toda a hora… e nós aqui a discutir …

Dou comigo a pensar o que levava se tivesse que fugir! E fugia para onde??

Dou comigo a pensar que educo os meus filhos para um futuro que não sei qual será!

Dou comigo a pensar em planos para o futuro, a acreditar no amanhã, a sonhar e depois levamos assim um abanão de realidade!

O mundo mudou! Para pior! Há cada vez mais cobardes! Mas eu acredito que também há cada vez mais pessoas a fazerem por serem melhores todos os dias, a compensar o mundo…

mas seremos bons pais ao termos filhos agora?

Malala!

Acabei de ver na RTP o documentário da Malala e estou embargada… tenho tanto pensamentos na cabeça e tão poucas palavras para escrever. 
Não é só sobre a educação das meninas, ainda no outro dia foi dia da mulher e se falou nisso… 
Não é só sobre o terrorismo … não é só sobre guerras e mortes….
Não é só sobre refugiados…
É sobre homens, mulheres, crianças, vidas… vidas privadas… medo, terror, esperança, coragem! 
Penso muitas vezes na loucura de trazer filhos a este mundo… penso muitas vezes como seria ver-me com os meus num cenário aterrorizador como os vividos no Paquistão, na Siria, em tantos outros sítios…. 
Doí-me só de pensar! E doí-me saber que pouco ou nada fazemos para mudar este mundo. “Não depende de nós!” Ou “Somos pequenos e não fará diferença” perde qualquer significado quando vemos uma história destas! Vale sempre a pena! Podemos ser sempre melhores! Podemos fazer sempre mais! Podemos fazer sempre a diferença! 
Obrigada pela coragem e pela lembrança Malala! Obrigada pela diferença e pela lição professor Ziauddin! 

Manas L e duas experiências tão diferentes!

1ª experiência – LEONOR

Tal como a Bárbara eu tinha horrores ao parto e adiei a maternidade por 5 anos, até que cheguei aos meu 30 anos e disse para mim, ou é agora ou nunca… E foi, engravidei da Leonor.

Quando soube que estava grávida, fiquei tão feliz que nem me lembrei que ela tinha de sair passados 9 meses (ui que medo).
A gravidez foi passando, mas pelas 14 semanas de gestação esta “menina” pregou um susto à mãe, tive descolamento da placenta e “atiraram-me” para uma cama até quase ao fim da gravidez.
Cada vez que fazia uma ecografia a médica dizia-me, cuidado mãe podemos ver algo menos bom, mas eu só dizia: “nada disso Dra. este bébé vai nascer lindo e saudável, eu sinto”, e assim foi.

No dia 11 de Setembro de 2011 estava eu sentadinha no sofá a ver as notícias sobre o que se tinha passado no atentado do 11 de setembro, quando fui ao WC fazer xixi e, ui o xixi não parava de sair, corri para a sala pedi ajuda ao pai dela e lá fomos para a maternidade, cheguei lá perguntei à enfermeira: “já posso ir para casa? já parei de fazer xixi e só tenho parto marcado para dia 15 de setembro, até lá ainda me falta comer a minha bola de berlim.”  Resposta da enfermeira: “Nada disso mãe, vamos analisar a mãe e ver os batimentos da bebé e prepará-la para o parto, não tarda nada a rapariga está cá fora!!!”
Entrei em pânico, tal como a Bárbara, também tive as aulas de preparação para o parto mas que não me serviram para nada.
Lá fui eu para a sala de partos e só ouvi a e enfermeira dizer ao pai para ir para casa e que regressasse de manhã.
Passei a noite toda a ouvir gritos de outras mães e eu nada… nada… e nada e só pensava que algo estava errado, todas gritam com dores menos eu, eu não tenho dores e passaram-se assim 17 horas sem dores, sem nada, até que um médico chegou junto de mim, fez-me o toque e disse: “Vamos lá!”! E eu perguntei “para onde?” e ele respondeu: “conhecer a sua filha”.
Disse-lhe que  não tinha dores e estava bem mas o médico respondeu que era por isso mesmo, que a  menina tinha decidido sentar-se e dormir mais um pouco, portanto tinhamos de acordá-la e apresentar-lhe a sua nova vida.
E lá fui eu e ela para o bloco.
Despedi-me do pai dela e fomos as 2.

