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Parentalidade

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Podcast #001

Olá a todos, este é o primeiro episódio do nosso novo podcast. Aqui, tal como no blog, vamos falar dos desafios e encantos da maternidade.

Neste primeiro episódio falamos um pouco sobre o porquê da criação do blog e do podcast.

Contamos convosco para criar um espaço de partilha e discussão sobre todos os temas relacionados com a parentalidade.

Os Pais no Caos

Vocês já sabem que adoramos ter convidados aqui no blog. Todas as histórias são importantes e as nossas crianças são únicas mas cheias de semelhanças.

Temos uma área no blog só para os convidados onde todos podem partilhar as aventuras da parentalidade connosco, é só mandar email para blog@sweetcaos.com.

Achamos também importante dar voz aos pais e temos feito sempre questão de convidar homens para escrever sobre o modo como lidam com a parentalidade. Com tantos textos fantásticos decidimos criar uma área específica para que possam partilhar as suas histórias. Reunimos todos os textos dos papás aqui.

Teremos muitas novidades em breve! Por isso fiquem atentos. 🙂

Não há um manual de como ser pai!

Há pouco mais de quatro anos, tornei-me um pai. Após nove meses de gravidez eu deveria estar preparado, certo? Errado. Independentemente da tua profissão – construção, atendimento ao cliente, negociação de reféns – paternidade é o trabalho mais difícil que existe.

Nos anos anteriores à entrada de cena do Francisco, eu preocupava-me comigo mesmo, o que, nos dias de hoje, é provavelmente normal para alguém de 20 ou 30 e poucos anos de vida.

Tornar-me um pai mudou-me. Todos disseram que assim seria. Toda a gente me disse que tudo seria diferente. “Dorme agora”, disseram … “Sai agora”, disseram eles. Eu estava preparado para as mudanças superficiais (nunca fui muito de sair, de qualquer forma). Para o que eu não estava preparado era para pontapé emocional em cheio nos queixos que a paternidade te dá.

Podem vasculhar as prateleiras marcadas como “paternidade/maternidade” em qualquer livraria e encontrarão uma infinidade de livros sobre a paternidade. Podem pedir conselhos aos vossos pais, mães, tias, primos e amigos; mas independentemente de como nos preparemos para a viagem, a paternidade é algo que só se conhece depois de experimentar em primeira mão.

Os livros podem dar-vos uma ligeira vantagem, mas as palavras numa página não dizem o que sentes quando o teu filho chora horas a fio com cólicas; quando nascem os primeiros dentes; quando fazem cocó no chão, durante a transição para o pote. Livros não dizem como reagir quando a tua criança faz uma birra monumental no supermercado, apenas porque sim.

Sabem porquê? Porque não há uma maneira certa, uma fórmula.

Paternidade traz grandes momentos de auto-dúvida. Como um pai que durante alguns meses ficou em casa, às vezes eu sentia-me numa ilha. E nem sempre podes confiar num livro para te dar a resposta. Costumo refletir sobre o pai que sou e pergunto-me se estou a fazer a coisa certa.

O ponto aqui é que podem ler tantos livros quanto quiserem e conseguirem (tempo livre é algo que rareia quando se é pai de uma criança pequena), que vocês nunca estarão realmente preparados, e não há mal algum nisso. A paternidade é uma daquelas coisas que se vai aprendendo à medida que se vai andando.

Eu confio em ter sido criado com uma boa bússola moral e valores sólidos, que serviram e servem como uma fundação, para me incentivar e guiar-me a tomar as melhores decisões (longe de mim dizer que sou perfeito, ok? Não sou. De todo). Será que as decisões vão ser sempre as mais acertadas? Não. E está tudo bem.

 

Nota do autor: apesar de tudo, ser pai é o melhor que me aconteceu e a experiência mais maravilhosa (e difícil) que já enfrentei. Por mais birras, choros, dúvidas, corridas para as urgências a meio da noite, um simples sorriso, abraço, uma nova competência ou graçola do Kiko fazem com que tudo isso fique para a traz e valha completamente a pena. Pensemos: se assim não fosse, a raça humana estaria extinta há milénios. Sim, sou um pai babado e a gargalhada do meu filho é o que mais feliz me faz neste mundo.

Vasco Vasconcelos

 

Obrigada Vasco pela partilha e um grande beijinho ai para casa, principalmente ao astronauta-jedi Kiko!  😀

 

Não sou Jedi, mas adoro ser Pai!