A rainha Leonor nasceu de cesariana a 12 de setembro de 2011, pelas 14h, com 50cm e 3140kg.
A Leonor chorou, a mãe chorou!
Estava com uma conjuntivite e tinha de ter muito cuidado para não lhe transmitir mas a minha filha era e é perfeita, linda, fantástica e é a minha melhor amiga, pois a Leonor apesar de criança já me apoiou tanto….

Foi um parto fantástico feito pelo Dr. Vitor na maternidade Júlio Dinis, nunca ouvi tantas anedotas durante um parto, posso dizer que o meu foi divertido e que no final correu bem!
A Leonor nasceu numa 2ª feira, passado uma semana eu já conduzia, claro que tive muitas dores no pós-parto, mas sempre aguentei bem, tão bem que passados 28 meses repeti a experiência.

Leonor

 

2ª Experiência – LAURA

Como já disse anteriormente adorei tanto a experiência de ser mãe como a do parto, apesar de tudo tinha corrido tão bem, que passados 28 meses a história repetiu-se mas com algumas grandes diferenças.

Voltei a engravidar e a 24 de janeiro de 2014, com 39 semanas, e parto marcado para este dia, dei entrada pelas 7h30 da manhã na maternidade. Desta vez consegui comer a minha bola de berlim.

Deixei a minha filha Leonor com os meus pais e fui o caminho todo a chorar para a maternidade, pois ia ter outra filha, mas tinha deixado outra que tinha 28 meses.
Quando temos outro filho a sensação de ter outro é boa, mas ao mesmo tempo preocupante, pois eu ia com receio que alguma coisa corresse mal… e deixasse para trás o meu bem mais precioso, a minha filha Leonor.  É mesmo uma sensação muito estranha, não sei explicar, foi um medo que se apoderou de mim,  fiquei muito ansiosa, só queria chegar à maternidade e que a Laura nascesse rápido para eu puder estar com as duas… Desculpem este meu desabafo, mas foi assim que me senti!
Cheguei à maternidade e examinaram-me, certificaram-se dos batimentos cardíacos da minha filha, mandaram-me trocar de roupa e fui para uma cama. Passados 10 minutos chega a médica, apresentou-se disse que seria a equipa dela a fazer-me o parto, fez-me algumas perguntas e após isso, começou o meu terror, desculpem, mas foi mesmo assim um filme de terror que parecia não ter fim… provocaram-me o parto, rebentaram-me as águas…
Em termos de comparação, sabem aqueles espetos de assar os frangos??? Pois foi mais ou menos assim que me rebentaram as águas, primeiro deram-me uma medicação intravenosa, depois vieram enfermeiras e agarraram-me nos braços, depois a médica com dito “espeto” e já está, ai se pudesse naquele momento tinha-me atirado a ela, doeu tanto, mas tanto que eu só pensei magoaram a minha bebe, mas não! Senti-me toda molhada a esvaiar-me toda de água, urina e sei lá que mais, fiz a minha comparação com uma gata a parir.
Eu só dizia, “Dra. eu fiz uma cesariana há 28 meses, não corro riscos, não é melhor fazerem-me outra?” e ela respondeu-me “você é médica? o protocolo diz que só se for inferior a 24 meses, a sra, já passou mais 4 meses”. Pois, pensei eu, ela terá razão.
Trocaram-me a roupa e mandaram-me para o corredor andar, como se eu pudesse, pois se da Leonor não senti dores, da Laura senti e muitas…. Só Deus sabe o que se passou ali…
Andei, andei, andei, conversava muito com o meu pai pelo telemóvel, chorava muito, tinha fome e sede, só queria ver a minha filha Leonor e ter a minha filha Laura nos braços.
Estive a maior parte do tempo sozinha… sentia-me só…. Até que pelas 20 horas me mandam para a BOX, começam a dar a epidural.
“Bolas!” disse a anestesista. Eu estava sentada de cócoras e cheia de dores, mas perguntei, “Passa-se alguma coisa?” Respondeu que sim, que ia doer um pouco porque a agulha partiu!
OK, mais umas dores, mas lá me aguentei. Mandaram-me deitar na cama, medem tensões, os batimentos meus e a da minha filha, dão-me medicação, sei lá mais, que me fizeram, até que me levantei e disse: “Estou aqui desde as 7h30 da manhã, já passam das 20h e a minha filha não nasce, o que se passa???”
Lá vem a médica, mais medicação, só que desta vez acho que foi para me acalmar. Estava sozinha numa sala que parecia o inferno, acho que estava tão anestesiada que  deixei de sentir as dores. Apanhei uma infeção, ganhei febre e a minha filha não nascia…. Só pensava na minha outra filha que tinha ficado com os meus pais.
Fiz a dilatação toda, e não só… eram meia-noite, tinham mudado de equipa, entrou uma médica para me ver e só me lembro dela começar a gritar e a pedir ajuda, a minha filha tinha entrado em sofrimento, pois ela queria sair, mas eu não estava a ajudar muito, tinha as contrações no máximo, mas não sentia nada, nem as dores.
Lembro-me da médica e dos enfermeiros, acho que contei para aí 12, de repente a sala ficou cheia a médica empurrou (acho eu) a Laurinha para cima e fomos a correr para mais uma cesariana. era 1h39 da madrugada do dia 25 de janeiro de 2014, e a minha filha nasce!
Não ouvi a Laura a chorar, e aterrei, desmaie! Acordei eram 4h30 da manhã, com a Laura já vertida no seu lindo fato verde, agarrada à  minha mama, e lembro-me de chamar a enfermeira e ter perguntado: “Esta é a minha filha, certo? Ela está bem, certo?”, A enfermeira olhou-me nos olhos e disse,: “Sim mãe é a sua linda filha, tem 51 cm, pesa 3490, agora está tudo bem com ela.Vamos tratar agora da mãe. Tem aqui o seu telemóvel para ligar para quem quiser.!”

As dores desta cesariana, foram tão más, que devido à infeção que apanhei lá, a minha barriga cresceu tanto (que parecia continuar grávida) e passado uma semana, dei entrada na maternidade, pois os pontos rebentaram e saíram alguns agrafos, mas fiquei bem, só descobri aos 33 anos com esta cesariana, que só tenho um rim.

Agradeço todos os dias a DEUS, pelas linda filhas que me deu, por tudo no final ter corrido bem, e mesmo assim, eu ainda gostava de poder ter outro filho.

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Desde então a vida trocou-me as voltas, eu e o pai das minhas filhas já não estamos juntos (mas é o pais delas e elas adoram-no).
Perdi ainda o homem da minha vida, o meu pai, que partiu o ano passado em 14 dias, e foi o meu pai que sempre me apoiou muito.

Mas estou a conseguir dar a volta por cima, fiquei sozinha com as minhas filhas ( a Leonor com 2 anos e a Laura com 5 meses), uma casa para pagar, e com dívidas! Como devem imaginar desesperei mas arregacei mangas e segui em frente! Cheguei a ter 3 trabalhos, paguei tudo, divorciei-me, tive sempre o apoio do meu pai e hoje reencontrei o amor da minha vida, alguém que me ama, me respeita, me ajuda, me admira e é amigo das minhas filhas, e tento ser feliz todos os dias.

Hoje posso dizer, consegui! Nunca fugi dos meus problemas, só tentei torná-los mais simples e nunca prejudiquei as minhas filhas, faço tudo o que posso por elas, tento estar sempre presente, e espero que um dia, elas percebam que todos os sacrifícios que a mãe fez, foi somente a pensar nelas.

Hoje gosto muito da mulher que sou!!!! SOU FELIZ  e AMO MUITO as minhas princesas!

Fernanda Silva

 

Muito obrigada pela partilha Fernanda! É bom sabermos que apesar de tudo, vale sempre a pena!
Parabéns para as manas por serem tão doces (diz até que uma vai ser minha nora!!)  e à mãe por ser uma guerreira!

 

 

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O meu parto AKA O filme de terror com um final e dois inícios felizes!

Demorei a escrever este artigo, demorei mais do que estava à espera.
Não é definitivamente a primeira vez que descrevo como foi o parto dos geminhos mas foi a primeira vez que tive que organizar as ideias e coloca-las em papel e foi tal como o parto, difícil.
A dificuldade de escrever reflete toda a dificuldade do parto que culminou num parto, vá, adivinhem… difícil!