O Neo da parentalidade

matrix

Filha,

Estás quase a fazer dois anos, o dia do teu nascimento foi algo que desfrutei a cada segundo como quem se delicia a comer a sua fruta preferida sem que se importe do que podem pensar do seu ar de satisfação ou figura, julgo que devem ser privilégios concedidos por ser pai pela segunda vez. Do teu irmão, quando me apercebi da sua existência como ser humano neste mundo já tinham nascido os dois dentes da frente e já apareciam as primeiras febres e até já se aventurava em gatinhar a casa toda.

Contigo foi totalmente diferente, a preparação foi milimétrica, tudo tinha bateria carregada, desde que tirasse fotografias ou gravasse vídeo, só não levei tripés e luzes porque me pareceu exagerado, mas também julgo que a tua mãe não iria achar piada. Tudo ocorreu com normalidade e tu começaste a tua jornada das primaveras, os dias passaram a ser semanas e as semanas rapidamente passaram a ser meses.

Ao longo desse tempo sempre tentaste enganar-nos com as tuas manhas de bebé, mas filhota, eu sou o Neo a desviar-se das balas, tu ainda estavas a pensar fazer das tuas e já estava eu pronto para resolver a situação. Ter esta capacidade fez com que desfrutasse mais estes dois primeiros anos, que para te ser sincero, não são os meus favoritos no que toca a bebés, mas um dia explico-te porquê.

It’s a new dawn, it’s a new day

nina
Tal como a Nina interpretou a música que dá titulo a este segmento, também eu sinto que ninguém me pode tirar este momento que está começar filha. Sim a começar minha pipoca.

Até aqui foi garantir que não te aleijas, que comias a horas, que não tinhas a fralda cagada, que dormias bem, mesmo que isso implicasse que eu não. Mas a partir de agora, está a começar.

É a partir de agora que começas a dizer mais que uma palavra que se entenda, já começas a conjugar essas palavras e a fazer micro frases. Já tens noção de quem te rodeia, não pelos nomes, mas por Pai, Mãe, Mano, Gato, Panda, “ó-ó”. Já sabes que ando de mota e vês-me, do alto da tua janela, a passar na estrada dos “Pópós” como os gostas de chamar. O som de uma mota desperta em ti uma alegria imensa, quando me despeço de ti dizes “xau”, quando pergunto onde vai o mano, respondes sem hesitar, “cola”.

O mundo começa a apresentar-se divertido para ti, tens um espírito aventureiro, sobes cadeiras como quem sobe uma montanha, arriscas brincar com o “gato” quando sabes que te vais aleijar. Corres mais que o Bolt mas cais no segundo a seguir com a graça de uma pétala, choras como se o teu coração estivesse despedaçado para de seguida dizeres duas palavras, “Pai, cola.”. O meu colo é o teu porto seguro, sabes que nele tudo passa.

Adora esta fase, adora tudo nela, as tuas birras, as tuas manhas alegres, a tua perceção do outro e saberes que podes brincar culpando-o dos teus erros, inocentes. Gosto quando és a minha sombra mas adorei mais quando tinhas medo da tua. Adoro não ter 5 segundos de silêncio e os filmes serem vistos em bocados de 30 segundos com pausas de 10 minutos. Adoro quando dizes “banho” quando chego a casa de um dia de trabalho, já sabes que te vou dar banho. Detestas que te ponha água nos olhos, ficas aflita, mas com mais algum treino ficas apta para fazeres apneia em alto mar.

Adoro esta fase, adoro estes momentos.

May the force be with you

force
Como disse à tua mãe no dia do teu nascimento, se não fossem as mulheres, já estávamos extintos à imenso tempo. Eu acredito que tu vais honrar todas as mulheres que antes de ti andaram neste mundo e que servirás de exemplo para as vindouras, sinto isso, não me perguntes porquê, simplesmente sei. Vejo em ti uma força diferente, vejo que és destemida, curiosa, “móza” como tu te chamas quando te pergunto o que tu és, respondes sempre “móza”. Continua assim, teimosa.

Vais entrar na fase de descobrir e falar imenso, vais perguntar muitas coisas, vais querer ainda mais atenção. Vou estar aqui para isso, sei que até aos 5/6 anos o tempo vai voar e nunca mais vou ter esta oportunidade.