O que vos vou contar pode-se agrupar na categoria de filme de terror com um final feliz e um início de duas vidas ainda mais felizes!
Começamos pelo princípio…

Era uma vez eu, que queria muito ser mãe mas tinha um pavor quase inexplicável do parto. Já tinha ouvido histórias boas mas na sua maioria eram histórias terríveis que se centravam na dor, quando eu queria imaginar um momento “cor-de-rosa” onde fosse só eu e o bebé num momento único e feliz. Por isso, numa decisão informada, e por opção, sempre admiti que preferia a cesariana. Já sei… já sei… Não é natural, é uma cirurgia dispensável, faz parte do processo de nascimento a passagem no canal vaginal, mas eu não concebia a minha dor, a dificuldade e esforço que o meu bebé teria que fazer para nascer.
Tomada esta decisão, a gravidez deveria ser um aglomerado de alegria, felicidade, bombons e uns quilos a mais, agrupados generosamente em 9 meses de puro êxtase na espera da pessoa que iria crescer dentro de mim. Devia ter sido assim, mas não foi…

Primeiro, não era a pessoa eram as pessoas, o que era espetacular. Gravidez 1 – Bebés 2!
Vou poupar-vos aos pormenores de uma gravidez gemelar de risco, em descanso absoluto e com muito medo. Era uma gravidez diferente, com muitos cuidados, alguns receios mas sempre com muita alegria.

Conforme o tempo foi avançando também a minha perspetiva sobre o parto foi mudando, deixei de me centrar na minha possível dor e desconforto, para me focar no que seria melhor para o Gonçalo e para o Guilherme. Também percebi desde logo que se as histórias que tinha ouvido sobre o parto eram más as histórias sobre partos gemelares eram horrendas. Não valia a pena pensar nisso, acreditava que a minha obstetra faria as escolhas certas, no momento certo.

Dia 17 de Novembro de 2014 foi uma segunda-feira como outra qualquer. Segunda-feira significava fazer ecografia, todas as segundas foram assim. Aquela eco, era mais uma de muitas, no entanto, eram sempre acompanhadas por um nervoso miudinho que acalmava mal ouvia os coraçõezinhos e via a expressão da médica que me indicava sempre que estava tudo bem, mas não no dia 17.
No dia 17, não estava tudo bem. A médica detetou o síndrome de transfusão feto-fetal e tinham que nascer de imediato. Lembro-me da médica dizer “Do Hospital já não sai!” e eu estranhamente calma perguntar “Mas eles estão bem?”, ao que a médica responde “Estão, mas o Guilherme está em sofrimento, tem que nascer hoje”. E enquanto me dirigia para a urgência a minha querida obstetra dizia-me ao telefone “Vai correr tudo bem! Deixa-te ficar aí porque realmente eles têm que nascer já!”.
Chegada à urgência e preparada psicologicamente para um parto vaginal (porque no hospital público é mesmo assim), sou informada que afinal não nascem hoje, vamos esperar 48 horas. Esperar?? Mas esperar como? Tenho um bebé em sofrimento, duas médicas já indicaram que têm que nascer de imediato! Nem pensar… Não podemos esperar!
Mas a médica de urgência em discussão com a médica da eco reafirmou a sua vontade. Esperar.

Falei de novo com a minha obstetra, e aí ela foi perentória, não há esperas para ninguém! “Perante os resultados da eco têm que nascer hoje.”
E aí tomei a decisão mais difícil de sempre, assinei um termo de responsabilidade e vim embora.

Vamos para o Hospital Privado da Boa Nova, que com a sua equipa multidisciplinar super competente verificam e concluem, não têm que nascer hoje, têm que nascer JÁ!
Vamos em passo acelerado para o bloco, onde já está à espera uma equipa, ou melhor uma super equipa, não só em número (porque eram realmente muitas pessoas) mas em amor e atenção.

As expressões sérias e a tensão era palpável, mas todos disfarçavam, não era a situação ideal mas ia correr tudo bem. Todos transmitiam isso e eu recebia essas boas energias que combatiam os meus medos e receios.
Preparadíssima, equipada apenas de bata e telemóvel (sim telemóvel, porque foi recomendado que o pai não assistisse ao parto porque era de risco e difícil mas a equipa tirou todas as fotos possíveis!), anestesia raquidiana administrada, vamos lá conhecer o Gonçalo e o Guilherme. Problema, a anestesia “não pegou”. Senti tudo, doeu tudo, gritei tudo…

E entretanto ouvi o choro, o Gonçalo estava connosco, a neonatologista veio mostrar mas não lhe pude tocar ou pegar, não havia tempo. Faltava o Guilherme, o mais pequeno, o que estava em risco, o que eu podia perder.
Na enésima vez que a minha obstetra diz “Está quase! Aguenta! Já vai passar!” e entre os carinhos que a anestesista me dava enquanto eu não gritava porque as dores eram tais que faziam que nem respirar conseguisse, ouvi o Guilherme, choro fraquinho e pesaroso. E não me lembro de mais nada…

Não o vi no dia 17, aliás, só o vi no dia 19 dentro da sua casinha de vidro, guardado e protegido, como se faz aos diamantes.

O Gonçalo estava ótimo, sereno, pacifico. O Guilherme demorou 17 dias a chegar até aí, sempre resiliente, sempre lutador, sempre corajoso.
Hoje, passados 20 meses, são crianças alegres e felizes, com uma história de coragem e superação.

Joana Carvalho

13728256_10207419786914408_692901916_o                                                                                        Foto dos gémeos da Joana! <3

 

Obrigada Joana pela partilha! Muito obrigada.

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1º dia de escolinha! 

E hoje lá foram os nossos bebés pequeninos para o infantário! 
Uns pela primeira vez, outros de regresso!
Em ambos os casos custa mais aos pais do que a eles! 
Eles, se vão pela primeira vez, com meses muitas vezes, nem sabem ao que vão! Os que vão de regresso levam a ânsia do reencontro com os amiguinhos e as brincadeiras, mesmo que na despedida da manhã venha o choro! Depois passa! 
O que não passa é a dor de barriga dos pais durante todo o dia e a vontade de ligar a saber se está tudo bem! 
E sabemos a cada dia 1 de setembro que eles crescem e vão fazendo a caminha deles! 
E isso também nos provoca dores de barriga! 🙂 
E agora que eles já estão a dormir, vão lá dar mais um beijinho! 

PS.: Hoje foi também o primeiro dia de escola para James Sirius Potter, o filho mais velho de Harry Potter e Ginny Weasley. Vamos pensar que nos nossos infantários também se faz magia como em Hogwarts! 🙂 

Refugiados! 

Estou entorpecida mas não consigo dormir!

Tenho o estômago na boca e as lágrimas na cara! 

Estou cansada de fazer de conta, que façam de conta, que deixem andar!

Não posso ter mais medo, não me posso acomodar! É preciso agir! 

Hoje, como todos os dias, foram partilhadas nas redes sociais fotos dos refugiados da Síria que neste momento tentam chegar à Europa! 

Esta semana já vi crianças aos colos dos pais depois da travessia! O ar de desespero daqueles pais! Mas a chegada a solo dá alento!

Mas hoje… Hoje vi as fotos de algumas daquelas crianças que não chegam! Sem palavras… 

É preciso chocar! É preciso mostrar isto!! É preciso gritar!! É preciso salvar esta gente!!

Um refugiado não vem à procura do nosso trabalho, nem do nosso sistema de saúde! Vem a fugir!! Foge de um país que não o pode proteger! Que mata ou tortura por questões políticas, religiosas, raciais… 

Não são “migrantes”!! São refugiados!!! 

Oh Europa eles não procuram férias! Procuram vida! A deles e a dos outros! E tantos são os outros que não chegam!!  

Espero sinceramente que as fotos se espalhem, as almas latejem, as consciências se pesem e as vozes se ergam! FODASSE! Já chega de fazer de conta que não é nada conosco!! 

Bem sei que há mais desgraca no mundo! (Oh se há!!) Como sei que não podemos/posso salva-lo!! Mas posso fazer alguma coisa, por algum bocado dele!! 

Ah e eu sei que este é um blog sobre maternidade… Mas a maternidade também é isto! É sermos mais que o nosso umbigo e ensinarmos aos nossos filhos que as pessoas são pessoas!! 
… Já fui beijar o meu filho e olhar para ele… Hoje custou um bocadinho mais… 

Os inconseguimentos

Acho que o medo passa a estar mais presente na maternidade. Já tivemos um convidado (vénia) que falou também disso.

Eles são tantos e assumem diversas formas.

Hoje quero falar de um muito específico. Chamo-lhe o medo do ‘inconseguimento’ (beijinho bom para ti Assunção).

Eu sofri deste medo (e de vez em quando ele paira por aqui). É o medo de não conseguir lidar com a maternidade e com todas as mudanças que ela traz às nossas vidas. Resumindo: é o medo de ser mãe (ou pai). De não conseguir estar à altura dessa tarefa.

Eu sei exactamente o momento em que surgiu esse medo. Ele chegou galopante no momento em que depois de limpo e vestido puseram o Sebastião ao meu colo.