Estou ansioso: por dizeres coisas que me vão fazer chorar a rir, por saber que fizeste algo que ninguém estava à espera, por perceber que tens outro ponto de vista, por teres uma inocência malandra que não consigo resistir. Pega nessa tua força e torna estes próximos anos inesquecíveis, porque os dois que passaram já deixam saudades profundas e a lagrima a escorrer pela cara.

Dá-lhe com força que eu vou adorar, não sou nenhum Jedi mas eu aguento, afinal ser Pai é mais difícil.

Pedro Fonseca

Obrigada pelo testemunho Pedro e beijinhos à pipoca 😀

Outra vez o sono dos bebés…

Penso que nunca ouvi falar tanto sobre o sono do bebé como actualmente. Muito se escreve, muito se diz e muito se teoriza…

Apesar de algumas formações na área dos bebés e das famílias não sou especialista no sono mas sou mãe e acho que isso é o que realmente importa. Daquilo que vivenciei como mãe juntando algumas teorias que sabia na altura consigo agora concluir que tal como o mundo não é preto e branco, também os bebés são diferentes como uma palete de cores. Há bebés irritáveis, sensíveis, difíceis, enérgicos, mas também os há calmos, pacíficos, fáceis de lidar e portanto com esta realidade é impossível de determinar uma teoria como certa. O que fazer quando até os pediatras de referência nos dizem o que é certo ou errado, mesmo quando vai contra aquilo que acreditamos?

Eu penso que a tentativa e erro fazem parte do processo de parentalidade primeiro porque como já disse anteriormente os bebés são todos diferentes, mas também porque eles passam por etapas de crescimento e quando parece que está tudo bem e pacífico de repente acontece algo que volta a desorganizar tudo e portanto o que funcionou num momento pode ter que ser adaptado a uma nova realidade. Não é fácil gerir tanta informação com as dúvidas e crenças. Se me permitem deixo aqui umas dicas:

– Do que sabem, do que ouvirem e do que lerem retirem os métodos que vos deixem confortáveis. Um bebé não pode estar descansado se sentir ansiedade e dúvida por parte dos pais;

– Os pais estarem de acordo entre si com a rotina de sono que escolheram adoptar é importante. Uma família que discute sobre o facto do bebé estar a chorar há 30 min, ou a dormir na mesma cama não traz paz ao bebé, muito pelo contrário;

– Alternarem os cuidados quando um dos pais está mais cansado. Quando estão irritados e exaustos porque o bebé não dorme a paciência diminui, não pensam com clareza e perturbam ainda mais o bebé. Se um dos pais não puder, recorram a uma terceira pessoa da vossa confiança;

– Encontrar um ponto de equilíbrio entre o vosso bem-estar e o do bebé. Podem abdicar de algumas coisas em prol das necessidades do bebé mas não é razoável anular tudo o que for prazeroso em função daquilo que ele quer. Se os pais não estiverem bem consigo próprios, ou entre eles, isso vai destabilizar o bebé mesmo que seja a médio prazo;

– Não confundir as necessidades do bebé com as necessidades da mãe/pai. Todos os pais gostam de sentir que os filhos precisam de si e por vezes custa aceitar a sua autonomia, mas esta é fundamental para o desenvolvimento geral da criança. Neste caso a autonomia no sono é um processo natural e desejável e não obriga que exista sofrimento/choro. Por outro lado, quando os pais não aceitam e impedem a autonomia da criança podem estar a promover a insegurança;

– Antes de chegarem ao limite peçam ajuda especializada. Escolham um apoio que esteja disponível para adaptar a metodologia consoante a família que tem à frente, ou seja, vá de encontro às vossas crenças e seja sensível à vossa realidade familiar. Bebés diferentes têm necessidades diferentes logo, as abordagens não devem ser “chapa 5”.

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Acima de tudo acreditem que aquele bebé não nasceu para vos chatear e ele precisa de vocês, mas pode ter um temperamento que exige mais do vosso papel de pais para responder às suas necessidades. Já dizia Brazelton que os pais são os melhores especialistas nos seus filhos, mesmo assim podem precisar de ajuda nos primeiros tempos para entender a comunicação do bebé. Tenham a certeza de que aos poucos tudo vai correr bem.

*A autora não segue o acordo ortográfico

Íris Seixas ajuda os pais no processo de descoberta do seu filho, partindo das premissas de que cada bebé é um ser único, e que os pais são os peritos nos seus filhos. Trabalha com Infância e Parentalidade e podem-na seguir e contactar através da sua página: Íris Seixas – Página Profissional na área da Infância/Parentalidade