Ele nunca tinha surgido antes. Dúvidas (muitas), outro tipos de medos também. Mas, o medo de não conseguir ser Mãe, de não conseguir lidar com toda a situação nunca tinha estado presente.

Depois de uma gravidez tão desejada. De tantos planos feitos. Ali estava eu, finalmente com o meu filho nos braços. E a sensação foi mais ao menos esta:

medo

Estavam lá milhares de outras sensações mas isso é para outro post 🙂 .

Surgiu o medo do ‘inconseguimento’! O tal que fez ecoar durante muito tempo na minha cabeça, a pergunta: E Agora?

Por muito que achemos que estamos completamente preparadas para a maternidade, a realidade dá-nos conta imediata que isso não é verdade.

Não estamos mesmo. Como poderíamos? Nunca passámos por esta situação. O normal é perante o desconhecido sentirmos medo.

O Sebastião nasceu às 11h26m, às 15h começaram as visitas. Assim que vi a minha mãe entrar pela porta desatei a chorar.

No meio da choradeira, com o Sebastião nos braços, murmurei baixinho: Acho que não consigo fazer isto.

E enquanto me abraçava e me afagava o cabelo, a minha mãe só me disse: Claro que consegues. Olha para ele.

Durante os primeiros três meses, tão difíceis, eram essas simples palavras de que me recordava sempre.

E não é que consegui (consigo) mesmo?

Por isso, novas mamãs que estão por aí, é normal ter medo.

Lembrem-se: vão conseguir.

Lado lunar

Sou pai. Ou melhor, sou “bipai”. Ela com oito anos, ele com quatro. Assim sendo, falo do alto da minha (falta de) experiência: não sei o que raio é ser um bom pai. Nem sei o que engloba essa definição. E não tenho qualquer tipo de conselho que não seja: faz o que achas que deve ser feito. Posto isto, e porque a vida não é apenas cor-de-rosa (a não ser que sejas um unicórnio), aqui vai uma experiência de uma cor mais verdadeira. 

Viver com medo

 A partir do momento em que o exame te anuncia que aí vem prole, o medo chega também a galope. Na verdade, acho que foi o primeiro sentimento que tive quando descobri que seria pai. Medos grandes e medos pequenos. O medo que a gravidez não decorra como esperado (acontece mais vezes do que se pensa); o medo que o parto não corra pelo melhor; o medo de deixar cair o bebé; o medo que ele tropece e se esbardalhe do gigante escorrega do parque; o medo que alguém os leve; o medo que ela não encaixe na nova escola; o medo das saídas à noite; o medo que não encontrem a sua vocação; o medo que só tenham futuro além fronteira; o medo que não encontrem quem os ame; o medo, simplesmente.

Receio, temor, cagufa, inseguranças… É tudo medo, e não deve haver receio (lá está) de utilizar a palavra.

 

A incapacidade de perceber o conceito de “dormir”

 Os meus dois filhos têm/tiveram uma relação estranha com o “dormir”. Ela, até aos 17 meses, acordava todas as noites. Mais do que uma vez. Sim, todas as noites. Durante 17 meses. A quantidade de neurónios que queimei à conta da miúda é imensurável. A minha filha fez-me mais burro, portanto. Certa noite parei de contar à décima primeira vez em que despertou… Por isso, para mim e para a mãe, é perfeitamente normal acordar às 3 da manhã (e às 4, 5, etc.). Nunca pensei que isso aconteceria, mas de facto habituamo-nos a tudo.

Se com ela o dormir melhorou, com ele estamos ainda a lutar para estender o sono além das 6h45. É essa a hora de alvorada em casa, pelo menos para o pirralho e para um dos adultos. Já experimentámos fazer serões, cansá-lo, massagens, leite morno ao deitar… Não adianta. O puto tem um relógio interno que não falha e ainda antes das 7h está a postos.

Uma vez, na escola dela, pediram-me para escrever num coração o que era ser pai, e posteriormente colocar num mural. Junto dos “é a melhor coisa do mundo” ou “é maravilhoso”, estava “é não saber o que é dormir e, mesmo assim, gostar deles”.

 

O barulho é o novo silêncio

 Experimentem dizer a uma criança de quatro anos que faça silêncio para se conseguir ouvir as notícias. É o mesmo que pedir a um elefante para cantar ópera. Não dá. O barulho constante é, assim, o novo silêncio. Habituas-te, como em tudo. Se é fácil? Não, não é. E, por vezes, a falta de paciência leva-te a gritar (quem nunca o fez que ponha o dedo no ar). Ou seja, tentas combater a falta de silêncio fazendo ainda mais barulho… Tu, o adulto, a comportar-te como um puto. Sacanas, pá. O que eles nos fazem.

 

Brinquedos e casa arrumada

 Certa vez tive a casa arrumada. Depois tive filhos e não sei o que é isso. Antes deles virem não podia ver algo fora do sítio. Cedo percebi que, ou deixava isso para trás, ou não fazia mais nada que não fosse arrumar. E brinquedos espalhados? Em certas noites limito-me a empurrar com os pés os brinquedos para junto das paredes, por forma a não os pisar quando tiver de acordar pela terceira vez.

 

Rochedo de borracha

 Eles olham para nós como um rochedo, um porto seguro. Olham para cima, e julgo que o farão mesmo quando forem mais altos que nós. Somos o suporte, os que sabem, os que decidem. E eu faço-me de forte, de quem percebe, de quem toma as decisões corretas. Se eles soubessem que não percebo nada de nada, que sou o mais inseguro de todos. Sou um rochedo de borracha. Molinho, sem saber muito bem para onde ir, mas indo com convicção que eles precisam.

 

Autorização para sair à noite

 Não são eles que necessitam de autorização para sair à noite (por enquanto!). Somos nós que, para o fazer, temos de acertar agendas com os avós (que felizmente nos dão uma grande ajuda), para assim podermos sair, namorar, ir ao cinema, beber algo mais que não ice tea, e regressar a casa às tantas (ou bem cedo, para poder dormir a sério).

 Tudo isto traça uma visão negra da paternidade, não? A visão pode ser mais “escura”, mas também porque não falo aqui do bom (aqueles que são pais já o conhecem). Ter filhos não se classifica como o melhor que aconteceu. É algo à parte, para lá disso. E o melhor acontece todos os dias. Quem é pai e os vê sorrir sabe do que falo. É ser Verão cá dentro, durante o ano inteiro. Se pudesse tinha mais 14. Fico por dois, com a mulher que amo.

 

Há um lado lunar na paternidade, claro. Mas a lua é tão bonita que compensa tudo.

Ricardo Martins é jornalista. Pai de uma e de um. Marido de uma. Pessoa que brinca com músicas e tal. Autor do blog Mil por Dia

 

 

 

Sobre a violência

Tenho andado para aqui a pensar se deveria falar sobre a violência…

Em primeiro lugar porque lá em casa somos totalmente pela paz e em segundo lugar porque para mim é completamente incompreensível.

Esta semana, os casos sucessivos de violência que tiveram algum destaque mediático (nem quero imaginar o que não se sabe), deixaram-me muito triste e desiludida com o ser humano mas acima de tudo… revoltada.

Não quero que o meu filho cresça num mundo em que o medo dita o modo como nos relacionamos com o outro.

Esta ‘ditadura do medo’ está cada vez mais presente e assume formas realmente assustadoras. A forma de um pai/mãe, a de um professor, a de um colega de escola, a de um polícia… E se existem imagens como as que têm circulado que nos apresentam uma forma física para esses medos, o que vem depois, é igualmente de uma violência extrema.

O que se faria, ou o que fulano, beltrano e sicrano realmente mereciam, ou que são isto ou aquilo é, no meu ponto de vista, uma forma de violência que vem crescendo a pouco e pouco de um modo impressionante.

O modo displicente com que as pessoas dizem as coisas que dizem, sem o mínimo respeito pelo outro, choca-me. Mas acima de tudo, o que realmente me choca, é o modo, como isso se tornou aceitável (especialmente nas redes sociais), como é aplaudido e incentivado.

Mais do que estar perante imagens de verdadeiros sociopatas (quer estes tenham 15 anos ou estejam à frente de uma força policial não deixam de ser completamente indiferentes aos direitos e sentimentos dos outros), assustam-me todos os outros… Os que se escondem por detrás dos computadores. Esses que se cruzam connosco todos os dias.

Mostrar a uma criança que a resposta à violência é mais violência é simplesmente perpetuar um ciclo.

O ser humano tem capacidades surpreendentes… e nem todas são boas.

É urgente proteger, defender e educar as nossas crianças… já que em relação aos adultos, parece que já vamos tarde demais.